A “Cachoeira” de lama que vai do DEM ao PSOL

A “Cachoeira” de lama que vai do DEM ao PSOL

 * Texto publicado no Causa do Povo nº 64 – Junho/Julho de 2012 | Jornal da União Popular Anarquista – UNIPA

Mais uma denúncia de corrupção emerge no Governo Federal de Dilma Rousseff (PT-PMDB), desta vez o protagonista é: Carlos Augusto Ramos, vulgo Carlinhos Cachoeira – um filhote da OperazioneMalocchio (Operação Mau-olhado) iniciada em 1995 pela Itália com participação do governo brasileiro. Cachoeira montou um holding criminal reciclando dinheiro lavado em atividades lícitas, por meio de inúmeras empresas, de remédios a automóveis e a construtora Delta, sua maior parceira e uma das maiores construtoras a receber dinheiro publico via PAC (Programa de Aceleração do Crescimento). Cachoeira é hoje chefe do jogo de caça-níqueis em Goiás e Brasília.

Seu envolvimento com a esfera do governo e poder público é a nova sensação da mídia burguesa. Um dos primeiros acusados de envolvimento com o bicheiro foi o então senadorDemóstenes Torres (DEM), flagrado pela Operação Monte Carlo da Policia Federal, em ligações telefônicas com Cachoeira. O senador, agora sem partido,intermediava favores no poder Executivo, Legislativo e principalmente no poder Judiciário, onde mantinha uma relação privilegiada com o ministro do STF, Gilmar Mendes.

O mais desmascarador dessas relações de Cachoeira, correspondente de um novo tipo de máfia, mais moderna e bem organizada, é a relação do mega-bicheiro não apenas com as esferas dos três poderes, no qual tinha mais que influência. O bicheiro é suprapartidário (até agora, já que ainda falta muito a ser revelado). As escutas telefônicas mostram suas relações com políticos desde PSOL ao DEM. Os mais sintomáticos foram o vereador Elias Vaz do PSOL goiano, e os governadores Sérgio Cabral (PMDB-RJ), Marconi Perillo (PSDB-GO) e Agnelo Queiroz (PT-DF).

Aos lutadores sinceros que ainda nutrem qualquer forma de expectativa na democracia parlamentar burguesa, o caso do PSOL, que se reivindica socialista, é o mais sintomático. Elias Vaz (PSOL) está em seu terceiro mandato e é pré-candidato a prefeito de Goiânia, e o fato de ter chamado Cachoeira de “companheiro” não deve ser entendido como uma exceção. A troca de favores da política parlamentar burguesa exige esse tipo de relação inescrupulosa e o PSOL vai assim reproduzindo o jogo sujo burguês. O presidente estadual goiano e da executiva nacional do PSOL, já lançou nota apoiando o vereador pró-bicheiro, afirmando este ser de “esquerda” (sic).

Se junta a isso o vazamento da conversa do ex-presidente Lula, o ex-ministro da defesa Nelson Jobim e o Ministro do STF Gilmar Mendes. A conversa pelo o que o próprio Mendes confessou girou em torno de propostas por parte dos petistas para ao menos adiar o julgamento do caso Mensalão, para não comprometer as eleições municipais que se avizinham no maior escândalo da história da gestão petista.

Parte da mídia burguesa tenta esconder o envolvimento do Grupo Abril/Revista Veja com Carlinhos Cachoeira. Cachoeira utilizou a revista para chantagear através de escândalos vários políticos – esses por sua vez presos ao mar de lama de subornos, fraudes em licitações e financiados ilegalmente em suas campanhas eleitorais, que sedem aos mandos e desmandos seja do bicheiro seja das construtoras ou empreiteiras, que concentram hoje bilhões em obras no país com a chegada da Copa de 2014.

CPI nada mais é do que um palco para negociações e propaganda eleitoral para o governo e a oposição. Esses trocam acusações e exorcizam um ou outro politico de cada bancada. Os mais fortes tentarão se proteger, mas quem julga e investiga no congresso Nacional os casos de corrupção são os mesmo deputados e senadores que tem contas a prestar, pois estão direta ou indiretamente envolvidos em casos similares.

Cabe ao povo não acreditar nessas falsas promessas de moralização do parlamento burguês, exatamente por que as máfias dos “Cachoeiras” é seu modus operandi, nem se iludir com o cinismo do PSOL-PT que “exigem” abertura de CPMI enquanto eles mesmos participam dos esquemas fraudulentos que furtam o povo diariamente. O Estado burguês é um instrumento injusto por sua natureza, “imoralizável” por assim dizer, pois sustenta a exploração cotidiana da classe trabalhadora. Somente, a construção do poder popular, a partir da organização e luta em cada local de moradia, estudo e trabalho exigindo justiça e liberdade nos trará vitórias na busca de um novo mundo, no qual o próprio povo terá o poder.

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