Movimento Estudantil: Vitórias da Política de Oposição

A UNIPA em outros documentos¹ já havia analisado a situação do movimento de massas no Brasil, apontando que os revolucionários na atual conjuntura deveriam ter como o centro de sua política a disputa da direção do movimento local. Tendo em vista que a disputa da direção nacional perpassa por um acúmulo de forças nas bases do movimento proletário e na solidificação da organização anarquista a nível nacional, um processo que ainda não está dado.

Dentro do movimento estudantil as direções nacionais estão tomadas pelo governismo (UNE) e o para-governismo (ANEL). A RECC se confirma como uma das únicas propostas alternativas a este quadro, se apresentando não como uma nova entidade representativa dos estudantes, mas como um espaço de articulação de coletivos e oposições combativas que se organizam independente da UNE, combatendo seus métodos e seu patrão: o Governo Federal.

A RECC foi construída a partir da política de oposição. O que significa isso? Tendo em vista o controle do Governo Lula e Dilma sobre o movimento estudantil e os métodos deploráveis dos partidos da esquerda eleitoreira muito visíveis durante as eleições para grêmios, CA’s e DCE’s. A RECC pontuou que o central não está na conquista do aparato (vitória eleitoral) dessas entidades sejam nacionais ou locais, e sim na reorganização de luta concretas dos estudantes através de coletivos e oposições independentes articulados nacionalmente.

Isso não significou abstenção de processos eleitorais em CA’s, DCE’s e Grêmios, mas numa prática diferenciada, que se pautou criação de coletivos permanentes, na atuação qualificada nos Movimentos de Curso e dentro das eleições do ME: na defesa intransigente do programa classista de reivindicações e na política de alianças anti-governistas. Ao contrário do que os oportunistas previram, a política séria e o trabalho de base desenvolvido pelos coletivos da RECC, vem trazendo as vitórias locais do qual falamos no primeiro parágrafo.

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Estudantes do CEF 04 no dia da fundação do Grêmio Edson Luís

Hoje a política de oposição da Rede se materializa não em um isolamento dos estudantes, mas precisamente em vitórias nos centros acadêmicos e nos grêmios estudantis. O ano de 2012 é emblemático para demonstrar a questão. No movimento secundarista do DF a RECC desenvolveu o GT Secundarista que teve por objetivo articular e fortalecer as lutas nas escolas, resultando na vitória da chapa “Ação Direta Estudantil” sobre uma chapa da UJS na Escola Técnica de Brasília – em Taguatinga, e no CEF-04 (Centro de Ensino Fundamental) de Planaltina, a chapa “Carlos Marighella” tomou posse com 573 votos.

No movimento estudantil universitário podemos citar a vitória da Chapa “Rompendo Velhas Idéias”, que após 2 anos de trabalho de base desenvolvido pelo Coletivo Luta Sociais, resultou na vitória para o Centro Acadêmico de Sociologia da UnB. No Ceará a vitória da Chapa “Pedagogia pela Base” na UFC, revela o respaldo que o Coletivo Pedagogia em Luta da RECC adquiriu a partir da defesa da política correta e combativa dentro do movimento de Curso.

Tais experiências não devem cair num ufanismo da “vitória” como visto em partidos da esquerda reformista. Devemos extrair os ensinamentos que nos demonstram que é possível avançar na conjuntura atual sem capitular na política combativa, sem ceder “a pressão das alianças táticas” indiscriminadas que visam apenas o aparato. É preciso intensificar esta luta nas bases fortalecendo os coletivos de base, unificar tais grêmios, CA’s, em lutas conjuntas e torná-los exemplo para a reorganização do movimento estudantil classista e combativo no Brasil.

Organizar em cada escola o poder estudantil-proletário!

Por uma educação a serviço do Povo!

Nota:

[1] A política revolucionária e a pequena política burguesa e reformista: Balanço anarquista das eleições 2010 no Brasil e o cenário para os próximos anos, em Via Combativa N°2

* * *

Artigo publicado no Causa do Povo nº66. Leia a edição completa CLICANDO AQUI.

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