O Imperialismo e a Divisão do Iraque

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Braço armado do Estado Islâmico do Iraque e Levante (EIIL)

Depois do atentando sobre as torres gêmeas no EUA em 2001, o governo de George W. Bush, dos EUA, e de Tony Blair, da Inglaterra, invadiram o Iraque em 2003 e destruíram o Estado comandando por mão de ferro pelo Partido Baath (Nacionalista Árabe, de maioria Sunita – um ramo do islamismo) de Saddam Hussein sobre a justificativa, falsa, de armas de destruição em massa. Em busca de uma ação rápida para os interesses do imperialismo, de controle de reservas energéticas, petróleo, e de controle político, militar e estratégico da região, apoiado por Israel e as monarquias do golfo pérsico, os americanos e britânicos destruíram o Estado iraquiano, dividindo-o.

A partir de então se iniciou uma guerra civil pelo controle do “novo” Estado iraquiano e uma luta de resistência contra as tropas imperialistas. Uma parcela de grupos étnicos políticos locais Curdos e Xiitas, que estavam fora do poder durante o governo de Saddam Hussein, apoiaram a invasão. Por sua vez, os EUA e a Inglaterra sustentaram a formação de um governo fantoche composto por Curdos, Xiitas e Sunitas. Entretanto, os conflitos se acirraram na medida em que antigos grupos fora do poder passaram a se vingar. Não houve aliança possível para o controle compartilhado do Estado Neoliberal proposto pelos EUA e aceito pelas classes dirigentes desses grupos étnico-políticos e religiosos.

Assim, a política da OTAN, de Israel e dos EUA para o Iraque passa pelo redesenho e a divisão de todo oriente médio. O desmantelamento do Iraque aumentou a resistência a ocupação com grupos vinculados a rede da Al Qaeda. De origem Sunita, composto por Jihadistas de várias partes do mundo, esse grupo criou o Estado Islâmico do Iraque e Levante (EIIL), com leis baseadas em textos religiosos do Islã, formando um novo Califado, também patrocinado pelos EUA. Os rebeldes da Frente Al Nursa e do EILL são vinculados as forças paramilitares patrocinadas e treinadas pela aliança militar ocidental. Não por acaso, romperam com Al-Qaeda para se concentrar na luta pela formação desse Estado que compreende o Nordeste da Síria e quase todas a regiões de maioria árabe sunita do Iraque.

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Gravura mostra parcialmente a divisão geopolítica do Iraque

A fundação do Estado Islâmico do Iraque, do Califado, está vinculado a agenda dos EUA para retalhar o Iraque e a Síria em mais dois territórios separadas: uma república xiita árabe e a República do Curdistão. Esse projeto conta com apoio dos israelenses e das ditaduras e monarquias absolutas do Kuwait, Catar, Arábia Saudita e Emirados.

Portanto, o EILL está vinculado tanto a problemas internos da região como a ação do imperialismo nos países árabes e na Ásia Central há algumas décadas. Nos anos 80 os EUA apoiaram os Mujaheddin (grupos étnicos-políticos-religiosos) no Afeganistão contra a União Soviética, assim como tem apoiado as milicias e forças paramilitares sunitas que passaram a atacar os xiitas.

Portanto, de um lado temos um bloco americano, com Israel, Arábia Saudita e as monarquias do golfo, redesenhando todo aquele território, para seu maior domínio político, militar e econômico. Do outro lado está o Irã, o grupo libanês Hezbollah e a Síria, contando com o respaldo da Rússia, e resistindo a esse projeto. As disputas entre esses dois blocos e a ação imperialista que favoreceu o jihadismo global, que se concentra agora na formação do EILL, não favorece a classe trabalhadora desses países. Todos esses Estados se colocam ao lado da classe dominante. Aos trabalhadores não cabe a defesa de um dos dois blocos políticos, a formação de um Estado controlado por determinados grupos políticos. É necessária a construção do autogoverno dos trabalhadores que passa pelo resgaste do internacionalismo e da revolução socialista.

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Artigo publicado no Causa do Povo nº 70. Leia a edição completa CLICANDO AQUI.

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Uma resposta para O Imperialismo e a Divisão do Iraque

  1. antonio disse:

    Fique de olho na Coréia do Norte

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