O DESPEJO DA ALDEIA MARACANÃ E A VIOLÊNCIA DO ESTADO CONTRA OS TRABALHADORES: É PRECISO RESISTIR!

Desocupação da Aldei Maracanã

Na última sexta feira, dia 22 de março de 2013, a polícia militar do Rio de Janeiro invadiu a Aldeia Maracanã, localizada no Antigo Museu do Índio, expulsando violentamente os indígenas que lá moravam desde 2004 e reivindicavam a criação de um centro de cultura indígena no local.

A ação truculenta da polícia era previsível, em virtude do conflito criado pelo Governador Sérgio Cabral, quando “comprou” do governo federal o prédio, que por direito de posse já pertencia aos índios, para derrubar e construir um estacionamento que serviria ao estádio do Maracanã, previamente doado ao megaespeculador Eike Batista. Desde o dia 15 de março tal invasão estava oficialmente anunciada, pois a “justiça” burguesa deslegitimou o direito de posse dos índios em favor do Governador Cabral. Neste espaço de uma semana vários apoiadores tidos como importantes, tais como parlamentares, políticos profissionais e burocratas do Estado, foram inúteis para a luta que desde o início demandou métodos classistas.

A invasão policial teve início ainda na madrugada do dia 22, com o cerco do prédio e ameaças aos moradores. Muitos desses moradores, amedrontados, saíram sem oferecer resistência já nas primeiras horas da manhã. Porém, parte deles resistiu às ameaças e permaneceu na Aldeia na esperança de que aparecesse alguém ou algum fato novo que impedisse a violação de seu direito pelo Estado.

Contudo, somente apareceram, por um lado, os parlamentares, representantes de partidos eleitoreiros e outros agentes do Estado com o objetivo de “mediar” o conflito, e não tomar o partido da causa justa dos indígenas, e por outro uns poucos apoiadores, como sempre muito desorganizados, que, embora viessem com disposição para a resistência, tentavam se contrapor a força coesa da repressão de forma individualizada e portanto, ineficaz.

Não tendo nada que impedisse de fato sua ação truculenta padrão, a polícia fez aquilo que é treinada e paga para fazer: agiu violentamente contra os ocupantes, que já se preparavam para sair, violentando inclusive crianças, idosos, mulheres grávidas, parlamentares, defensores públicos e quem mais estivesse no caminho dos interesses do Capital.

O caso do despejo violento da Aldeia Maracanã já tinha sido projetado por nossos militantes e por outros lutadores que acompanhavam os indígenas. Diversas vezes buscamos alertar sobre a necessidade de organizar através da ação direta a resistência a uma invasão violenta da polícia. Mas algumas ilusões travavam essa possibilidade:

A ilusão na espetacularização da luta, por exemplo, levou alguns ocupantes a uma aposta extremamente equivocada de concentrar esforços em conseguir apoio midiático. Como se os interesses da mídia corporativa não fossem os mesmos que os do Governador Cabral e do megaespeculador Eike Batista. E como se apoio midiático, que até se obteve de alguns artistas progressistas, fosse por si só impedir qualquer ação do Estado.

Também foram preponderantes o basismo e o espontaneísmo por parte dos ativistas e apoiadores combativos, que mesmo identificando os problemas da espetacularização e dos apelos aos parlamentares e dirigentes do Estado, se abstiveram de construir a resistência com métodos classistas e se submeteram aos vícios políticos do que chamaram de “lideranças locais”. Por mais valora que seja a resistência individual e coletiva, quando ela não está inserida dentro da luta de classes organizada por uma estratégia, ela se esvai sem deixar maiores ganhos. Nesse sentido não basta resistir, é preciso levar a resistência como parte da linha das organizações e colocar como tarefa cotidiana das organizações sindicais, coletivos e demais associações de luta dos trabalhadores.

Em nossa avaliação, a única possibilidade de garantir a posse da Aldeia Maracanã estaria na resistência prolongada através da ação direta, organizada previamente para tal. Ainda que claramente as forças da resistência estivessem abaixo das forças da repressão, a desorganização crônica e a descrença na luta minaram ainda mais o poder da resistência, não permitindo a criação de um impasse político significativo e, sendo assim, não permitindo nem se vislumbrar a possibilidade de vitória. Seria possível fazer muito mais. Mas a promessa de que uma ação judicial ou audiência publica resolveriam o problema, minaram o processo organizativo nesse sentido.

Assim, chegou-se ao resultado esperado das táticas de “luta” pacifista/legalista, por um lado, e espontaneísta, por outro: a violência organizada da polícia sendo seguida pela capitulação covarde dos legalistas e pelo desespero e martirização dos militantes desorganizados. E, como já virou regra, os objetivos das forças de repressão foram alcançados integralmente.

Uma derrota como essa, é uma derrota de nossa classe como um todo e não apenas dos membros da Aldeia. A crítica que colocamos tanto ao pacifismo e ao legalismo quanto ao basismo e ao espontaneísmo tem a intenção de armar os ativistas e militantes para as muitas lutas que virão por aí. Na “fila” para sofrer investidas da polícia já podemos considerar as ocupações urbanas na região do centro do Rio, como, por exemplo, a ocupação Quilombo das Guerreiras, ao lado da Rodoviária Novo Rio. Além das comunidades que já estão sofrendo com a violência sistemática das UPPs e esboçam sinais de resistência como vimos atualmente em Manguinhos, onde os moradores enfrentaram os desmandos e o cerceamento das liberdades imposto pela “ditadura militar nas favelas” de Cabral.

Nós da UNIPA, entendemos como fundamental que os ativistas e militantes de nossa classe percebam o quanto antes a necessidade de retomar os métodos classistas de luta e organização, pois disso dependem as nossas vitórias sobre a burguesia e a possibilidade de frear seus ataques aos trabalhadores.

Muitos já compreendem que é preciso lutar, mas não basta a disposição para lutar é preciso a vontade de vencer o nosso inimigo de classe e é possível vencer! Para isso temos que rejeitar as ilusões dos métodos de luta estranhos à classe trabalhadora e saber preparar corretamente a resistência através das organizações de trabalhadores. Não podemos mais ter como único resultado de nossas lutas as denúncias dos abusos e a martirização.

Nesse sentido saudamos a resistência, e principalmente a ação de solidariedade. Há muito tempo uma manifestação de solidariedade não colocava na pauta as formas de luta. Mas dizemos: é preciso dar a resistência um caráter orgânico, ampliando sua dimensão, táticas e formas de ação. Mas para isso é preciso aplicar uma linha classista e internacionalista no movimento em seu conjunto, combatendo o oportunismo e reformismo.

PELO RETORNO IMEDIATO DA ALDEIA MARACANÃ AO ANTIGO MUSEU DO ÍNDIO!

PELA AÇÃO DIRETA CONTRA O ESTADO E O CAPITAL!

OUSAR LUTAR! OUSAR VENCER!

Anúncios
Galeria | Esse post foi publicado em Uncategorized. Bookmark o link permanente.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s