Seca nos Estados Unidos eleva preços de alimentos e provoca corrida expansionista do agronegócio brasileiro

Nos EUA, ocorreu uma das maiores secas desde 1988, prejudicando as lavouras de soja e milho, atingindo principalmente o Meio Oeste nos meses de junho, julho e agosto deste ano. Os EUA é hoje o principal produtor destes dois grãos, produzindo apenas de soja 87 milhões de toneladas e exportando 36 milhões. Porém, segundo Glauber Silveira, presidente da Aprosoja, com a seca nos EUA a previsão de safra do grão é ter uma quebra de aproximadamente 20%. Com a baixa na produção os preços dos alimentos, especialmente da soja e do milho, tem disparado mundialmente.

No Brasil, no entanto, para a burguesia rural não existe motivos para tristeza. Com a alta dos preços, o latifundiários se preparam para plantar a maior safra de soja de todos os tempos. Ainda, segundo Silveira, a produção brasileira de soja deve crescer cerca de 14%, passando de 66,3 milhões de toneladas na safra 2011/2012 para 83 milhões de toneladas na que se inicia.

A elevação dos preços dos alimentos e a expansão do agronegócio

Pelo fato do milho e da soja serem a base de diversos outros alimentos, tais como seus derivados (óleo, margarina, tortillas etc.) e da produção de suínos e frangos da qual servem de ração, todos estes serão afetados pela alta dos preços. No ano de 2007/2008, uma crise alimentar baseada na alta do preço do petróleo, no clima adverso etc., causou uma disparada no preço dos alimentos, gerando protestos em diversos países como o Egito, Camarões e Haiti.

Nos próximos anos, EUA e Brasil devem disputar a liderança internacional na produção de soja, com uma forte possibilidade de “vitória” brasileira, já que segundo os próprios ideólogos e organizações do agronegócio ainda “existem muitas áreas a serem ocupadas no Brasil” através da expansão da fronteira agrícola e dos incentivos governamentais. A atual reforma no Código Ambiental oferece ainda maiores condições para essa expansão do latifúndio.

Comunidades indígenas fazem protesto contra a decisão da Justiça Federal do MS e os fazendeiros que os atacam

Comunidades indígenas fazem protesto contra a decisão da Justiça Federal do MS e os fazendeiros que os atacam

Os impactos da situação internacional já podem ser verificados. O desmatamento da Amazônia Legal atingiu em agosto o maior nível desde julho de 2009. Há dois meses, o pico do desmatamento atingiu a marca de 522 Km², um aumento de 220% em relação a agosto de 2011. Os conflitos entre latifundiários e indígenas também podem se aprofundar nos próximos meses.

No atual momento, um clima de euforia “nacional” do agronegócio e da economia brasileira podem ofuscar os efeitos nefastos de mais uma ofensiva do capital sobre os trabalhadores e o meio ambiente. O discurso nacional desenvolvimentista combinado às condições internacionais favoráveis aprofundará ainda mais a exploração dos trabalhadores via expansão do agronegócio, além de sacrificar os pobres urbanos através da elevação dos preços dos alimentos. Isto nos coloca mais do que nunca a problemática de enfrentar o conflito campo-cidade no interior do avanço do capitalismo através da aliança operário-camponesa/indígena.

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Artigo publicado no Causa do Povo nº66. Leia a edição completa CLICANDO AQUI.

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