Onde há fumaça há especulação imobiliária

Um clarão acorda o povo na fa1vela. Não é o sol anunciando mais um dia de trabalho e sim os barracos em combustão. Desde 2008 mais de 600 incêndios atingiram o estado de São Paulo. Em meio a todas as mazelas já impostas ao povo pobre que reside com precárias condições de vida, há agora mais um problema para enfrentar, pois podem dormir e terminar carbonizados.

Incêndios que aparentam ser de origem criminosa, atormentam a vida e a memória de milhares de famílias. Para dar cabo ao problema, Marta Suplicy em sua gestão de 2001 a 2005 criou o programa de segurança contra incêndios. Se existiu ou não essa é mais uma questão em discussão, pois há relatos de que tal programa não passava de apenas um projeto-piloto em parceria com o Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT) na favela Dalva, localizada na zona oeste de São Paulo.

Parte desses incêndios ocorrem em regiões extremamente valorizadas do ponto de vista do setor imobiliário da cidade. Marginal Pinheiros, Jacu Pêssego, Rodovia Ayrton Senna e região do aeroporto de Congonhas são algumas das áreas urbanas que mais interessam à especulação imobiliária. Nelas estão localizados condomínios, hotéis, shoppings, estações de trem e metrô, sendo as áreas das favelas objetos de desejos dos empreendimentos dos empresários da construção civil. Uma verdadeira higienização social é o que de fato parece ocorrer nas áreas tão cobiçadas pelos tubarões do setor imobiliário.

Em abril deste ano a Câmara de São Paulo instaurou uma Comissão Parlamentar de Inquérito – CPI a fim de investigar as causas dos incêndios. Tal comissão mostrou-se um fiasco, pois em nada ajudou para solucionar o problema. E os incêndios continuaram a ocorrer. Por falta de quórum, várias vezes as reuniões foram canceladas. Desde sua instauração os vereadores se reuniram apenas quatro vezes até agora.

Enquanto que na CPI o vereador Toninho Paiva (PR) insinuou que os próprios moradores incendiavam suas casas com o intuito de receber o auxilio aluguel de R$ 350, uma empresa de terraplanagem começara, em apenas dois dias após o fogo, a destruir parte dos barracos na favela do Moinho localizada no centro da cidade de São Paulo, as obras para a construção de um estacionamento no terreno que antes era ocupado por moradores da favela, o terreno da Ceagesp que foi cedido ao setor privado para evitar assim a ocupação dos moradores.

Em meio às brigas de palitos e canetas, as chamas ardiam expressivamente, elevando os termômetros nas favelas. E o que fica esquecido entre as cinzas do tempo é a ação investigativa que se arrasta e se agiganta em termos de inutilidade burocrática.

Não devemos ter a ilusão de que essa CPI fracassada possa investigar a fundo os casos de incêndios ocorridos em São Paulo, os interesses são diversos e a especulação imobiliária aponta mais focos futuros. O que se pode afirmar é que numa sociedade produtora de mercadorias, as canetas de quem governam e dos que possuem a riqueza assinam os mesmos papeis.

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Artigo publicado no Causa do Povo nº66. Leia a edição completa CLICANDO AQUI.

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