A greve dos metroviários de São Paulo e a capitulação das direções sindicais

metroviarios-spNo início do mês de junho, deste ano, eclodiu em São Paulo uma greve dos trabalhadores metroviários, que durou cerca de uma semana. Desde o início da greve, a direção do sindicato dos metroviários, liderada pelo PSOL e PSTU, tentava a todo custo negociar as estratégias de luta com o Governo, demonstrando o seu verdadeiro papel. Chegaram ao cúmulo de jogar para o governo a decisão de liberar ou não a catraca do metrô, e é claro que não foi feito.

A justiça burguesa deu sua declaração, de que a greve deveria fornecer 100% do serviço nos horários de pico e 70% nos horários normais. No entanto, os trabalhadores não se intimidaram e paralisaram todo o serviço. Os trabalhadores foram duramente reprimidos, mas se colocaram firmemente na resistência, entrando em confronto com as forças repressivas, demonstrando (assim como a greve dos garis, dos rodoviários e dos professores) o poder da ação direta das massas, que organizada consegue resistir aos ataques do Estado burguês.

A greve foi decretada ilegal pela justiça, mas os trabalhadores se mantiveram em greve e, em seguida, outra medida de repressão foi executada, quarenta e dois trabalhadores foram demitidos, acusados de causar o caos na cidade. Assim, a luta dos Metroviários assumiu uma nova reivindicação, a de readmissão dos companheiros demitidos, além de que apresentava uma preocupação não apenas para o governo do estado de São Paulo, com a aproximação da abertura da Copa do Mundo.

Ao passar dos dias, a resistência se manteve bastante forte, enfrentando bravamente as forças de repressão do Estado (polícia, justiça, mídia etc). Apesar disso, no dia 9 de junho a greve foi finalizada. O que levou à decisão de finalização da greve e ainda, a decisão posterior de não retomarem a paralisação no dia de abertura da Copa, tendo em vista que uma paralisação dos transportes durante a Copa daria aos trabalhadores um imenso poder de pressão para aprovação de suas pautas?

A aproximação da Copa colocou em evidência o verdadeiro lado da direção burocrata do sindicato dos Metroviários. Como afirmamos na edição nº 70 do jornal Causa do Povo, de julho, os paragovernistas (PSOL e PSTU) fizeram o possível para empurrar goela abaixo a palavra de ordem “Na Copa vai ter luta”, evitando que o grito de ordem “Não vai ter Copa!” chegasse às bases das diversas categorias que dirigem através dos sindicatos burocratizados.

Através de um discurso de que as estratégias combativas utilizadas pelos trabalhadores não estavam dando resultado e não atingiam o Governo Alckmin, a direção do sindicato pautou a defesa de mudança de estratégias, paralisando imediatamente a greve, garantindo o início da Copa do Mundo, defendendo claramente ações de cunho pacífico, legalistas (abaixo-assinados, passeatas pacíficas, etc), que não forneceram naquele momento nenhum poder de pressão real para que as pautas fossem alcançadas. O ápice do peleguismo foi quando, em uma marcha em solidariedade aos metroviários, a polícia reprimiu os manifestantes nas proximidades da sede do sindicato e os paragovernistas se encastelaram dentro do sindicato, isolando aos setores identificados como “black blocs”, deixando estes a mercê da repressão policial.

O aumento da repressão contra as greves é um dos fatores que assusta bastante os trabalhadores, que acabam engolindo o discurso dos reformistas da retomada do pacifismo. No entanto, a ampliação das forças repressivas significa que as estratégias combativas adotadas são corretas, pois são as únicas capazes de, em uma conjuntura de crise e arrocho salarial (quando as vias de diálogo e negociação estão fechadas), conquistar vitórias para os trabalhadores e são as únicas que colocam em risco a ordem burguesa. É por isso que a resposta do Estado é imediata, para a garantia do modelo atual e da reprodução do sistema capitalista.

Nesse sentido, afirmamos a necessidade da Ação Direta, de modo que os trabalhadores se organizem não só para o combate nas ruas, mas também nos locais de trabalho, para derrotar as burocracias sindicais que se utilizam de todas as formas para apagar a vontade de luta que surgem nas bases. A greve dos Metroviários é mais um exemplo disso, da força das bases organizadas, assim como do papel assumido pela burocracia sindical para garantir que o conflito não ultrapasse os limites estabelecidos pelo Estado.

O peso político que teve a greve dos metroviários foi grande, e quando da sua derrota, o peso negativo sobre o movimento geral de greves também o foi. As palavras de ordem radicais de “catraca livre” e “greve unificada na abertura da Copa” foram substituídas pela súplica ao governo, pelas posturas temerosas e covardes do PSTU e PSOL nas manifestações de rua, pelas campanha legalistas e nenhum instrumento concreto de pressão.

Porém, naquele momento, e ainda hoje, outras greves espontâneas pipocaram pelo país e também foram burocratizadas e/ou derrotadas por falta de uma linha clara e correta para situações de confronto com patrões e governos. Isso coloca sobre os anarquista e revolucionários uma grande responsabilidade. É necessário destruir o governismo e o reformismo, e ao mesmo tempo construir uma nova força coletiva dos trabalhadores. Para tal, uma estratégia revolucionária (que pressuponha a construção de movimentos grevistas e reivindicativos como expressões de um novo poder) deve estabelecer também medidas práticas de luta, formas organizativas, palavras de ordem que expressem as tarefas do momento, assim como táticas de ação que contribuam para a unificação dos setores combativos do proletariado. Isso é o que nas Declarações do nosso II Congresso identificamos como uma etapa de “construir a unidade proletária”, ou seja, unir aquilo que o capital, o Estado e as burocracias sindicais fragmentaram. É um momento propício para desencadear uma nova ofensiva contra as direções pelegas do movimento sindical-popular (que dessa vez vem atingindo não apenas os govenistas, mas também os para-governistas que se colocaram anteriormente como “alternativa”). Porém, esse momento acumula também as tarefas mais elementares de organizar os setores ainda desorganizados, criar novas frentes de luta, e desenvolver uma maior organicidade entre o próprio setor combativo já existente e atuante.

A greve dos metroviários de SP demonstrou de maneira exemplar e a nível nacional os limites e a incapacidade de uma direção reformista, mesmo de oposição. O conflito entre direção e base se expressa em cada um desses episódios e se constitui na matéria prima do sindicalismo revolucionário. Uma nova e verdadeira alternativa para a classe trabalhadora só poderá surgir da destruição das velhas burocracias.

Morte ao Reformismo!
Reconstruir o Sindicalismo Revolucionário!
Avante as oposições sindicais, populares e estudantis!

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