Em defesa dos black blocs: ampliar as táticas de resistência para toda classe!

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O cenário político atual apresenta uma série de elementos que nos servem de aprendizado, o povo mais uma vez saiu às ruas para construir seu próprio futuro. A velha burocracia partidária, eleitoreira, sindical, que por muito tempo amordaçou as lutas sociais, não conseguiu conter os milhares de trabalhadores e estudantes precarizados que foram as ruas protestar. Ao contrário do que muitos imaginavam, as jornadas de junho e julho reafirmaram uma grande verdade: que o povo brasileiro não é passivo, e que diante de muitos problemas sociais segue guerreiro combatendo as injustiças.

Dentro desse novo contexto e rearranjo social de grande efervescência política, algo que atraiu a atenção de vários setores da sociedade foi a tática de protestos urbanos conhecida como “Black Bloc”. Essa tática surge em meados da década de 1980, no seio do movimento autonomista da Alemanha ocidental, que através da ação direta ocupavam terrenos onde seriam construídas usinas nucleares. O movimento antinuclear ao se opor profundamente as usinas nucleares foi duramente reprimido pelas forças policiais. A partir de então, diante a ofensiva das forças repressivas do Estado, os militantes se organizaram para defenderem-se e contra-atacar, e assim resistir em seus espaços de autonomia. Assim, surge a tática “Black Bloc”, como aponta o sociólogo norte-americano George Katsiaficas, em seu livro: “The Subversion of Politics – European Autonomous Social Movements and the Decolonization of Everyday Life”.

No Brasil não foi diferente, a tática Black Bloc manteve sua principal característica: resistir à ofensiva do Estado capitalista, e defender as manifestações do terrorismo de Estado exercido cabalmente pela figura da polícia. Ao passo que cresciam as manifestações em junho, o número de encapuzados que lutavam ao lado do povo para defender as bandeiras de uma sociedade igualitária também aumentava. Hoje, com a diminuição da onda de protestos que sacudiu o país, alguns Estados, em especial o Rio de Janeiro, segue com as chamas incendiárias deixadas pela jornada de junho e julho.

No entanto, existe a necessidade de refletirmos sobre essa tática, justa e necessária que é o Black Bloc. Não é novidade nenhuma que a juventude por trás das máscaras, que ousam lutar, carregam consigo uma admirável disposição para enfrentar as mazelas que perpassam gerações. Todavia, a ação direta deve cada vez mais estar enraizada nas categorias de base da classe trabalhadora, para que ganhe em volume e qualidade. É necessário que todos militantes revolucionários, que visam a transformação radical da sociedade, nos organizemos por locais de estudo, moradia e trabalho preparando nestes espaços as ações diretas de massas.

Precisamos ser capazes de organizar os setores que ainda estão desorganizados, derrubar as burocracias sindicais que ainda permanecem encasteladas e construir oposições que as derrotem, dar caráter de massa as greves, e assim, combiná-las com a ação direta e as frentes de defesa e resistência cujo Black Bloc tem um papel fundamental. Somente com organização avançaremos, de agora em diante é necessário intensificar a luta, com disciplina para que não sejamos engolidos pelo brutal aparelho repressivo contra o qual lutamos.

 É Barricada, Greve Geral, Ação Direta é o que derruba o Capital!

Artigo publicado no Causa do Povo nº69. Leia a edição completa CLICANDO AQUI.

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2 respostas para Em defesa dos black blocs: ampliar as táticas de resistência para toda classe!

  1. coletivo imaginario disse:

    “Precisamos ser capazes de organizar ,os ós setores que ainda estão desorganizados, ” Isso não é uma contradição em si? Isto é, os “os setores que ainda estão desorganizados” precisam se AUTOORGANIZAR, não somos iluminados, nem vanguarda de nada.” Na sombra dos bares, das tipografias, das okupas, dos vãos de escada, das quintas, dos locais desportivos, cumplicidades ofensivas podem nascer; cumplicidades depois das quais o mundo se torna subitamente mais sustentado. É preciso não recusar a estas cumplicidades preciosas os meios que exigem para desenvolver a sua força.Aí se situa a possibilidade verdadeiramente revolucionária da época. Os tumultos cada vez mais frequentes têm isso de formidável, pois constituem em cada momento a ocasião de cumplicidades deste género, por vezes efémeras mas também por vezes inabaláveis. “

  2. Fabiano Souza disse:

    Ao camarada “Coletivo Imaginário”, de fato muitos estão se autoorganizando e outros continuam desorganizados. Aqui existem duas tarefas: aglutinar os setores autoorganizados, para ampliar as formas de organização e luta, e organizar os desorganizados. Organizar pela base, como é a proposta bakuninista, não é vanguardismo, o trabalho de base é o contrário do vanguardismo. Sem esse trabalho de base o que teremos é a reprodução da assimilação à ordem, como está ocorrendo no Chile, depois de grandes movimentos de rua pela educação universitária gratuita, o que temos são ex-lideres comunistas eleitos para o parlamentos, a Rede Libertária apoiando frentes eleitores, a nova presidente da Federação Estudantil, que se diz anarquista, defendendo nova constituição e reformas no Estado. Ou seja, não somos iluminados, nem existe essa possibilidade, mas temos que ser sujeitos históricos e lutar pela construção de base do sindicalismo revolucionário. A iniciativa do ENOPES foi um primeiro passo, espero, e trabalho para que a iniciativa avance junto com as lutas populares.

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