Por Alexis, Nikos Romanos e todos os anarquistas presos e assassinados!

Manifestação em solidariedade a Nikos Romanos. Istambul, dezembro de 2014.

Manifestação em solidariedade a Nikos Romanos. Istambul, dezembro de 2014.

Reproduzimos abaixo o relato enviado a nós pelos camaradas da Ação Anarquista Revolucionária (DAF) da Turquia, onde estão desenvolvendo uma campanha em solidariedade a Nikos Romanos, preso políticos e anarquista grego, e em memória ao camarada Alexis, que a seis anos era assassinado pela polícia no bairro de Exarchia. A morte de Alexis, em 2008, desencadeou uma onda de revolta que ecoou por todo o mundo e incendiou as ruas de Atenas. Hoje, nós vivemos uma conjuntura mundial de radicalização da luta de classes, e a repressão policial-militar é a arma da burguesia quando a conciliação e cooptação perdem a efetividade. Seja no México, em Kobane, em Istambul, no Brasil, na Espanha ou na Grécia, nós estamos vendo uma escalada repressiva: leis de segurança nacional, prisões políticas, execução de opositores, perseguição a imprensa. A resposta proletária e revolucionária é a ampliação da luta sob um novo patamar, sob novos métodos organizativos e uma nova direção. As bandeiras negras crescem na medida em que amplia-se a revolta do povo trabalhador.

Toda solidariedade a Nikos Romanos!

Por nossos mortos, nenhum minuto de silêncio, toda uma vida de luta!

Liberdade aos presos políticos!

Avante o anarquismo revolucionário! 

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Ação Anarquista Revolucionária (DAF), Turquia.

Hoje, estivemos nas ruas por Alexis, que foi assassinado pelo Estado Grego, e Nikos Romanos , que está em greve de fome há 26 dias contra a repressão do mesmo Estado.

Hoje, nós estivemos nas ruas por nossas irmãs e irmãos que foram assassinados enquanto resistiam na Grécia, em Ferguson, no México, em Kobane.

Hoje, estivemos nas ruas por Berkin, Ali Ismail, Ethem, Arin, Kader, Suphi Nejat.

Enquanto os estados estão matando nossos irmãos e irmãs ao redor do mundo; nós, anarquistas revolucionários estivemos nas ruas com nosso ódio aos Estados, capitalistas, empresas e assassinos.

Até que a polícia bloqueou nosso caminho e nos atacou com balas de borracha, bombas de gás e cassetetes; eles não poderiam ter sucesso em conter nossa fúria. Nós resistimos com nossas bandeiras negras hasteadas enquanto entoavamos os nossos gritos de ordem.

Esta paixão pela liberdade está crescendo; o ódio alimentado pelo assassinatos cometidos pelo Estado incendeia a nossa rebelião.

Ação Anarquista Revolucionária (DAF) sauda o camarada Nikos Romanos e sua resistência.

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ato-istambul-soli-romanos2Atualmente, com todo o ódio contra os poderes que tomam vidas, com a convicção em um mundo livre, as bandeiras negras tremulam em todo o mundo. Contra empresas que exploram nosso trabalho para lucrar mais; contra Estados que matam muitos de nós em nome das fronteiras que eles desenharam; contra todos os poderosos que enchem seus bolsos com as nossas vidas que são destruídas, fazendo-nos mais pobres e fazendo os ricos mais ricos; a rebelião está viva na fúria no anarquismo. A fúria contra patrões, empresas, assassinos e Estados, está se propagando a pleno vapor junto às bandeiras negras. O sofrimento por termos sido esquecidos, desaparecidos e mortos, está agora se tranformando em ódio, e as ruas estão queimando com a fúria por todos os lados.

Exatamente há seis anos, no bairro ateniense de Exerchia, Alexandros  Grigoropulos, então com dezesseis anos, era assassinado por ser um anarquista. Assassinado por um policial, com o projétil de sua arma, por ter transformado sua fúria em rebelião e então ganhado as ruas, exigindo os responsáveis pelas vidas que estavam sendo tomadas, porque ele não obedeceu aos poderosos e resistiu até as últimas consequências pela liberdade. No dia 6 de dezembro de 2008, a bala que atrevessou o peito de Alexis se transformou no fogo da revolta nas ruas. Ainda que os assassinos continuassem seus ataques, a raiva contra aqueles que silenciaram um coração que batia por liberdade incendiou as ruas em Atenas, Tessalônica, em Istambul e por todos os lugares.

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Forças policiais chamadas a reprimir a manifestação de solidariedade na Turquia.

Nikos Romanos, que esteava com Alexis no dia em que ele foi morto e que também tem a mesma convicção por um mundo de liberdade, está agora aprisionado por ser um anarquista. Romanos foi feito prisioneiro por não se silenciar frente à injustiça, porque ele não desistiu apesar da ato-istambul-soli-romanos3repressão do Estado, porque, com a mesma convicção de seu camarada assassinado, ele continuou na luta contra todos os poderosos. Aqueles que acreditam que podem exterminar a luta matando Alexis, estão agora fazendo Nikos prisioneiro, esperando parar um outro coração que bate pela convicção no anarquismo. Como em 2008, as ruas estão repletas de ódio contra o Estado que continua a atacar Romanos com seu isolamento, opressão e tortura. Como Romanos permanece em greve de fome desde 10 de novembro, outros camaradas anarquistas em cativeiro entraram em greve de fome em solidariedade; universidades foram ocupadas; e a mesma voz ecoa nas ruas em chamas, resistindo nas celas: “Enquanto permanecermos vivos e respirando, vida longa à anarquia!”

No México, 43 estudantes que resistiam às políticas dos poderosos ceifando seus futuros, desapareceram pelas mãos do Estado; e seus corpos apareceram em valas comuns dias depois. Apenas por serem negros, as pessoas alvo da repressão fascista do governo, se tornam alvo das balas disparadas pela polícia; e aqueles que resistem sendo levados sob custódia são estrangulados e mortos pela polícia. Muitos dos nossos irmãos como  Berkin, Ethem Ali e Ahmet que lutaram por suas vidas, foram mortos pela polícia do Estado. Enquanto aqueles que resistem em Kobane para criar uma nova vida, como Arin,  como Suphi Nejat, como Kader, são mortos pelas quadrilhas, pelas tropas e soldados do Estado; aqueles que estão nas ruas em cado canto da região abraçando a resistência em Kobane, como Hakan, como Mahsun, se tornam alvos da polícia assassina do mesmo Estado…

Confronto entre anarquistas e forças policiais em Istambul.

Confronto entre anarquistas e forças policiais em Istambul.

Onde quer que os que exigem que a injustiça seja reparada, que resistem para conseguir suas vidas, que lutam por sua convicção na liberdade estejam nas ruas, há o endereço para a opressão, tortura e massacre. Os opressores pensam que podem desencorajar aqueles que nãos os obedecem prendendo-os, sequestrando-os, assassinando-os; um grito de liberdade se eleva em uma região e ecoa por todas as direções. Das celas desde Atenas até o México, das Ruas desde Ferguson até Istambul, até o território livre de Kobane, a convicção de um mundo novo se propaga a todo vapor. Agora, está paixão pela liberdade está crescendo; a raiva pelos assassinatos está acendendo o fogo da revolta em nossos corações.

Esta revolta é contra os poderes que roubam nossas vidas, que pretendem destruir nossa liberdade, que nos matam. Esta revolta é contra o capitalismo e contra os Estados. Essa revolta é contra todos os tipos de cativeiro.

Com essa revolta por liberdade em nossos corações, o anarquismo cresce em cada parte do planeta.

E nossa luta se extende de um canto do planeta a outro, carregado pelo balançar das bandeiras negras.

 Vida longa à Revolução, vida longa à anarquia!

 Ação Anarquista Revolucionária (DAF)
 Ação Anarquista Secundarista (LAF)
 Juventude Anarquista
 Mulheres Anarquistas
 MAKI
 TAÇANKA

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