Eleições 2012: A ultra-degeneração do Reformismo no Brasil.

*Texto publicado no jornal CAUSA DO POVO nº65 de Agosto/Setembro de 2012

“O sufrágio universal é a exibição ao mesmo tempo mais ampla e refinada do charlatanismo político do Estado; um instrumento perigoso, sem dúvida, e que exige uma grande habilidade da parte de quem o utiliza, mas que, se souber servir-se dele, é o meio mais seguro de fazer com que as massas cooperem na edificação de sua própria prisão” Mikhail Bakunin

           A eleição de representantes em nada mudará as condições de vida do povo. O resultado das eleições não afetará o Regime Econômico (liberal), o modelo Econômico (agroindustrial-exportador) e o Estado. Se nas eleições presidenciais já impera este limite, o que dirá as eleições locais. Se no passado, a socialdemocracia acreditava que a tomada do poder político via eleições poderia levar o capitalismo ao socialismo, o mesmo não se pode dizer dos atuais partidos reformistas brasileiros – PT, PCdoB, PCB, PSOL e PSTU –, que se encontram em um rápido processo de ultra-degeneração.

            Estas eleições municipais só confirmam este processo e demonstram na prática que os reformistas nem sequer são viáveis como opção reformista. O PT e PCdoB foram levados ao campo do neoliberalismo e sua política de frente com a burguesia e com os setores militares em prol do desenvolvimento econômico capitalista se fortaleceu. Nada mais sintomático que a articulação de Lula/Maluf para promover a candidatura de Fernando Haddad à prefeitura de São Paulo. Do outro lado, temos os reformistas renovados – PSTU, PCB e PSOL – em busca do resgate das bandeiras originais do PT, mas em rápido processo de degeneração. 

            Os reformistas “renovados” estão muito aquém da socialdemocracia história criticada por Lênin. A ultra-degeneração – PSOL, PCB e PSTU – sequer formou um reformismo como movimento de massas reivindicatório, sequer leva aos trabalhadores um programa classista e socialista e já capitula antes. Nem sequer faz o papel de denúncia das mazelas produzidas pelo capitalismo. Estas eleições municipais confirmam o avanço deste processo, ao realizarem alianças com o governismo, com a burguesia e a pequena-burguesia.

Avança a Ultra-degeneração: o exemplo do PSOL.

             Isso fica evidente quando os principais candidatos do PSOL, por exemplo, saem a buscar alianças com o governismo, como o PT e PCdoB, e com partidos burgueses como PMDB, PSDB, PSD, DEM, PPS, PV etc. Algumas candidaturas são emblemáticas. Na cidade de Belém, o partido se aliou ao PCdoB, tendo este indicado um vice para a chapa de Edmilson Rodrigues, ex-prefeito petista da cidade. Em Macapá não foi diferente, aliou-se aos partidos burgueses PV, PPS, PRTB e PTN. No Rio de Janeiro, talvez sua principal candidatura com Marcelo Freixo, se aliouà pequena-burguesia, representada pelos artistas globais, e a burguesia, ao receber e divulgar – em seu site – apoio da vereadora do PSDB, Andrea Gouvêa Vieira, pertencente a umas das mais importantes famílias da burguesia fluminense, que preside a Federação da Indústria do Estado Rio de Janeiro (FIRJAN).

            Como reflexo desta intensa conciliação de classe, o programa é profundamente rebaixado.  Não há uma política classista para a massa dos trabalhadores, e isso se repete por todo país. No programa do Marcelo Freixo, temos a manutenção do apoio às políticas estaduais, do PT e PMDB, de repressão e criminalização da pobreza através das UPP’s. Mas agora com uma roupagem “social”. Uma política de repressão à semelhança dos Destacamentos de Policiamento Ostensivo (DPO) utilizada por governos anteriores, mas sem apoio da burguesia da cidade. Portanto, não existe uma denúncia contundente ao projeto momentâneo de criação da “zona verde” de segurança durante os mega-eventos que serão realizados no Rio de Janeiro nos próximos anos. No plano da segurança e ordem pública, promete manter a Guarda Municipal, que sistematicamente reprime os camelôs da cidade, só que mais “humanizada”. Sobre Moradia, repete a política petista para o Ministério das Cidades e já se encontra com empresários do setor imobiliário do Rio de Janeiro.

            Por sua vez, o programa do Cyro Garcia, candidato à prefeitura do Rio de Janeiro pelo PSTU, chega ao cúmulo de propor que se unifiquem todas as polícias com a guarda municipal, as transformando em uma Polícia Unificada. O partido propõe um programa mais rebaixado que a ONU. Esses exemplos nos mostram o quadro de ultra-degeneração do reformismo renovado e demonstram que o reformismo brasileiro sequer apresenta uma opção classista e socialista aos trabalhadores do campo e da cidade. Fazendo justiça a social-democracia do inicio do século XX, os partidos reformistas de hoje transformam a degenerada social-democracia europeia numa força quase revolucionária.

Votar: a Negação da “Capacidade Política da Classe Trabalhadora”

            A eleição de representantes não representa avanços e a luta dos trabalhadores não está relacionada a pedir votos ou votar, mas adquirir experiência, na luta, e construir as condições necessárias para a formação de um contra poder, ou seja, construir a política dos trabalhadores em oposição à política burguesa.

            O reformismo com sua pauta rebaixada é incapaz de fazer aquilo que se propõe no discurso, ou seja, de apresentar uma proposta classista alternativa para as massas. Mais do que nunca, o Boicote às eleições é a negação da participação no jogo sujo da democracia liberal burguesa, como tem sido cada vez mais evidenciado pelos chamados “mensalões” do PSDB, PT e DEM, que envolvem até parlamentares do PSOL.  

            A participação eleitoral é a profunda negação da capacidade política da classe trabalhadora, que ao invés de construir a política dos trabalhadores e destruir o atual sistema de dominação e exploração, contribui para fortalecer sua própria prisão. O Estado e o Capital.

Não Vote, Lute!

 

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Leia a edição completa deste Causa do Povo AQUI.

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