10 anos de Luta Sindical e Estudantil

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O ano de 2002 marcou o processo de degeneração completa das maiores organizações da classe trabalhadora brasileira, o PT e a CUT. A ascensão de Lula a presidência da república, foi acompanhada pela integração do sindicalismo aos aparatos do Estado Burguês. A transformação dos Movimentos Populares em correias de transmissão do Governo (o fenômeno do governismo) levou a um processo de questionamento cada vez maior entre parcelas da classe trabalhadora.

As reformas neoliberais (trabalhista, universitária e previdenciária) anunciadas em 2003 pelo Governo Lula, foram seguidas por uma série de mobilizações que culminaram com a ruptura com a CUT e na criação de outro agrupamento sindical, a Conlutas (Coordenação Nacional de Lutas) em 2004.

Fundada em 2003, em meio a esta difícil realidade, a UNIPA analisava na época que não se podia separar “a luta da organização”. Dessa forma afirmava que para se realizar a luta contra os ajustes neoliberais era necessária a ruptura com as organizações que estavam integrada ao Estado, como a CUT, a UNE e o MST, e a construção de alternativas.

O PSTU capitaneou a proposta de ruptura, se conformando na direção majoritária da Conlutas. Apesar disso, muitas outras organizações e grupos revolucionários, dentre eles a UNIPA, se uniram ao chamado para a criação deste campo “antigovernista” no movimento dos trabalhadores. A Conlutas propunha, além disso, a unificação do movimento sindical, popular e estudantil em uma única Central, o que era um avanço em contraposição ao modelo reformista de sindicalismo hegemonizado pelo PT que previa entidades diferenciadas para cada setor da classe.

O combate ao Sindicalismo de Estado

Em 2005, a UNIPA caracterizava o setor antigovernista em 3 campos: 1) Oportunistas de Direita; 2) Oportunistas de Esquerda e 3) Revolucionários. Os primeiros, que não rompiam de fato com os governistas, se materializavam no PSOL com suas correntes internas ainda na CUT, na UNE, mais tarde na Intersindical, e outras na Conlutas. Os segundos formavam o setor majoritário da Conlutas, o PSTU, que apesar do discurso radical reproduzia métodos reformistas de organização. Por fim, os revolucionários que se encontravam organizados na Conlutas, mas não possuíam capacidade naquele momento de influenciar os acontecimentos de forma mais decisiva.

Diante desse quadro a linha de massas da UNIPA foi a de construir a frente antigovernista com dois propósitos centrais: a) expandir a Organização Anarquista a partir das lutas desenvolvidas pela entidade nacional; e b) explorar a contradição Reforma x Revolução no interior da Conlutas, construindo um bloco entre organizações políticas revolucionárias para combater o rebaixamento das reivindicações, o modelo do Sindicalismo de Estado e defender a ação direta dos trabalhadores.

Entre 2007 e 2009 o que se percebeu foi à aproximação cada vez maior entre o oportunismo de esquerda ao oportunismo de direita, confirmando o que havíamos previsto em 2004 (no comunicado “A Crise do governismo e a estratégia da ação direta”) e conformando o que denominamos de campo “paragovernista”. A Conlutas, sob o manto da “unidade de ação”, passou a realizar frentes e chapas conjuntas com a Intersindical e com os próprios governistas (CUT e CTB) para vencer eleições sindicais e organizar marchas. Além disso, os paragovernistas já saudava como uma vitória a legalização das centrais no Ministério do Trabalho “como uma reivindicação histórica da classe trabalhadora”, demonstrando sua capitulação cada vez maior ao modelo sindical reformista.

Em 2010 foi realizado o CONCLAT (Congresso da Classe Trabalhadora), que realizaria a fusão entre a Conlutas e a Intersindical, mas este apenas representou o aprofundamento desta política reformista no seio da agora chamada CSP-Conlutas. A aprovação da diminuição da participação dos movimentos populares e estudantis, paralelamente a aceitação entusiástica dos sindicatos policiais, o apoio a candidaturas de “parlamentares da esquerda” e a falta de democracia interna foram os resultados deste processo. A liquidação da Conlutas e frustada fusão são expressões da do fracasso da política paragovernista.

A UNIPA interveio no CONCLAT e construiu a Plenária dos Movimentos de Oposição, juntando mais de 50 sindicalistas e estudantes, delimitando a construção de um Fórum de Oposições Sindicais e Estudantis. Essa plenária foi resultado da expansão da própria organização anarquista e a construção do bloco combativo no interior da Conlutas, revelando que seus 2 propósitos iniciais foram cumpridos. Desde então o trabalho vem se concentrando na construção orgânica de oposições sindicais localizadas com o objetivo de acumular forças para, a partir das condições objetivas, realizar um salto qualitativo.

O ressurgir do Movimento Estudantil Combativo

No movimento estudantil a UNIPA se empenhou desde 2003 na construção da Ação Direta Estudantil – ADE, corrente de caráter local, que teve atuação em Grêmios Estudantis de bairros periféricos e em universidades públicas do estado Rio de Janeiro até 2009. Este foi também o período de existência da Coordenação Nacional de Lutas Estudantis (Conlute), organização que rompeu com a UNE em 2004 e foi também dirigida pelo PSTU.

Por sua direção e organização, o processo de capitulação da Conlute se deu conjuntamente ao da Conlutas. As alianças da coordenação estudantil com a Esquerda da UNE (FOE) marcaram um processo de burocratização sob a prática do “consenso” (uma política de cúpula entre correntes do PSOL e o PSTU). Tais acordos culminaram na participação da Conlute a partir de 2007 em atividades do calendário da UNE e da composição de chapas conjuntas que se abstinham da crítica a entidade governista.

A UNIPA condenou esta deformação da estratégia antigovernista no Movimento Estudantil, pautando a reorganização na construção de oposições e coletivos de base. Ao lado disso defendeu a filiação das organizações estudantis diretamente a Conlutas, o que no DF rendeu a construção do bloco combativo entre diversas organizações sindicais e estudantis o que colocou a hegemonia dos reformistas em sério risco.

O aprofundamento das propostas dos paragovernistas levaram a dissolução da Conlute e a fundação da ANEL (Assembleia Nacional dos Estudantes Livre) entidade criada para abarcar a Esquerda da UNE/PSOL e da necessidade da redução da participação estudantil na Conlutas.

Em 2009, a partir do crescimento orgânico da UNIPA e da conjuntura de degeneração dos setores da Conlute, foi construída uma plenária paralela no CNE (Congresso Nacional de Estudantes) que deu origem a RECC (Rede Estudantil Classista e Combativa), organização que hoje agremia estudantes em mais de 6 estados brasileiros sob os métodos da ação direta e o princípio do classismo.

A linha classista e combativa

A nossa linha sindical e estudantil foi construída pela orientação teórica e pela prática de luta. A teoria delimitou o foco geral: o antiestatismo materializava-se no antigovernismo, na obrigação de politizar as lutas econômicas e adotar um sindicalismo do tipo AIT. A prática mostrou as dificuldades de transformar essa linha em orientações concretas para categorias particulares em situações particulares. Cometemos erros, tentamos formulas que não deram certo. Mas não desistimos. Encontramos meios que resolvessem as falhas anteriores.

Essa prática, dentro da frente antigovernista, de tomar parte nas lutas (greves, ações de rua, campanhas) permitiu que sempre dialogássemos com as bases, nas assembleias, congressos e locais de trabalho e em razão da nossa intransigência e coerência nas lutas econômicas, acumulássemos um capital político. Essa prática permitiu também que a nossa linha fosse sendo experimentadas por meio de ações e posições ante problemas concretos das diferentes categorias. Isso criou condições para aglutinar mais militantes em torno da criação de oposições de base.

Ao contrário de linha de denunciar no discurso, mas se igualar na prática, nós conseguimos mesmo em condições minoritárias e adversas ter uma prática alternativa e não cair no isolamento. É uma linha que não se apresenta ainda plenamente acabada. Mas ela já tem, por seu caráter negativo, uma plataforma de ação que permitirá seu desenvolvimento na próxima etapa.

A dissolução da frente antigovernista (pela capitulação do oportunismo de direita e de esquerda na política governista e do bloco no poder) coloca outras tarefas. A principal é a de construir uma tendência classista e internacionalista na luta dos trabalhadores, que possa organizar os trabalhadores na base para as lutas reivindicativas e colocar um novo projeto política para a classe trabalhadora.

Rumo a uma Tendência Classista e Internacionalista!

Artigo publicado no Causa do Povo nº67. Leia a edição completa CLICANDO AQUI.

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