O que se passa na Grécia de Syriza?

Tsipras (Syriza) e Kammenos (Anel) consumam coalizão entre "nova" socialdemocracia e direta conservadora.

Tsipras (Syriza) e Kammenos (Anel) consumam coalizão entre “nova” socialdemocracia e direta conservadora.

“um parlamento burguês nunca poderá fazer mais que legislar a respeito da escravidão do povo” (BAKUNIN)

A eleição do Syriza – partido composto de várias correntes políticas, em certa medida semelhante ao PT e PSOL – na Grécia gerou uma grande expectativa nos partidos políticos eleitorais na Europa e na América Latina. Anunciada a vitória o Syriza se aliou ao partido de direita-conservador, Gregos Independentes (Anel), para obter maioria parlamentar e assim conseguir aprovar as medidas anunciadas durante a campanha. Na composição governamental o partido conservador ficou com o ministério da Defesa, sendo Panos Kammenos, líder dos Gregos Independentes, o ministro. Além disso, Anel e Syriza elegeram o político conservador do partido Nova Democracia, Prokopis Pavlopoulos, como presidente da Grécia. Confirmou-se assim a política de unidade nacional com setores conservadores “críticos a austeridade”.

A mais de uma década protestos de massa e ações diretas tomam conta da Grécia em virtude da situação política, econômica e social. Manifestações nas ruas por direitos sociais, solidariedade com prisioneiros políticos e campanhas antifascistas foram em boa parte estimulada e realizada pelos grupos anarquistas gregos. Além do apoio e participação em greves. O partido comunista (KKE) tem sua força principal no setor privado e entre os camponeses.

Todo essa mobilização dos trabalhadores gregos e pequenos grupos, e a corrupção e guinada do PASOK ao neoliberalismo, ajudaram, em certa medida, a catapultar o Syriza. Isso fica evidente com a baixa votação do PASOK (Partido Socialista) que ficou com apenas 4% dos votos depois de obter 44% em 2009. Ou seja, o partido que disputava o poder na Grécia com o Nova Democracia (Liberal) a mais de duas décadas perdeu completamente sua força eleitoral, provavelmente com uma migração dos votos de seus antigos eleitores para o novo partido socialdemocrata. A percentagem de abstenção do processo político grego se mantém acima dos 35% desde as eleições de 2012.

Em 2007, a percentagem de eleitores que não votaram nas eleições legislativas foi de 27,8%. Dois anos depois chegou a 30,9%. Em 2012 houve dois turnos eleitorais, um em Maio e outro em Junho. No primeiro, 36,44% dos eleitores não votaram. No segundo, a abstenção foi de 38,15%. Nas eleições de 2014 a abstenção foi de 36,16%. O que representa uma descida face aos 38,15% observados nas eleições legislativas de Junho de 2012, mas no mesmo número da primeira eleição de 2012. Uma grande parcela dos trabalhadores se abstêm de participar da política burguesa.

A Política do Syriza: a ilusão social-democrata/eurocomunista

O Syriza mantém sua política de permanência na Zona do Euro e consequentemente de apoio ao militarismo imperialista da OTAN. Isso fez com que o próprio partido não se aliasse com o Partido Comunista, KKE. E isso apesar dos comunistas serem maior no parlamento que o partido Anel, já que este último diminuiu em relação a legislatura anterior. Essa posição pró-UE/OTAN do Syriza já estava clara nas eleições de 2012 quando o partido somou 26,89% dos votos. Nos últimos 10 anos os gastos militares representam em média 3% do PIB do país. Os gastos cresceram entre 2009 e 2011, para voltar a níveis anteriores de 2009 no ano seguinte (2012). França e Alemanha são os maiores fornecedores de armas e suprimentos bélicos para o país. Essa compra também representam gasto com serviços oferecidos pelos conglomerados militares que nos últimos 10 anos já chegaram a quase 10 bilhões de euros.

A proposta do novo governo liderado pelo Syriza é manter a Grécia na UE/OTAN e renegociar a política econômica imposta pela troika (FMI, BCE e Comissão Europeia) e aceita totalmente pelo governos anteriores do PASOK e da Nova Democracia. Não por acaso, o giro pós-eleição do Ministro das Finanças grego foi recebido com o apoio da Inglaterra de David Cameron e da França de François Hollande. Tendo em vista a resistência declarada do governo alemão em manter as regras do pacote econômico, o ministro das finanças da França saiu em defesa do “financiamento seguro” da Grécia pela troika.

As medidas atualmente anunciadas pelo governo não revertem e nem aponta a possibilidade real de avanço da luta contra o arrocho aos trabalhadores, se inserindo numa lógica de unidade nacional para reformar e modernizar o capitalismo no país. 

Assim, o Syriza não coloca no horizonte a construção do autogoverno dos trabalhadores e camponeses gregos, e do socialismo, muito pelo contrário. Se coloca como defensor de medidas que buscam salvar e ajustar a combalida econômica capitalista grega, como as chamadas medidas de estímulo a economia nacional para atender aqueles na miséria absoluta. Além disso, procura direcionar o movimento de massa estudantil e sindical para a falida disputa eleitoral, ou seja, para a integração sistêmica. E mais, não há rompimento efetivo com a UE-OTAN. Se mantém os presos políticos gregos, como o anarquista Kosta Sakkas e centenas de outros camaradas!

Construir o Sindicalismo Revolucionário!!
Abaixo o Militarismo e o Imperialismo da OTAN-UE!!!
Liberdade aos Presos Políticos!!!

greece

Anúncios
Esse post foi publicado em Uncategorized. Bookmark o link permanente.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s