[MÉXICO] Frente aos assassinatos, desaparições e detenções… Organizar a luta rebelde e combativa!

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Protesto de professores de Guerrero/México pela aparição dos estudantes.

Por SOLIDARIDAD PROLETARIA, jornal anarquista revolucionário

Uma nova onda repressiva se espalhou pelo país nos últimos meses contra aquelas e aqueles que se opõem parcial ou totalmente às medidas dos governos nacionais e municipais.

A chegada em 2012 de Peña Nieto ao poder deu continuidade a política de militarização e despojo que os últimos governos haviam mantido. A aplicação das chamadas Reformas Estruturais atacaram econômica e socialmente milhões de trabalhadores, camponeses, estudantes, indígenas, etc.

O saque se generaliza e se estende pelo país. A chamada Reforma Energética legalizou e aprofundou as práticas de despojo e rapina que já realizam as empresas mineradoras, extrativistas, etc. Derivado disso, dezenas de comunidades indígenas e camponesas são alvos dos ataques vorazes de capitalistas estrangeiros e nacionais. Velhos projetos são desengavetados para ser agora aplicados pela força, como em Atenco. 

Com a desculpa da “guerra contra o narcotráfico” as cidades e campos se militarizaram. Nunca na história do país existiu tantos “agentes de segurança” e ao mesmo tempo a violência indiscriminada persiste no país e sob ela se encobre o ataque as/os opositores ao regime.

O caso Ayotzinapa

Em 26 de setembro agentes municipais da cidade de Iguala, estado de Guerrero, abriram fogo em reiteradas ocasiões contra ônibus de estudantes da Escola Normal Rural de Ayotzinapa “Raul Isidro Burgos” matando estudantes, transeuntes e inclusive membros de uma equipe esportiva que viajava em outro ônibus.

Depois do ardiloso ataque, os policiais detiveram e sumiram com 43 jovens normalistas. Até o momento da redação deste periódico, encontraram diversas valas comuns na região, mas não se confirmaram a identidade dos cadáveres nem o paradeiro dos desaparecidos.

Por declarações de estudantes que puderam escapar, se sabe que os normalistas foram levados a instalações da polícia municipal e desde estão desaparecidos. Quer dizer, a autoria do governo municipal está fora de qualquer dúvida.

O conhecimento do fato por parte de militares e policias estatais, apesar de não ter se comprovado, é um segredo falado nas proximidades de instalações militares aos lugares das primeiras emboscadas e a presença de retenções estatais também nas imediações da zona.

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Manifestantes queimam retrato do governador de Guerrero, Ángel Aguirrer Rivero.

O narcotráfico, os partidos políticos e o Estado

A partir da data deste terrível fato, os porta-vozes do governo através dos meios de comunicação de massas tem insistido que os fatos foram perpetrados por sicários de cartéis de drogas, e tem tentado desvincular o estado, em seus três níveis de governo, da responsabilidade neste fato.

No momento de demonstrar à luz do dia a completa participação da polícia municipal, tanto o governo estatal como a federação apontaram todas as forças acusando o prefeito.

Agora, como já dissemos, o conhecimento – ao menos – do governo estatal e federal são mais que provável, já que esta não é a primeira vez que se atenta contra lutadores sociais e organizações populares em Guerrero sob este governo, nem tampouco por parte do governo de Peña Nieto.

A insistência dos meios de comunicação em separar o narcotráfico do governo é uma falácia. Todos nós no México sabemos há muitos anos que é impossível separar estas duas estruturas, pois formam uma só. Os cartéis tiram e põem funcionários, e os governantes recebem dinheiro e protegem um cartel em detrimento de outros. Por isso, em outros números anteriores deste jornal nós indicamos “não há uma guerra contra o narco, há uma guerra ENTRE narcos”.

O PRD: reformista e assassino

Não é casual que a maior repressão de dezenas de anos tenha se dado em um estado governado pela “esquerda”. Esta esquerda domesticada, gandalla, para-priísta (para-governista) se desenvolveu de 1988 até a data atual em uma caricatura grotesca do priísmo clássico.

Desde a repressão a greve do CGH na UNAM, dos homicídios sem resolução de Digna e Pavel, passando pelas prisões anti-anarquistas em México-DF, uma após a outra as administrações perredistas demonstraram seu sadismo, sua corrupção e seu caráter antipopular.

Há em Guerrero nos últimos anos uma escalada violenta contra o povo e suas organizações, escalada que alertamos nestas páginas, onde camponeses, ecologistas, professores, normalistas, indígenas, guerrilheiros, etc. caíram pelas balas do governo “progressista” do PRD.

Hoje o PRD nas pessoas do governador e do prefeito de Iguala conseguiram enfim sua meta: escrever na história uma página sádica igual a dos seus progenitores e mestres priístas. Que não haja engano, o PRD é um dos responsáveis nesse ato.

A guerra aberta contra o povo e suas organizações

Este brutal golpe não conhece precedentes no país, já que um desaparecimento forçado e coletivo e de uma só vez. O caso mais parecido na história recente do país são os massacres de 02 de outubro de 1968 e a matança de Acteal em 1997, quer dizer, em números macabros é “maior” – quantitativamente falando, já que todas são igualmente condenáveis – a outras atrocidades cometidas pelo Estado mexicano como a matança do bosque, del charco, de aguas blancas, etc.

Existe hoje no país uma clara guerra aberta entre aqueles que estão impondo um sistema elitista e saqueador, e aqueles, que contra estas medidas estão opondo-se desde suas comunidades, bairros, escolas e locais de trabalho. E Ayotzinapa é uma demonstração disso, uma demonstração que nos salta a vista e que nos convoca a tomar nosso lado nesse conflito.

A matança de Iguala mostra até onde estão dispostos a chegar os governantes e empresários para aprofundar a imposição de seu modelo de despojo e superexploração.

A oposição não pode ficar restringida a pronunciamentos e marchas. É urgente desenvolver a mais ampla solidariedade entre os setores em luta e empreender ações que ultrapassem os protestos rotineiros. O bloqueio, as barricadas, a autodefesa, a sabotagem, a ocupação de órgãos e meios de comunicação, etc. é a única via para enfrentar os golpes dos de cima. Temos que impulsionar um movimento nacional combativo e classista, que agrupe as distintas forças em luta e que radicalize as lutas a nível nacional.

Basta de dar a outra face!

Pela aparição dos desaparecidos!

A justiça será conquistada nas ruas!

Por nossos mortos, por nossos presos!

Devolver golpe por golpe ao governo e aos ricos!

***

Este texto foi retirado do jornal SOLIDARIDAD PROLETARIA nº 15. Para ler na íntegra CLIQUE AQUI.

http://solidaridadproletaria.wordpress.com/

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