Algumas lições de SUAPE

No último dia 8 de agosto, os operários do Complexo Industrial de SUAPE, obra do PAC realizada em Ipojuca, Pernambuco, protagonizaram uma revolta contra seus patrões e também contra a direção do Sindicato dos Trabalhadores das Indústrias de Construção de Estradas, Pavimentação e Obras de Terraplanagem no Estado de Pernambuco — Sintepav-PE — filiado à Força Sindical.

A revolta contra os patrões iniciou-se no dia 1º de agosto com uma greve deflagrada espontaneamente (sem a indicação do sindicato) contra as precárias condições de segurança, higiene e saúde à que estão submetidos os trabalhadores e pelo pagamento do adicional de periculosidade, direito dos operários que vinha sendo negado pelo patronato.

No dia 07/08, o TST arbitrou que a greve era ilegal e determinou o desconto dos dias parados, o que não impediu a continuidade do movimento, sendo convocada uma assembleia para o dia seguinte (08/08).

Porém, a direção do Sintepav-PE, numa atitude de sabotagem, impediu a realização da assembleia e desqualificou a mobilização, afirmando que a mesma seria ilegítima, por não ser de orientação do sindicato. Em resposta à ação pelega, os trabalhadores apedrejaram os diretores sindicais que tentavam desmobilizar a massa operária no canteiro de obras e, quando reprimidos pela polícia local, incendiaram quatro ônibus em protesto.

Trabalhadores afirmavam que o sindicato estava comprado, devido aos acordos espúrios que a direção do mesmo havia firmado com o patronato dias antes sem consultar as bases. A imprensa corporativa rapidamente deu voz ao presidente da refinaria Abreu e Lima, uma das principais obras do complexo e do PAC, que afirmava serem as manifestações operárias um caso de “crise de liderança sindical”.

Após a revolta, o Sintepav-PE retomou as negociações com os patrões, refazendo o acordo coletivo e dando fim a greve no dia 16/08. Contudo, já no dia 20 as empresas que atuam na construção do complexo – Odebrecht, OAS, IESA, Queiroz Galvão, Engevix, etc. – demitiam centenas de trabalhadores com a colaboração do Sintepav-PE, a quem coube a homologação das mesmas quando as julgava “legais”.

O caso da revolta de SUAPE demonstra como as instituições burguesas operam de forma coordenada para derrotar os trabalhadores nos momentos de acirramento da luta de classes. Quando a ação espontânea dos trabalhadores consegue romper os limites do sindicalismo de Estado e superar as direções pelegas é a “força da lei” que obriga os operários a retornarem à sujeição aos pelegos. O que mostra que a luta pela autonomia do movimento sindical, expurgando a tutela estatal, é fundamental para garantir até mesmo as conquistas econômicas mais básicas.

Pouco antes da assembleia, houve confronto entre os grevistas e a polícia.- outubro/2012

Pouco antes da assembleia, houve confronto entre os grevistas e a polícia.- outubro/2012

Apesar da retaliação patronal, cerca de dois meses após a revolta de SUAPE, em 1º de outubro, operários da Odebrecht do mesmo complexo entraram novamente em greve, mais uma vez de forma independente da direção do Sintepav-PE, pois ainda não haviam recebido o adicional de periculosidade.

Neste momento, podemos retomar o ensinamento do revolucionário Bakunin, ao dizer: “há no povo uma força elementar, mas essa precisa ser amparada por uma organização que permita mais do que a sublevação por si só”. Assim, “o problema não é saber se o povo pode se sublevar, mas se é capaz de construir uma organização que lhe dê os meios de se chegar a um fim vitorioso – não por uma vitória fortuita, mas por um triunfo prolongado e derradeiro”.

A principal lição da Revolta de SUAPE é a necessidade urgente de construção de organizações capazes de garantir a vitória sobre nossos inimigos de classe.

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Artigo publicado no Causa do Povo nº66. Leia a edição completa CLICANDO AQUI.

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