Copa do Mundo da FIFA: prejuízos para a classe trabalhadora e a construção da greve geral

blatter-e-dilma-fifaA Copa do Mundo da FIFA é um grande megaevento patrocinada por grandes multinacionais (McDonalds, Coca-Cola, Samsung, Adidas). As estimativas são de que só a FIFA tenha um lucro de 10 bilhões de reais. A FIFA é uma máfia, uma família de crime organizado que utiliza a cultura popular, o futebol, para conseguir lucros para seus executivos. Para isso a FIFA conta com a ajuda dos governos que para se autopromoverem aceitam seus pedidos, como isenção fiscal de 12 meses e estádios totalmente disponíveis para entidade. A FIFA não colocou nenhum centavo em nenhuma construção e ou instalações para a copa. Praticamente todas elas bancadas com dinheiro público. E tudo isso também significa a elitização do futebol, com a expulsão dos trabalhadores pobres, principalmente jovens e negros, dos estádios de futebol.

    Com os Megaeventos, que se tornaram a Copa da FIFA, só no Rio de Janeiro foram removidas quatro mil e setecentos e setenta e duas (4.772) famílias. Nesse processo, bairros populares e antes esquecidos pelos governos são modernizados e os trabalhadores pobres expulsos. Como o caso da Zona Portuária do RJ e de Cais de Estelita no Recife. Empreendimentos de grandes empresas direcionados apenas para ganhar mais lucro com rendas imobiliárias. Nesse processo temos o encarecimento do preço dos alugueis e dos imoveis que jogam os trabalhadores para mais longe desses bairros. Durante a Copa aumenta os casos de exploração sexual, consentida pelo Estado. Além disso, o Estado aumentou a repressão e a criminalização das lutas para garantir o lucro dos patrões.

fifa-world-cup-brasil-2014-altagreer-arabic    Contra todas as consequências do megaevento, e não contra o Futebol, que o Levante Popular de 2013 ousou enfrentar o Estado e as Grandes Empresas cantando: “Não Vai Ter Copa”! Uma vez que a paralisação da Copa do Mundo teria efeitos econômicos e ideológicos, pois destruiria o mito da invencibilidade do sistema capitalista além de comprometer os investimentos.  E a estratégia que o levante inaugurou foi a ação direta para culminar na greve geral. O grito de ordem: ““é barricada, greve geral! Ação direta que derruba o capital”” surgiu do levante e continua nas mobilizações de ruas.

Por que defendemos a Greve Geral?

    O Estado e a burguesia, com ajuda das burocracias sindicais (CUT, CTB, Força Sindical, UGT, CSP-Conlutas, CGT e Intersindical) tentam controlar os protestos. Os governistas (PT-PCdoB) e os patrões saíram a defender o capital nacional e internacional, se colocando contra os protestos e a unificação das lutas das categorias. O PT e os publicitários criaram a palavra de ordem “Vai Ter Copa”. Os para-governistas (PSOL, PSTU) criaram a palavra de ordem “ Na Copa Vai Ter Luta” que marca uma oposição consentida. Dentro da ordem. Disposta a assumir o controle do governo.

    Os partidos e centrais argumentam que os trabalhadores são a favor da copa da FIFA e contra os protestos e que, portanto, não se mobiliza. Os setores ligados ao PSOL e PSTU fingem que se mobilizam, numa espécie de luta de telecatch. Os dois partidos fizeram de tudo para que a campanha “”Não Vai Ter Copa”” não chegasse a diversos setores, como dos servidores públicos. Realizaram um encontro de cúpula para a campanha “Na Copa Vai Ter Luta” e impediram todas elas, como nos metroviários de São Paulo.

    Com isso, eles combateram por todos os meios a construção da greve geral. A estratégia da Greve Geral assusta todas as centrais e partidos. A primeira manifestação de uma greve geral surgida no calor do Levante ganhou os pontos de ônibus, botequins, bares, padarias, mercados, as estações de trem e metro do país. Logo todos os partidos e centrais se juntaram para impedi-la. A greve geral é estratégia principal da ação direta, de unificação da luta de todos os trabalhadores. Os partidos sabotaram a formação de um comitê intersindical de greve formado por comitês de greves à partir da base para apostar em plenárias de correntes sindicais.

    E nas categorias em que as centrais e partidos têm protagonismo tentaram impedir as greves ou fazer com que estas se adéquem ao legalismo, evitando “prejuízos” ao funcionamento do sistema durante a Copa (como aconteceu na greve dos rodoviários do Rio de Janeiro). Na realidade não é que a palavra de ordem não encontre eco entre os trabalhadores. Ao contrário, ela surgiu deles. Não é que seja impossível. O fato é que governistas e paragovernistas trabalham sistematicamente contra a greve geral. Eles trabalham como bombeiros para evitar que o fogo da rebelião se alastre. Que eles percam o controle. E aí não sirvam para mais nada. Eles são parte dos fatores que dificultam esse processo. Por isso combater a burocracia sindical é tão importante, por isso não basta lutar, é preciso construir o sindicalismo revolucionário como forma de organização de massas.

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Confronto entre povos indígenas e forças policiais na esplanada dos ministérios impediu a visitação da taça na capital federal.

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Artigo publicado no Causa do Povo nº 70. Leia a edição completa CLICANDO AQUI.

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