A Greve da Educação Pública do Rio: a luta contra o neoliberalismo e contra a burocracia sindical

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A atual situação da educação pública e dos conflitos deste ano de 2013 deve ser entendida dentro do contexto de implementação de uma política neoliberal pelo governo estadual de Cabral, através do secretário de educação, Wilson Risolia, e pelo governo do prefeito Paes, através da secretária de educação, Claudia Costin. Resumidamente, esse projeto é uma cópia do modelo implementado nos Estados Unidos, que entre outros pontos procura classificar as escolas de acordos com notas obtidas em testes padrões realizado pela SEEDUC em parceria com empresas privadas. Esse projeto tem como objetivo central: poupar dinheiro com o funcionalismo e sujeitar a educação ao capital. Não por acaso, no início de novembro o governo municipal solicitou 3 milhões de dólares ao BNDES para finalizar a obra de derruba do Viaduto da Perimetral.

Isso tem significado na prática uma expansão de uma educação de baixa qualidade e privatista em conluio com grandes grupos empresariais, que de modo progressivo precariza as condições de trabalho, com terceirização e perda de autonomia pedagógica. Para implementar esses programas os governos intensificaram a violência sistemática e passaram a perseguição politica e repressão brutal aos trabalhadores. Além disso, contou com a passividade da direção sindical, que não ofereceu a categoria nenhuma diretriz de resistência, muito pelo contrário.

A Greve de 2013: a experiência das ruas  Vs. a burocracia sindical.

Neste sentido a recente greve dos trabalhadores da educação do município e estado do Rio de Janeiro marcou efetivamente um novo momento nas lutas populares do Brasil. No atual acirramento da luta de classe, da “guerra” aberta, impulsionada  pelo levante de junho é que se contrapôs o novo ao velho. Ou seja, a insurgência, o associativismo, a ação direta, a auto-organização e a combatividade emergindo no levante em contraposição à acomodação, a colaboração de classe, ao cupulismo, ao burocratismo e ao eleitoralismo da burocracia partidária-sindical. Essa greve assumiu importância fundamental na luta contra o neoliberalismo no país, principalmente na educação pública. Entretanto, este não foi o encaminhamento dado pela direção sindical Neste sentido as manifestações convocados pelas centrais sindicais em julho marcaram a radical diferença entre a insurgência do proletariado marginal e a burocracia partidária-sindical com medo da revolta popular, tentando domá-las, domesticá-las. Não foi diferente a luta que a base categoria teve que travar com a direção sindical.

A grande maioria da direção do Sepe-RJ se colocava contra a greve nas assembleias do primeiro semestre, sempre afirmando de assembleia em assembleia a impossibilidade da luta, levando a luta à mera barganha parlamentar em reuniões semanais na Assembleia Legislativa. Essa estratégia da burocracia sindical se estendeu até a deflagração da greve no dia 08 de agosto, quando pressão da base, mobilizada por ativistas combativos e classistas autônomos e grupos de oposição, como a Oposição de Resistência Classista (ORC), superou à direção do sindicato. Ou seja, a greve dos trabalhadores da educação da rede de estadual de ensino foi iniciada pela pressão da base contra a direção sindical.

A Rede Municipal de Educação do Rio de Janeiro, que estava há 19 anos sem realizar um movimento paredista, deflagou greve por tempo indeterminado no mesmo dia 08 de agosto, com forte adesão e grandes mobilizações de rua, contra o projeto neoliberal implementado pela prefeitura a partir do Plano de Cargos e Salários. Entretanto, quais foram as estratégias da direção sindical do Sepe-Central – PT, PSOL e PSTU – diante da radicalização das lutas na base sindical inspiradas no levante de junho? Primeiro, impedir a todo custo sua unificação real do movimento, segundo, sabotar a greve e, terceiro, negociar o tempo todo a rendição da greve junto aos governos.

 Evidenciamos assim a prática política burocrática que está corroendo o sindicato através de políticas mais preocupadas em promover desgastes eleitorais e manter hegemonias na direção sindical através de acordos e negociações pragmáticas, do que avançar na politização do cotidiano da categoria e na sua organização.

Mas ao mesmo tempo, e felizmente, ouve um intenso processo de participação e organização da base da categoria na tentativa de dar um rumo combativo as lutas sindicais, e com isso combater a burocracia sindical.  Neste sentido, os grupos de oposição, ativistas autônomos e trabalhadores da educação tomaram uma importante decisão política e organizativa durante a greve: formaram um comando de greve autônomo da direção e deram continuidade a organização da base da categoria com a eleição de representante por escola.

A categoria radicalizou nos atos, ocupou o palácio Guanabara, sendo traídos pela direção que lhe viraram as costas. Ocupou o térreo da SEEDUC, resistiu; ocupou as escadarias da ALERJ e o plenária da Câmara de Vereadores. Tudo isso apesar da direção.

Um ponto importante em todo esse processo de mobilização iniciado em agosto foi a junção entre a greve dos trabalhadores da educação e a tática Black Bloc ressurgida a partir do levante de junho. A repressão brutal ao que o povo sofre cotidianamente, se somou a repressão brutal sobre os professores que ganharam apoio dos Black Blocs que foram em sua defesa. Mas mais do que isso, a base da categoria souber romper o cerco criminalizador da tática Black Bloc, como efetivamente foi construído em São Paulo, e construir a ponte necessária para impedir que a direção sindical conseguisse separar a insurgência da ruas de junho da categoria de trabalhadores da educação. Mas ainda, os professores e servidores da educação passaram a se utilizar dos mesmo métodos para se defender diante da truculência do governo do Estadual e Municipal. A autodefesa foi incorporada por uma boa parcela da categoria. Os professores gritaram em outubro: “O Black Bloc é meu aluno, mexeu com ele, mexeu comigo”. Enquanto os grupos que compunham a direção, em menor ou maior grau, como o PSTU, criminalizava os professores combativos, anarquistas e a juventude combativa.

A greve ganhou apoio de massa, a PM fez centenas de prisões arbitrárias no dia 15, e neste momento o STF encaminhou uma audiência de conciliação. A base da categoria votou em assembleia pela sua representação na reunião, desconfiada da colaboração dos grupos que dirigem o sindicato. Mas a burocracia sindical descumpriu deliberação da categoria: não são proibiu a participação de representantes de base na audiência, como vetou a ida a Brasília de servidores que não fossem sindicalizados, além de pais, estudantes e qualquer outro militante e ativista que estivesse disposto a participar do ato na capital. O medo? Que a manifestação tomasse grandes proporções.

Assim, a direção sindical assinou a rendição em Brasília, e foi para a assembleia chantagear a categoria com o acordo assinado. A lição é que PT, PSOL e PSTU fazem parte da direção e comungam neste sentido das mesmas diretrizes sindicais, do mesmo modelo sindical colocado em xeque nas ruas. A categoria por sua vez, se organizou e se utilizou de métodos combativos, se aliou a juventude combativa que utiliza a tática Black Block. A tarefa se mostra clara, além de combater os governos e patrões, é necessário combater a burocracia e se organizar cada vez mais. Isso já existe, mas é preciso ampliar mais ainda essa atuação. Construir o Sindicalismo Revolucionário!

É barricada, greve geral, ação direta que derruba o capital!!!

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