VIA COMBATIVA nº3 – Revista teórico-política da UNIPA

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Sumário:

– A Instrução Integral e a crítica bakuninista a pedagogia libertária

– Os estudantes como categoria ocupacional e a estrutura de classes: Combatendo às raízes teóricas do reformismo e oportunismo

– O Levante dos Marginalizados: análise sociológica dos protestos e manifestações populares no Brasil

– Anarquismo e Questão Agrária

– Entre a tutela estatal e a revolução: algumas considerações sobre a história do sindicalismo rural e da luta camponesa

*

Editorial

A terceira edição da revista Via Combativa (VC) chega às ruas em um período decisivo para a luta dos trabalhadores no Brasil. Em 2013 vivenciamos o despertar da ação direta popular e a configuração de um novo patamar na luta de classes em nosso país a partir das Jornadas de Junho. A esquerda reformista e os revolucionários foram colocados a prova frente à radicalização das manifestações populares, a ação do proletariado marginal e a repressão Estatal. Este quadro promete se agravar em 2014, ano da Copa do Mundo, trazendo como principal desafio para esta edição da Via Combativa a correta compreensão desta realidade e sua contribuição teórico-política a consolidação do braço de massas do anarquismo, o sindicalismo revolucionário, processo em construção.

Enquanto uma continuidade do segundo numero da VC, esta edição avança na aplicação do método bakuninista para a compreensão da ação e formação das frações da classe trabalhadora no brasil entre as diferentes categorias ocupacionais e suas camadas étnicas, nacionais, de gênero e geração. Ainda que não esgote por completo, esta edição representa um avanço concreto na análise da estrutura de classes a partir da teoria anarquista.

Um dos principais desafios colocados pelo levante popular de junho e as lutas deste período é a identificação dos sujeitos deste processo e qual o seu papel na luta de classes. O marxismo, pensamento guia das principais organizações de esquerda no Brasil, não consegue superar o dilema entre o sectarismo e o oportunismo em sua política de massas: ora atribuindo centralidade apenas ao operariado (em detrimento das outras frações classe trabalhadora), ora ampliando suas alianças a “burguesia nacional”, políticas que apesar de parecerem opostas derivam do mesmo etapismo economicista. Já o anarquismo defendido pela UNIPA traz uma nova interpretação e prática, a partir do materialismo sociológico, que compreende a centralidade e o papel das diferentes frações da classe trabalhadora (proletariado marginal, de serviços, industrial, campesinato, etc.) e ao mesmo tempo em que combate qualquer colaboração de classe.

Neste sentido, o texto “O Levante dos Marginalizados” aponta para o papel chave do proletariado marginal nas Jornadas de Junho, produto de duas décadas de reformas neoliberais que deterioraram as condições de trabalho e de vida, formando assim um setor composto em grande parte pela juventude proletária precarizada e suas subculturas, mas não só, que foram marginalizadas do pacto petista entre as burocracias sindicais e partidárias com o Governo, fator este que propiciou o caráter não tutelado de sua ação e por isso mesmo explosiva e dinâmica em 2013.

O artigo “Os estudantes como categoria ocupacional e a estrutura de classes” aponta que a massificação da educação precária nas últimas décadas consolidou a presença da classe trabalhadora no movimento estudantil assim como seu peso majoritário nos ambientes escolares (entendido em números absolutos), a partir disso o texto desmascara a linha oportunista de esquerda que justifica seu reformismo no Movimento Estudantil sob a alegação do atraso de uma condição estudantil essencialmente pequeno-burguesa. O anarquismo aponta, ao contrário, que os estudantes proletários possuem papel fundamental na revolução, mas para isso é necessário organizá-los a partir de um programa classista e novos métodos.

Os outros dois textos tratam da perspectiva de classe do anarquismo em relação aos trabalhadores rurais, questão fundamental da sociedade brasileira nos dias atuais. Em “Anarquismo e Questão Agrária” é feita a crítica a concepção marxista que concebeu o campesinato de duas formas principais: a) como um setor a ser combatido; b) como um setor a ser utilizado; ambas partindo de uma visão economicista consideraram o campesinato enquanto um setor pequeno-burguês fadado ao desaparecimento ou a ação tutelada pelo Partido/Estado operário. Já o anarquismo aponta o campesinato (que vive do seu próprio trabalho) enquanto um setor da classe trabalhadora e sujeito construtivo fundamental da revolução brasileira. No artigo “Entre a tutela estatal e a revolução: algumas considerações sobre a história do sindicalismo rural e da luta camponesa”, é realizada uma análise histórica sobre o papel do sindicalismo de Estado, representado pela CONTAG na década de 1960, no desmantelamento das Ligas Camponesas e seus ensinamentos para a atualidade.

O texto “A instrução integral e a crítica bakuninista a pedagogia libertária” demostra como o ecletismo anarquista na educação, conhecido como Pedagogia Libertária, se integrou no movimento burguês de defesa da educação como principal método de transformação da sociedade. Bakunin defendia uma educação socialista que unisse o trabalho manual e intelectual, mas que dentro da sociedade capitalista a luta era o principal método de aprendizado e destruição da sociedade de classes e do estado condição fundamental de uma educação emancipadora.

A revista Via Combativa espera contribuir para a Unidade de todas as frações da classe trabalhadora brasileira. Neste ano de 2014, comemoremos o Bicentenário do camarada Mikhail Bakunin na aplicação de seus ensinamentos: unir trabalhadores urbanos e rurais, golpeando o estado e burguesia através da ação direta e da greve geral.

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Acesse a Via Combativa nº3 em versão PDF CLICANDO AQUI.

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3 respostas para VIA COMBATIVA nº3 – Revista teórico-política da UNIPA

  1. Tiago disse:

    a data da edição está errada na capa.. corrijam pessoal

  2. Pingback: Anarquismo e Questão Agrária | Apoio Mútuo

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