Em Defesa da Ação Direta de Massas: por um Programa de Reivindicações Populares

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Os protestos e greves que hoje acontecem no Brasil possuem métodos e reivindicações muito diferentes dos sindicatos e partidos tradicionais, sejam eles governistas (CUT, PT e PCdoB) ou paragovernistas (PSTU, Psol e Conlutas). A ação direta foi experimentada por amplas massas de trabalhadores, nas ruas e nos locais de trabalho, moradia e estudo.

Mas o que é a Ação Direta? É quando o povo decide não esperar mais que outros resolvam seus problemas, sejam eles parlamentares, sindicalistas ou líderes. Um exemplo recente são os diversos setores que entraram em greve a despeito dos acordos feitos pelos sindicalistas traidores e demonstraram que podem conquistar mais através da luta coletiva e do enfrentamento direito. Não esperaram a salvação de ninguém a não ser deles próprios. Por isso a ação direta é mais do que ações violentas e “quebra-quebras”, ela é autodeterminação da classe trabalhadora.

Portanto, só existe verdadeira ação direta com autonomia de partidos e patrões. Os partidos buscam a todo momento se apropriar das demandas populares para conseguirem cargos no Estado ou para sentarem nas mesas de negociação em nome dos trabalhadores. Fazem isso pois não acreditam realmente na mudança social pela mobilização das massas, e sim pelas eleições e meios burocráticos. Acreditam demais em si mesmos e não no poder do povo. É por esse motivo que tentam canalizar as atuais lutas para um falacioso “plebiscito por uma assembleia constituinte”, enquanto isso, buscam “pacificar” e desmobilizar as lutas e greves.

Por outro lado, as reivindicações dos protestos romperam um corporativismo defendido a anos por partidos e centrais sindicais. O que as massas rejeitaram em alto e bom som foi esse modelo sindical, vendido como “pragmático”, mas que só beneficia uma pequena parcela sindicalizada e integrada da classe trabalhadora e que para a grande maioria não trouxe qualquer direito, apenas uma maior marginalização e precarização. Por isso as reivindicações por educação, saúde, transporte e moradia foram tão exaltadas e devem ser defendidas como reivindicações classistas e coletivistas, ou seja, não corporativas..

No entanto, só existe um meio real de unificar a ação direta com as reivindicações coletivistas: a construção da greve geral. Para tal, a classe trabalhadora deve romper os grilhões que a prendem ao oportunismo e ao reformismo, que impedem a sua constituição como força coletiva independente e oposta a burguesia e ao Estado. Deve romper os métodos que a aprisionam numa oposição consentida e inofensiva, que retiram seu poder real de mudança e depositam em candidatos e líderes oportunistas. Deve dizer: Chega de Ilusão, É Hora de Ação!

Porém, como aprofundar e prolongar os métodos de ação direta e reivindicações coletivistas? Camaradas, de uma coisa temos certeza, não podemos deixar que elas se dispersem e se percam, é necessário que elas deságuem em um novo tipo de organização de massas, que crie uma nova tradição de lutas em nosso país.

Para tal, é necessário que em cada enfrentamento com os opressores e burocratas (dos menores aos maiores conflitos) emerja um grupo autônomo de trabalhadores dispostos a prolongar a experiência e resistir aos períodos difíceis da luta. Esses grupos de oposição, espalhados pelos quatro cantos do país, em seus locais de trabalho, estudo e moradia, devem se interligar em uma organização maior, de caráter Sindicalista Revolucionária. Camaradas, essa é a via que nós estamos construindo e depositando nossas forças e energias, convidamos todos para o caminho da luta e não o da conciliação.

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Artigo publicado no Causa do Povo nº 70. Leia a edição completa CLICANDO AQUI.

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