As greves dos bancários e dos trabalhadores dos Correios: o governismo e a atualização do sindicalismo de resultados

Depois da greve nacional dos servidores públicos federais, os bancários e os trabalhadores dos Correios deflagraram greves nacionais no mês de setembro. Essas duas categorias são fortes, com experiência de lutas combativas, entretanto, as direções burocráticas e governistas impõem o predomínio do corporativismo e do sindicalismo de resultados.

1. A greve dos trabalhadores dos Correiros

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Assembleia dos trabalhadores dos Correios/PR

Os trabalhadores dos Correios estão nacionalmente organizados pela Federação Nacional dos Trabalhadores em Empresas de Correios e Telégrafos (Fentect), filiada à CUT e dirigida pelo PCO. A CTB/PCdoB organizou uma dissidência chamada de Sindicatos Unidos, formada pelos sindicatos do Rio de Janeiro, São Paulo, Tocantins e Bauru. Assim, a greve nacional deflagrada no dia 18 de setembro ocorreu nesse contexto de disputa entre os setores governistas do movimento sindical: Fentect/CUT/PCO e Sindicatos Unidos/CTB/PCdoB.

O bloco cutista reivindicava 43,7% de reajuste, R$ 200 de aumento linear e piso salarial d

e R$ 2,5 mil. Por sua vez, o bloco dissidente reivindicava 5,2% de reposição, 5% de aumento real e reajuste linear de R$ 100. Diante da contraproposta de 5,2% feita pela Empresa Brasileira dos Correios, o dissídio foi decidido pelo TST: reajuste de 6,5% para salários e benefícios, retroativo a agosto. A greve foi suspensa no dia 29 de setembro.

A direção da Fentect considerou o resultado insuficiente e acusou os dissidentes de divisionistas. Porém, dirigiu a greve de forma burocrática sem apontar para a radicalização. O bloco CTB/PCdoB considerou a greve uma vitória, tentativa de se fortalecer atualizando o “sindicalismo de resultados”.

2. A greve dos bancários

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Assembleia dos bancários/DF

A greve nacional dos bancários também foi deflagrada no dia 18 de setembro, tendo como direção nacional a Contraf/CUT. As reivindicações eram: reajuste de 10,25% nos salários, participação nos resultados equivalente a três salários mais R$ 4.961,25 fixos, piso salarial de R$ 2.416,38, criação do 13º auxílio-refeição e aumento dos benefícios para R$ 622,00.

Como se vê, trata-se de uma pauta muito rebaixada. A burguesia do setor financeiro tem lucros recordes ano após ano na Era Lula e também no Governo Dilma, mas mantém os salários rebaixados, ampliando a exploração sobre os trabalhadores.

A proposta feita pela Federação Nacional dos Bancos (Fenaban) foi aceita pela Contraf/CUT. Ela consistia em 7,5% de reajuste, aumento de 8,5% no piso salarial, bem como nos auxílios-refeição e alimentação, e aumento de 10% na parcela fixa da PLR. Nas propostas dos bancos públicos (Caixa e BB), não foi estendido o aumento de 8,5% no piso, mas mesmo assim a confederação cutista encaminhou a aceitação da proposta.

A análise das greves dos trabalhadores dos correios e dos bancários mostra que o bloco governista CUT/CTB procuram reeditar o “sindicalismo de resultados” para manter sua legitimidade e hegemonia no interior do movimento sindical. A ruptura com esse sindicalismo colaboracionista é fundamental para a construção de um sindicalismo revolucionário.

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Artigo publicado no Causa do Povo nº66. Leia a edição completa CLICANDO AQUI.

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