SÍRIA: guerra civil e intervenção imperialista

Sem títuloAs disputas pelo controle do Norte da África e do chamado oriente médio se intensificaram nos últimos meses e trouxeram novos aspectos da disputa Moscou-Pequim e Bruxelas-Washington. A guerra civil na Síria ganhou contornos regionais e mundiais com ação das principais potências imperialistas (EUA, França, Alemanha, Inglaterra, Rússia e China) e de países semiperiféricos como a Turquia.

Depois de uma ameaça de intervenção direta na Síria pelo presidente estado-unidense Barack Obama (Partido Democrata), reprovada a priori pelo próprio parlamento, o governo Russo articulou um acordo de entrega de armas químicas sírias com a ONU, que tem gerados rodadas de negociação em Genebra, na Suíça. Assim, Putin reforçou a posição do eixo Moscou-Pequim contra a defesa da intervenção militar defendida pelos líderes europeus, encabeçados pelo socialista François Hollande e Angela Merkel, Obama e o governo Turco de Erdogan.

As disputas em curso estão dentro de um jogo de interesses políticos e econômicos dos países centrais e de potências regionais, como Turquia e Irã. A Rússia tem interesse fundamental  na manutenção da base militar naval no porto sírio de Tartus. Além disso, há disputas energéticas em torno do fornecimento de gás para a Europa. O principal fornecedor de gás para a região é a Rússia que através do gasoduto NordStream, fornece 40% do gás da Alemanha e agora a construção do South Stream, que Moscou fornecerá gás à União Europeia, evitando a passagem pela Ucrânia. Com isso, a Rússia acabou com o projeto do gasoduto Nabucco que ligaria Ásia Central, passando pela Turquia até chegar a Europa. Por fim, há as disputas políticas pelo controle político do Norte África, Oriente Médio e Ásia Central. Neste sentido, que se insere a questão Síria.

Primeiro pela tentativa dos países Europeus e americanos em controlar a região ao gasoduto Árabe que liga o Egito a Turquia, passando pela Jordânia e Síria e abastecendo o Líbano, fortalecendo a posição Turca na Região e sua tentativa de influência na Ásia Central. Diminuindo assim, a dependência do Gás russo. Entretanto, a ação das potências ocidentais na Intervenção Líbia e a instabilidade criada entre os diversos grupos étnicos, criou fortes resistências internas, mesmo na classe dominante americana, e principalmente no governo de Putin, uma vez que a Rússia se absteve no conselho de segurança diante da proposta de invasão a Líbia.

Assim, a Guerra Civil Síria, detonada no calor dos levantes da chamada primavera árabe, foi alçada a um problema regional e a disputa imperialista. A oposição síria está dividida entre grupos salafistas, jihadistas sunitas (Brigadas Liward al Tawhidi, Ahrar al Cham, Souqour al Cham)  que formaram o conselho islâmico, os islâmicos moderados (Brigadas Al-Farouk), grupos curdos e o Exército Livre da Síria (coalização mais pró-ocidental) que formaram o Conselho Nacional Sírio. No inicio do ano foi formado o Comitê Nacional de Coordenação para Mudança Democrática que negocia com as potências ocidentais e com a Liga Árabe.

Com isso, a possibilidade de instabilidade política na Região com a caída do governo ditatorial de Bashar Al-Assad pode gerar problemas para a Israel, devido a ação de grupos islâmicos fundamentalistas, e mesmo para o Irã, que procura estabelecer novas relações com as potências mundiais. Mas para China, Rússia, EUA e União Europeia surgiu a necessidade de manutenção do domínio político e econômico da região. O povo da Síria está nas mãos das potências do ocidente, da autocracia do Partido Baas Sírio e de setores islâmicos, militares e burgueses nacionais, com apoio de movimentos socialistas colaboracionista que compõem a oposição. Sem uma programa e estratégica e uma intervenção autônoma nestes eventos, os setores das classes dominantes manipularam e direcionaram o povo rumo a construção de outros governos cúmplices da exploração imperialista, seja pró EUA-União Europeia, seja pró Rússia-China.

Artigo publicado no Causa do Povo nº69. Leia a edição completa CLICANDO AQUI.

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