GREVE GERAL: Estratégia de luta contra o Estado e o capitalismo

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Passeata em São Paulo na greve geral de 1917.

Em 1917 no Brasil, os trabalhadores paulistas organizados na Federação Operária de São Paulo (FOSP), no Comitê de Defesa Proletária e, nacionalmente, na Confederação Operária Brasileira, a COB, convocaram  uma greve geral que entrou para a história do Brasil.

O movimento grevista começou com a reivindicação de aumento salarial dos operários das indústrias de tecido  no mês de junho de 1917. No mês seguinte o Comitê de Defesa Proletária publicou uma pauta de reivindicações mais ampla, que incluía a luta contra a chamada carestia de vida, a adoção da jornada de trabalho de 8 horas por dia e a abolição do trabalho infantil. Unidos entorno dessa pauta de reivindicações, os trabalhadores de todas as indústrias, do comércio e dos transportes coletivos aderiram ao movimento. Durante três dias o Comitê de Defesa Proletária assumiu o controle da cidade de São Paulo. O governo abandonou a cidade e, no fim, é obrigado a negociar com os grevistas, atendendo suas reivindicações.

Depois da greve em São Paulo, trabalhadores de outras capitais também entraram em greve: Rio de Janeiro, Recife, Salvador, Curitiba e Porto Alegre.

1. A atualidade da greve geral

Passados 96 anos da greve geral de 1917, em meio ao Levante Popular de junho de 2013, quando milhões de trabalhadores e estudantes tomaram as ruas de praticamente todas as capitais do país e de diversas cidades, reivindicando a redução do preço da tarifa do transporte público, foi lançada pelas redes sociais, como um evento no facebook, um chamado para a realização de uma greve geral no dia 1° julho. Que de fato não aconteceu.

Diante da grande adesão ao evento “greve geral” no facebook, as centrais sindicais oficiais (CUT, Força Sindical, CTB, UGT, CGTB, NCST, CSP-Conlutas) iniciaram uma campanha com o objetivo de deslegitimar a iniciativa, sob o argumento de que só elas, as centrais sindicais oficiais, teriam a legitimidade de convocar uma greve geral.

Depois, essas mesmas centrais passaram a convocar um dia nacional de mobilizações e paralisações, marcado para o dia 11 de julho. A baixíssima adesão ao dito dia nacional de paralisações mostrou que de fato não era objetivo das centrais sindicais mobilizar os trabalhadores, mas sim mostrar seu controle sob os mesmos e contribuir para o fim das mobilizações de rua. Ao mesmo tempo foi uma tentativa de negar a própria estratégia da greve geral, uma vez que não a convocaram, pois o dia 11 de julho foi um dia nacional de paralisações, não uma greve geral.

Realmente, uma greve geral não pode ser o resultado de um evento marcado das redes sociais, mas sim o resultado da luta e articulação organizativa complexa a partir dos locais de trabalho. Quando diversas categoriais em luta, organizadas a partir da base, percebem que suas lutas não são isoladas, que suas reivindicações são, na verdade, reivindicações do conjunto da classe trabalhadora.

O evento do facebook “greve geral” mostrou que essa não é uma estratégia de luta  esquecida pelos trabalhadores. E o dia 11 de julho mostrou que as centrais sindicais oficiais abandonaram a luta real da classe trabalhadora, e estão mais preocupados em manter suas burocracias sindicais e em defender o Governo Dilma. Assim, ficamos entre o desejo da juventude de realizar a greve geral e toda a estrutura organizativa que impede que ela aconteça.

2. Construir a greve geral contra o Estado e o Capital.

“É barricada, greve geral! Ação direta que derruba o Capital!”. Essa foi uma das várias palavras de ordem cantadas durante o levante de junho e as demais manifestações que se estenderam até outubro. Trata-se da certeza de que é necessário a construção de uma greve geral contra o Capital, isto é, contra a exploração burguesa e contra a opressão do Estado.

O caminho da construção da greve geral é o trabalho de base nos locais de trabalho, moradia e estudo. É a construção de pautas de reivindicações que atendam ao conjunto da classe trabalhadora. É a realização de assembleias conjuntos de diversas categoriais. É a convocação de atos conjuntos. Por fim, é a paralisação geral de todas as atividades de trabalho. É o levante do povo trabalhador contra o Estado e o Capital.

Outra palavra de ordem lançada pelas ruas captura todas as contradições do momento histórico: “Não Vai Ter Copa!” O melhor meio é começar seriamente a construção de uma Greve Geral. Mas essa iniciativa só pode ocorrer a partir das bases e contra a burocracia sindical. Uma greve geral que mostre o poder e vontade de luta dos trabalhadores.

Por isso conclamamos: Greve Geral contra a Copa em 2014!

Não vai ter Copa!

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Bandeiras negras tremulam em funeral de operário morto durante a greve geral de 1917 (São Paulo).

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