A Batalha do Rio: A solidez burguesa e reformista se desmancha no ar insurgente das massas

Camaradas! O povo do Rio, a classe trabalhadora e a juventude deram mais uma mostra de seu caráter combativo nos protestos do dia 20 de junho do Rio de Janeiro, Brasília e todo o Brasil. A imprensa mente. Os partidos reformistas e os militantes nacionalistas de direita tentam desviar o foco! Ninguém está relatando a verdade dos acontecimentos.

Como foi a passeata do Rio? O ato contou com no mínimo 1, 5 milhão de pessoas. Talvez a maior demonstração pública da história do Rio de Janeiro e certamente uma das maiores do Brasil. Se deslocou até a prefeitura. Segundo os testemunhos de moradores da região, e as imagens da TV são claras, a polícia aplicou o método habitual: a repressão com uso da cavalaria, da tropa de choque, com balas de borracha e bombas. Mas o povo deu uma mostra fundamental de força: uma resistência auto-organizada que surpreendeu e deteve a ação da polícia no sentido de dispersar a manifestação por mais de uma hora.

A mídia burguesa fala de vandalismo e depredação, mas o que aconteceu foi a tentativa do Estado, através da coalizão Dilma, Cabral e Paes, de dispersar o ato com violência. Essa decisão estava tomada antes do ato chegar ao destino, a prefeitura do município do Rio de Janeiro. Ela foi imposta pelo simples fato de que o Estado não pode tolerar a participação popular nas ruas. Porém, quando a cavalaria avançou e o pelotão de choque tentou avançar, um pequeno grupo tentou usar a estratégia da passividade: sentou e foi atropelado. Então iniciou-se uma das mais heróicas resistências presenciadas no Brasil nos últimos anos.

Batalha rioVários grupos de ação direta se formaram. Um grupo opôs resistência ao Batalhão de choque em frente a prefeitura. Dois grupos opuseram resistência nas imediações do correios. Escudos foram levantados e longe das bombas afastarem os manifestantes, eles avançaram. Os manifestantes repeliram a cavalaria, pararam o batalhão de choque e mesmo depois que o caveirão de Cabral entrou em ação a resistência popular o enfrentou com paus e pedras. Valentes combatentes do proletariado subiram no blindado da repressão para tentar parar os disparos realizados pelo policial de cima do veículo. Somente depois, quando as pedras e paus faltaram, eles começaram a recuar. Mas mesmo o caveirão não avançou com facilidade e se a resistência não foi maior é porque faltaram pessoas e instrumentos.

O que a mídia burguesa não disse? O que os partidos reformistas não viram porque não estavam lá, porque se retiraram sob o pretexto da agressão que sofreram de provocadores? Enquanto os nacionalistas atacavam os reformistas e vice-versa o povo enfrentava o poder do Estado e do capital. E assim será sempre. Nenhum deles estará no momento decisivo, quando o povo mais precisa.

A auto-organização da massa para a resistência que parou o aparelho repressivo de Estado desmascara a todos. As manifestações pararam o aumento. A ação direta radicalizada, de classe e de massas, está mostrando toda sua eficácia e poder. Somente a mídia burguesa e os partidos reformistas alinhados à reação não estão enxergando isso.

Até o secretário de segurança admite: Sobre o número reduzido de prisões até o momento, o secretário de Segurança disse que primeiro é preciso cumprir as exigências do Poder Judiciário. Ele, no entanto, acredita os vândalos não são mais minoria:- Minoria tem que ser repensada. Minoria não produz o que se viu hoje na Cidade. Estamos buscando informações e remodelando planejamentos na medida em que as informações mudam” (O Globo On Line, 21/06/2013).

Batalha rio2

A ação direta mostra seu poder. Não se trata de vencer ou perder em reivindicações. Hoje trata-se de liberar todas forças espontâneas das massas, fortalecer sua resistência e auto-organização. Trata-se da reconstrução do poder associativo e de pressão da classe trabalhadora e da sua autoconstrução sob uma nova forma de movimento de massas. Estamos testemunhando o nascimento de um novo movimento, não nos preocupemos com sua direção, pois sua pauta incontestavelmente é de esquerda e seus métodos combativos e classistas não deixam dúvidas de que este ruma no sentido da emancipação dos trabalhadores do jugo do capital. A hora é de destruir as velhas direções e criar o movimento. O movimento no futuro criará sua própria direção.

Sem inocência! Com Resistência!

Viva o Levante Popular dos trabalhadores e da juventude brasileira!

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Uma resposta para A Batalha do Rio: A solidez burguesa e reformista se desmancha no ar insurgente das massas

  1. O rumo das ruas
    Clayton Rodrigues
    pretomisturado@gmail.com

    Diante da grandiosa e inesgotável capacidade da mobilização da população que, mesmo enfrentando uma violenta repressão das polícias militar, civil, federal e das forças nacionais, continuam a aumentar, vários textos são fabricados na tentativa de explicar não apenas o fenômeno multiplicador dessa capacidade (quase homogenizador) de protesto, como também as razões que, de repente, fizeram poeira das instituições do Estado Brasileiro.
    Há uma teoria conspiratória que coloca como centro o “Anonimus” , como grupo militar virtual que ordena milhares de pessoas e são obedecidas prontamente. Esse teoria prega similaridade de interesses entre o que acontece na Turquia e no Brasil e para conte-los, prega entre outras coisas, a censura dos sites cujos administradores forem desconhecidos ou anônimos.
    Há ainda a versão da direita, apoiada pela Rede Globo, PSDB etc, que vêem como uma explosão de cidadania, cujos slogans se aproximam, e copiam, palavras de ordens da TFP. As bandeiras brasileiras significariam o fim da confiança nos partidos políticos e nas instituições governamentais e legislativas do Estado, mas centram-se, por óbvio, na governo executivo, na tentativa de fazer cair a percentagem de aprovação do Governo Dilma, que embora sirva à burguesia, há sempre a necessidade de negociar pautas. De outro lado, há os interesses internacionais que veem no Brasil a possibilidade de coibir através de uma ação política o avanço do bolivarianismo e da ascensão indígena na América do Sul. Essa pressão sobre os indígenas implicou no estabelecimento de uma política de Estado pelo Congresso Nacional, Supremo Tribunal Federal e Poderes executivos, de endurecimento negativo em relação à posse das terras indígenas pelos índios. Os setores agrários veem com preocupação a transformação do movimento indígena de submissos às políticas da FUNAI em ação direta de ocupação das terras e , eventualmente luta Armanda contra os latifundiários. A política de pendulo, ou seja, dar para a burguesia e dar ao mesmo tempo para os pobres tem deixado um e outro descontente e ao mesmo tempo, deixa de traçar políticas para o interesse mesquinho da classe média que sonha em ser burguês. Perdida entre esses setores, a classe média reage com rancor, reacionarismo, moralismo etc.
    Alguns duvidam que a brutal repressão policial no Rio e em São Paulo deram a oportunidade para os protestos no país. Enganam-se. Apesar da mudança do perfil dos protestos, o início dos protestos mais frontais tem vínculos inegáveis com a ação institucional de governos em todo o país, que veem as pessoas mobilizadas como inimigas e assim as tratam. Esse tratamento fez com que os jovens violados pela repressão em São Paulo tivessem a companhia de seus pais e familiares. Não é apenas o FACEBOOK, como diz Castell, nenhuma ordem , nenhum movimento virtual se estabelece na vida cotidiana se não tem as condições objetivas e os sentimentos, condições subjetivas, para mobilizar as pessoas. Na verdade , nesse momento, os governos não conseguem mais governar e os debaixo estão tendendo a não mais obedecer os de cima. Esse é o caldo onde as manifestações proliferam, sedimentados pelo conservadorismo do PT, com Haddad, por exemplo, que junto com Alkimin, entregar projeto para responder positivamente à criminalização de crianças e adolescentes ou da negociada da base governistas e da (os partidos em geral na Câmara e no Senado) que entregou a Comissão de Direitos Humanos nas mãos da parcela fascistas de religiosos fundamentalistas,ignorando a capacidade de tolerância religiosa da cultura brasileira, ou as recentes entrevistas de Paulo Bernardo para a VEJA, em claro apoio à censura e à entrega da comunicação às grandes corporações de comunicação no Brasil.
    Ao mesmo tempo, recrudesce a negativamente a política ambiental. A proteção às terras indígenas e comunidades tradicionais tem a ver também com a proteção do meio ambiente e uma ideia de desenvolvimento sustentável. Belo Monte, impedimento para as demarcações de terra, por um lado, revisão do Código Florestal por outro, demarcam bem a política de devastação ambiental dos Governos Federal e Estaduais para se conseguir um desenvolvimento acelerado do capitalismo, com objetivo não apenas nacional, mas de intervenção internacional, visando um domínio político mundial que coloque o Brasil entre os países com assento permanente no Conselho de Segurança da ONU, para influir nas decisões internacionais, na busca de uma governabilidade mundial. O primeiro passo dessa política já foi dado com a candidatura e posterior eleição de um brasileiro para a OMC.
    A reforma Agrária foi estancada, os governos estaduais, assim como o Federal, asfixiou o MST ao financiar as cooperativas de produção, conseguindo com isso retirar o caráter combativo do movimento sem terra, produzindo uma desmobilização, cujo resultado é a fraca capacidade de mobilização dos sem terras nesse momento de conflito ideológico geral.
    O mesmo aconteceu com os sindicatos e as centrais sindicais. Acopladas às plataformas dos governos, os sindicatos se tornaram pelegos, negociadores de meras condições de trabalho e salários, corporativos e antissolidários por consequência. A CUT e as outras 13 centrais sindicais com suas lideranças perdidas nas hierarquias que os levam a exercitarem a negociação nas costas dos trabalhadores e a desmobilizá-los, agora não tem capacidade de reação. Se os trabalhadores forem às ruas, e irão, o farão por entenderem que se o movimento de direita conseguir seus objetivos, os primeiros a sofrerem retaliações serão os trabalhadores em seus locais de trabalho e em suas casas, nas periferias das cidades.
    Negros e mulheres viram suas pautas serem jogadas no lixo, nas últimas linhas das plataformas políticas. O Estatuto do Nascituro, a não ampliação das cotas educacionais para o campo do serviço público e do trabalho em geral mostram bem como agiram os partidos e os governos para desacelerar a inclusão social de negros e mulheres. Já antes, a reforma do Código Civil, no que tange à herança e as relações matrimoniais, já foram um retrocesso em relação a lei do companheiro.
    Pressionado pela burguesia, Os governos federal e estaduais tenderam a diminuir e mesmo isentar de impostos a empresas privadas, beneficiando a grande burguesia e ao mesmo tempo elevando os descontos em imposto de renda para quem usasse a educação privada e a saúde privada, um verdadeiro processo de privatização da saúde por via do imposto de renda. Com isso não só deixa de arrecadar para investir em educação e saúde, como amplia a participação das pessoas no consumo de saúde e educação privadas, em uma clara política de concentração de renda.
    A pauta conservadora e a comunicação conservadora com a população, com falta de canais reais de participação propiciou o assanhamento da direita, mas se enganam os que consideram que eles já definiram a pauta e já ganharam a luta.
    Nesse momento, os anarquistas e a esquerda de luta estão empenhado não apenas em denunciar o esquema golpista mas como discutir o processo revolucionário, enfrentar os reacionários nas ruas…
    Tudo está em disputa nesse momento. O Governo tenta tomar medidas que levem a acalmar as ruas, mas não mexeu um milímetro no ganho dos ricos, no capitalismo e na falsa democracia, nem sequer no monopólio de comunicação.
    As ruas talvez mexam nisso. Depende de nós. Vamos à luta.
    Todas as bandeiras, todos os anarquismos, todos os libertários, todo o povo progressista contra o FASCISMO E o ESTADO OPRESSOR.

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