Militarismo e Antimilitarismo: Nota sobre o ato do dia 06 de fevereiro contra o aumento das passagens (RJ)

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Foto: Brutal repressão policial ao ato contra o aumento do dia 06/02 antecedeu o momento do cinegrafista ferido e posteriormente falecido. Na foto vemos a Tropa de Choque avançando contra manifestantes, Rio de Janeiro, 06 de fevereiro de 2014.

O ato do dia 06 de fevereiro no Rio de Janeiro, contra o aumento da tarifa, teve um acontecimento que está no centro do debate. O cinegrafista atingido e falecido por um artefato explosivo. Lamentamos que o cinegrafista tenha sido atingido e falecido e manifestamos nossa solidariedade ao mesmo e a sua família.

Mas o caso obriga a uma reflexão. A mídia e a polícia já vêm a bastante tempo procurando um acontecimento que recupere a legitimidade da repressão e deslegitime a resistência de massas. Um bode expiatório que faça derivar a repressão desse ato. Nesse sentido, estão propagandeando que o artefato teria sido lançado por um manifestante. Por outro lado, manifestantes e mídias alternativas alertam para o fato de que o artefato teria sido lançado pela polícia militar. Uma terceira hipótese seria ação de um policial infiltrado, até porque um artefato similar foi lançado dentro da Central do Brasil.

A nossa questão é que até o momento as informações não são conclusivas. Se a hipótese de que o artefato foi lançado por um manifestante for verdadeira, ela não deslegitima a resistência de massas em si. Caso alguém realize uma ação desastrosa, deve ser responsabilizado por tal ante as massas e ao poder popular. Isso apenas confirma a nossa crítica: o vanguardismo e aventureirismo são tão desorganizadores quanto o reformismo. E mesmo ações de resistência bem planejadas e executadas podem deixar vítimas inocentes por circunstancias diversas.

Mas é preciso antes que qualquer coisa situar o acontecimento na história. A repressão à manifestação do dia 06 de fevereiro segue a lógica da tirania e do militarismo. A burguesia aprofunda o militarismo. Ao impor a lógica militar e repressiva, para defender um regime tirânico a burguesia é responsável pelas consequências e legitima a resistência de massas. E por isso devemos exigir punição para governadores, comandantes de polícia e secretários de segurança. Essa punição garantirá uma desmilitarização progressiva da sociedade e o número de vítimas.

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Foto: Bombas de gás lacrimogêneo foram lançadas pela polícia em camelôs e na população em geral. Rio de Janeiro, 6 de fevereiro.

Não é muito diferente da guerra e da paz no nível internacional: o país que inicia a agressão, caso derrotado, é responsabilizado jurídica e financeiramente pelos danos causados. A dialética guerra e paz é assim a essência da visão antimilitarista do anarquismo. A paz burguesa e imperialista é apenas uma trégua entre uma guerra de agressão e outra vindoura. A paz socialista e revolucionária estabelece a paz sobre a igualdade e a reparação das injustiças e o equilíbrio das forças.

O militarismo da burguesia no Brasil está em marcha. Eles querem achar um pretexto para acirrar o militarismo e quando não encontrarem, eles o fabricarão. A resistência de massas é antimilitarista porque ela tenta deter o avanço do militarismo. A violência de massas é legítima porque ela é uma defesa contra uma agressão anterior (no caso do Brasil estrutural e conjuntural), ela é seletiva (direcionada aos agressores) e visa a “paz”, ou seja, estabelecer a paz pelo desarmamento do agressor. Essa legitimidade global e estrutural não legitima qualquer ação em qualquer momento. Cada ação tem de ser examinada pela sua tática, efeito e legitimidade perante a massa.

Por isso é preciso rechaçar a lógica maniqueísta. Caso tenha sido um erro de ação da resistência popular, ao contrário de ficarmos buscando nos isentar da responsabilidade é preciso enfrentá-la. Assumir os erros perante a história. Erros individuais se assumem individualmente, erros coletivos, coletivamente. Os responsáveis que assumam os seus erros.

As ações específicas da resistência popular devem ser conduzidas de acordo com os princípios da responsabilidade coletiva e da unidade tática, fato que já vem se realizando espontaneamente desde 2013 e sempre defendida como política pela nossa organização. Mas a atividade de resistência de massas sempre terá consequências, feridos, eventualmente mortos. Como dizia Bakunin, “a revolução não é um torneio literário em que só se derrama tinta”.

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Foto: Faixa em protesto no Rio de Janeiro denuncia violencia policial.

É o militarismo imposto pela burguesia, a agressão policial, que foi a causa primeira que desencadeou a situação na qual o cinegrafista foi ferido e chegou a falecer. Assim como dezenas de trabalhadores feridos e mortos cotidianamente, e mesmo jornalistas no ano de 2013. O fato é que a polícia está com autorização para a repressão brutal e extermínio, assim como as forças paramilitares. Somente na primeira semana de fevereiro no Rio de Janeiro, ocorreu o massacre de jovens nas favelas o atentado de milícias contra grevistas e a repressão nas passeatas. Logo, a dinâmica da repressão gerará a dinâmica da resistência. Essas ações apenas ressaltam a necessidade de uma autodefesa de massas concebida e articulada a partir da base.

Mas é fato que a resistência de massas, antimilitarista, precisa observar os princípios da responsabilidade coletiva e da unidade tática, o que já defendemos desde os primeiros dias do levante popular de 2013. Para isso é preciso que esse tema seja parte do cotidiano das organizações e locais de trabalho e estudo. Essa organização visa exatamente colocar a atividade de resistência dentro dos parâmetros da organização dos trabalhadores, qualificando a mesma e tentando diminuir os riscos derivados de toda ação de resistência e autodefesa.

Por isso dizemos: Resistir é Justo!

Abaixo a Ditadura e a Tirania!

Não ao militarismo!

Fim da PM e da Força Nacional!

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