Desenvolvimentismo, colonialismo interno e resistência indígena

terena_resistência

Resistência Terena

O assassinato de Oziel Gabriel e o atentado contra seu irmão Josiel Gabriel no Mato Grosso do Sul em maio/junho de 2013 desmascaram de uma vez a política neocolonial do PT. Como já havíamos alertado, a política subimperialista do PT é agressiva contra os camponeses e povos indígenas das Américas e da África. Esse subimperialismo aplicado ao Brasil, leva ao colonialismo interno sob o manto do “desenvolvimentismo”.

A violência contra o povo Terena não é ocasional. Não é o resultado da falta de proteção do Estado, da falta intervenção do governo para resolver a “questão indígena”. Ela é produto da ação do Estado, dos fazendeiros “oligárquicos” do século XX e dos seus modernos descendentes “produtores” que controlam a maquina das prefeituras e do Governo do Mato Grosso do Sul. Estes atuam para manter os Terena e os Guarani sob a tutela das políticas assistencialistas e clientelistas. Eles produzem a miséria e a falta de terras que impedem que os índios produzam e depois acusam os índios de não produzirem e de viverem “as custas do Estado” e por isso não terem legitimidade a reivindicar terras.

Esses fazendeiros mobilizam uma máquina clientelista para dividir os povos indígenas nas eleições burguesas e prolongar sua opressão. Ao mesmo tempo omitem a gênese criminosa dos títulos de propriedade, fundadas na grilagem realizada por “coronéis” e depois durante a ditadura militar. Esse sistema está perdendo sua eficácia e conforme o clientelismo declina a repressão aumenta. Essa política clientelista de ontem, e de repressão de hoje, tem por base uma coalizão conservadora entre o PT e o agronegócio, que no Mato Grosso do Sul começa ainda com o Governo Zeca no final dos anos 1990.

area_retomada

Área retomada pela resistência indígena

A coalizão se transformou em política estratégica de Estado a partir do ano 2000 quando do incentivo ao etanol e aos biocombustíveis que pressionaram o valor da terra no Mato Grosso do Sul e criaram diversos negócios (inclusive o da economia verde). Logo, “questão indígena” surge porque o Estado optou por não demarcar as terras indígenas nos anos 1990 e porque priorizou colocar mais dinheiro nas mãos do latifúndio nos anos 2000, criando a valorização das terras que é o grande entrave de hoje. O desenvolvimentismo engendrou assim esse entrave “colonial” –o latifúndio que ataca e luta contra a demarcação. A lentidão do Estado há anos atrás foi produzida pela ação dos grupos que hoje acusam o Estado de ser lento mas que aceleram a “repressão”.

Mas a resistência indígena Terena e Guarani modificou o cenário. O clientelismo vai cedendo espaço a luta pela terra. A presença da força nacional de segurança para “pacificar” a região significa uma recolonização que se dá num quadro geral de ofensiva contra os povos que lutam por direitos a terra há séculos. O mesmo é demonstrado pela presença dessa força militar em Belo Monte, no Pará e em todas as grandes obras de desenvolvimento detrás do discurso do progresso e de que os produtores “produzem” se encontra o genocídio e a expropriação de terras de camponeses e indígenas.

O caso dos índios Terena e Guarani do Mato Grosso do Sul revela como os Governos do PT, primeiramente de Zeca e depois Lula e agora Dilma, sob o argumento do “desenvolvimentismo” fortaleceram o latifúndio e os latifundiários ultraconservadores que clamam mais uma vez pela intervenção do Estado, colonial e repressora, contra os índios. O cinismo do argumento é a ideia de que a “questão indígena” surgiu por omissão do Estado, quando foi o Estado controlado pela aliança do latifúndio com o capital industrial nacional e estrangeiro, que assegurou violentas ofensivas a partir dos anos 1970 que consolidaram expropriações anteriores e que continuaram atuando sistematicamente para impedir as demarcações nos anos 1990 e 2000. Hoje esses latifundiários querem se isentar desse papel e assumir o papel de “produtores” que são ameaçados por índios e camponeses.

Por isso, a luta contra o imperialismo e subimperialismo no exterior é a luta contra o colonialismo interno e desenvolvimentismo no interior. Os governos do PT criaram e alimentaram a serpente do latifúndio e do agronegócio. Agora ela está espalhando seu veneno e fazendo suas vítimas e conta com a mão de ferro do Estado e o governo para ampara-la. Cedo ou tarde essa serpente irá morder a mão do seu criador. Mas, para o povo, que o PT prove do seu próprio veneno não resolve seus problemas. A única saída é ampliar a resistência indígena e popular por terra e liberdade. Terra é a demarcação das terras indígenas! Liberdade é a retirada imediata das tropas de ocupação colonial e o respeito ao direito de auto-organização dos povos indígenas!

Anarquismo é Luta!
Terra e Liberdade para o Povo!

Anúncios
Galeria | Esse post foi publicado em Uncategorized. Bookmark o link permanente.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s