Greve nacional dos estudantes: Combater o oportunismo para fortalecer a reorganização

*Texto publicado no jornal CAUSA DO POVO nº65 de Agosto/Setembro de 2012

Nos últimos meses os estudantes brasileiros deram importantes passos para a reorganização do movimento estudantil. A greve iniciada pelos servidores das universidades e institutos federais foi seguida de forma quase imediata pela deflagração de greves estudantis em cada curso e em cada universidade do país, chegando a atingir mais de 30 universidades e diversos institutos e escolas federais. As greves estudantis foram deflagradas em assembléias históricas, e em grande parte delas, além do apoio a greve dos trabalhadores da educação, foram reforçadas as reivindicações por mais democracia nas escolas e universidades, pela melhoria na assistência estudantil, pelo fim do repasse de verba pública para o ensino privado.

Em muitas instituições, especialmente algumas escolas e institutos federais, as greves estão em construção, porém, cada vez mais as greves estudantis nas universidades vão perdendo o fôlego que haviam tido no início das mobilizações. Este aspecto já vem sendo utilizado pelo governo como aval para ridicularizar as “mesas de negociação” com o Comando Nacional de Greve dos Estudantes (CNGE), já que o mesmo é incapaz de forçar um novo tom nas negociações. Apesar de muitos fatores estarem agindo para esse sentido, dois aspectos podem explicar melhor o momento:

1) Com a morte política da União Nacional dos Estudantes (UNE), o movimento estudantil não ficou carente apenas de uma “nova direção nacional”, tal como nos faz crer a argumentação unidimensional de certos partidos e correntes parlamentaristas. Antes de qualquer coisa, os estudantes brasileiros estão carentes de fortes organizações de base. A construção do Comando Nacional de Greve Estudantil (CNGE) refletiu essa dificuldade de se construir uma estrutura nacional que, pela falta de organicidade nas bases, foi a cada dia se afastando das mesmas;

2) A direção paragovernista (PSOL e PSTU) é incapaz de levar adiante um enfrentamento real contra o governo. A falta de independência do movimento estudantil frente ao sindical tem levado o CNGE a ficar a reboque da política equivocada do ANDES e da FASUBRA de greve por pressão midiática com o objetivo de sensibilizar parlamentares. Uma greve de súplica, que não visa criar mecanismos de pressão direta sobre o governo, mas que busca terceiros (parlamentares ou a própria opinião pública) para fazê-lo. A regra é “encenar” uma tal radicalização, utilizando-a como mero artefato discursivo.

Apesar da orientação geral parlamentarista, ações importantes foram e estão sendo feitas: ocupações de órgãos públicos (reitorias, direções de colégios), apedrejamento do MEC, manifestações de rua, assembléias históricas. Porém, cada vez mais as práticas corporativistas e pacifistas vão asfixiando a mobilização, impedindo que se de um passo a frente, quer dizer, que a radicalização de estudantes e trabalhadores deixe de ser localizada para se tornar generalizada e coordenada em todo país. Esta é no momento a única forma de quebrar a intransigência do governo quanto às reivindicações estudantis.

Está claro que esta greve vem ensinando muito para os estudantes sobre as lutas. Porém, para que estas experiências ganhem corpo e continuidade é fundamental que pensemos o “antes” e o “depois” da greve, que não caiamos no pragmatismo, pois também sabemos que os problemas da reorganização não serão resolvidos em meses ou a golpes de sorte. Portanto, é necessário que fortifiquemos o movimento das oposições e coletivos de base que vem crescendo nas escolas e universidades brasileiras em torno da Rede Estudantil Classista e Combativa (RECC), dando cada vez mais corpo a essa opção pela luta e não pelo oportunismo eleitoreiro.

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Leia a edição completa deste Causa do Povo AQUI.

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