Norte da África e a nova divisão colonial entre China, Rússia, EUA e União Europeia

*Texto publicado no jornal CAUSA DO POVO nº65 de Agosto/Setembro de 2012

Os efeitos da crise econômica mundial no norte continente africano, periferia do capital, potencializou as desigualdades sociais através da superexploração do trabalho, aumento do desemprego, alta no preço dos alimentos e bens de consumo. Tais efeitos foram o combustível que impulsionou o povo às ruas na luta pelas bandeiras históricas da liberdade e igualdade.

Porém para China, Rússia, EUA e União Europeia surgiu a necessidade de manutenção do domínio econômico que cada um possui sobre o Norte da África. Também surgiu a possibilidade de expansão territorial do domínio através de apoio e articulação direta com setores militares e das burguesias nacionais. Esses setores manipularam e direcionaram o povo rumo a construção de outros governos cúmplices da exploração imperialista.

A disputa internacional que ecoa na ONU não se trata de uma simples disputa de posições políticas sobre questão humanitária, pois o que está em jogo para as potências é a manutenção e o aumento do acumulo de capitais extraídos da África.

Para China existe a necessidade de garantir os onze por cento das exportações de petróleo Líbio que são canalizadas para o país e a possibilidade de recuperar totalmente a China National Petroleum Corp (CNPC) que foi repatriada na Líbia, aumentando sua influência nessa região do continente africano rica em petróleo e minério.

Para a Rússia existe a necessidade de manter os clientes que alimentam sua indústria bélica e, a partir do apoio à China, ampliar seus negócios. A Rússia tem desenvolvido contatos no campo da exportação de armas com a Arábia Saudita, Egito, Líbia, Iêmen, Marrocos, Kuwait e Qatar.

Para União Europeia, apesar das disputas internas causadas pelas intenções norte-americanas, existe em geral a necessidade de manter seu velho domínio colonial que suga o continente africano por séculos. Ainda existe a possibilidade de recuperar espaços perdidos, principalmente para China e outros países de economia emergente como o Brasil.

Para os EUA existem a necessidade de garantir a continuidade de exploração através de empresas como a Exxon Mobil, Chevron, Maraton Oil, Amerada Hess e Ocean Energy que operam em solo africano. Está dada a possibilidade histórica de refazer a divisão colonial da África imposta pela Conferência de Berlim de 1884 quando os EUA não eram a grande potência imperialista. Porém, desde o início da era Bush, o governo norte-americano já indicava a África como uma alternativa para adiar a possível crise de combustíveis. Em um relatório de dezembro de 2001, do Conselho Nacional de Inteligência dos Estados Unidos, intitulado “Tendências Globais para 2015”, prevê-se que em 2015, um quarto das importações de petróleo dos Estados Unidos teria que vir da África e numa entrevista publicada em 2003, na revista Ásia Times Online, Michael Klare (ex-analista de segurança dos EUA), ao ser indagado onde poderia surgir o próximo conflito por causa do petróleo após o Iraque, ele respondeu: “Acho que na África, a situação lá está se tornando quente”.

A intervenção imperialista no Norte da África não se trata de garantir os direitos humanos, mas sim da exigência de controle e expansão sob as regiões onde existem ricas reservas de matéria-prima. Trata-se de reservas de capitais para conter a crise no centro explorando ainda mais a periferia do sistema capitalista.

Como podemos ver, o Norte da África pós “Primavera Árabe” não se converteu uma espaço mais democrático. Isso porque sem uma teoria concreta para se aplicar na realidade, sem um programa revolucionário serio e sem um partido anarquista revolucionário para preparar a luta armada o povo sempre acabara domesticado pela burguesia ou pelo o oportunismo reformista da esquerda.

 Viva a Luta do Povo Árabe contra à Burguesia, o Imperialismo e o Estado!

 

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Leia a edição completa deste Causa do Povo AQUI.

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