A crise econômica mundial, a economia brasileira e a tarefa internacional dos trabalhadores

*Texto publicado no jornal CAUSA DO POVO nº65 de Agosto/Setembro de 2012

A crise econômica, que começou em agosto de 2007, que provocou a quebra do Banco Lehmann Brothers, em setembro de 2008, e agora impacta profundamente a Zona do Euro, está marcada pelas políticas da classe dominante responsáveis pela ampliação da própria crise, ou seja, pelo aumentado do desemprego e diminuição dos investimentos. Como afirmamos, a atual crise é de superacumulação de capitais, portanto a tendência é de intensificação da exploração do trabalho (e do meio ambiente).

 A crise se agrava na medida em que a própria mundialização e liberalização das economias pós anos 90 provocou uma maior interconexão entre as economias nacionais. A situação se agrava ainda mais com a reintegração chinesa e a plena incorporação da Índia na economia capitalista mundial. Esta situação aumentou a integração do mercado mundial, alcançando um nível jamais visto anteriormente.

 Assim, ao mesmo tempo em que a Ásia se tornou o novo centro de acumulação do capital e vinha mantendo o crescimento mundial no período da crise, começou também a dar sinais de diminuição de crescimento. A China teve o mais lento crescimento em três décadas, o mesmo tem acontecido com a Índia.

 Por outro lado, pode se acompanhar uma tentativa de reordenamento político e econômico estadunidense. Como afirmamos no Causo do Povo 61:o estatismo é fundamental para isso. O reordenamento político e econômico norte-americano é cada vez mais evidente, na medida em que procura manter sua hegemonia nas estratégias de acumulação de capital. A contração do crédito, do setor imobiliário e da indústria automotiva norte-americana foi “substituída” pelo aumento das exportações. Saída que a Alemanha até então mantinha e mesmo a China, que tem visto o superávit da balança comercial diminuir paulatinamente.

Ao mesmo tempo temos uma contração do comércio mundial, e aumento de disputas por mercados via oligopólios e relações estatais. O comércio mundial se contraiu e os desequilíbrios mundiais continuam, sem perspectiva de melhora no mercado de trabalho. Muito pelo contrário, a situação é de queda da qualidade de vida dos trabalhadores no centro do capitalismo, o que já ocorre há mais de uma década.

A Crise na Zona do Euro

As políticas adotadas pelos governos europeus continuam totalmente direcionadas para atender os bancos e investidores financeiros. Os governos e a Troika (Banco Central Europeu, Fundo Monetário Internacional e União Europeia) continuam a receitar austeridade fiscal e cortes sociais, cada vez mais drásticos. Mesmo a proposta moderada do presidente Hollande, do Partido Socialista Francês, não avançou muito, a não ser o acréscimo no discurso sobre crescimento econômico e a destinação de 150 milhões de euros para o Banco Europeu de Investimento.

AEuropa mergulha rumo a uma recessão. A arquitetura financeira pós-desregulação tem levado país por país da Zona do Euro a reivindicar mais empréstimo para sustentar os compromissos com os financistas. Estes vão atrás de seus lucros. Por sua vez, os Estados protegem seus bancos e seus investidores e aprovam o desvio de recursos públicos para as mãos dos bancos e empresas. Mesmo a Alemanha, que assegurava sua economia via exportação, está sentido os efeitos de seu próprio remédio. O ritmo de exportações tem diminuído drasticamente, e com isso impactado a economia alemã.

A Europa se arrasta na queda de produção e principalmente no agravamento do quadro social, uma vez que a situação de desemprego é agravada pelas medidas de cortes sociais feitas pelos governos, independente de sua coloração (Liberal, Conservador, Social-Democrata ou Socialista).

O desemprego é sem dúvida a principal marca da crise econômica na Europa. Segunda a agência Eurostat, a taxa de desemprego chegou a 11,2% em junho de 2012 na Zona do Euro, e a 10,4% na União Europeia. Na França o desemprego atingiu 10,1% dos trabalhadores, na Itália 10,8%, na Irlanda 14,8%, em Portugal 15,4%, na Grécia 22,5% (abril de 2012) e na Espanha 24,8%1. O desemprego é ainda maior entre os jovens (veja o gráfico comparativo).

No caso do Brasil, o mercado interno tem chegado ao seu limite. Os próprios economistas-consultores do Governo Dilma (Gonzaga Belluzo e Delfim Neto, por exemplo) já afirmam categoricamente que não há mais possibilidade de sustentar a economia e se “blindar” da crise com o mercado interno. É necessário aumentar o ritmo de investimento em grandes obras de infraestrutura. Por outro lado, há uma grande possibilidade de queda do preço das commodities, o que pode debilitar a economia brasileira, altamente dependente desta conjuntura para manutenção das suas contas em dia. Mas é importante destacar o fortalecimento e crescimento dos oligopólios brasileiros na extração e transformação de minérios e na agroindústria, cada vez mais interconectados com a demanda global e com o capital financeiro.

 No Causa do Povo de 45, de outubro de 2008, afirmávamos que “a crise do capital não resolve a crise de organização do proletariado brasileiro, e sem resolver à segunda, não conseguiremos enfrentar a primeira. Para tanto, quase cinco anos depois de seu inicio, o conjunto da classe trabalhadora está preso às amarras burguesas e reformistas.

Portanto, continua o desafio de romper com o modelo de movimento Social-Democrata. Para isso, é necessário retomar o projeto político da ATI do Século XIX, que continuou em Saint-Imier após a Cisão de 1872. O primeiro passo dessa estratégia internacionalista: a organização de uma Tendência Classista e Internacionalista (TCI), que possa ser o espaço de organização internacional dos trabalhadores na luta contra o Capital.

 
 
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Leia a edição completa deste Causa do Povo AQUI.

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