“Frente de esquerda pelas reformas populares”: o novo engodo dos oportunistas

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MTST, MST, CUT, PSOL e outros formam Frente. Qual o destino desta aliança com os governistas?

Após as eleições de 2014, alguns movimentos sociais, partidos e centrais sindicais estão se articulando por uma “frente de esquerda” contra o “golpismo de direita” e por “reformas populares”. Esta frente foi convocada pelo MTST (Movimento de Trabalhadores Sem Teto) na figura de Guilherme Boulos, em dezembro do ano passado, e conta desde o princípio com um grande arco de alianças com as burocracias sindicais e partidárias. Entre os signatários da “Frente”, estão: Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST), Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), Central Única dos Trabalhadores (CUT), Partido Socialismo e Liberdade (PSOL), União Nacional dos Estudantes (UNE), Intersindical e Partido Comunista do Brasil (PCdoB).

Em uma segunda reunião em São Paulo, no dia 19 de janeiro, foi estabelecido um manifesto da “Frente Pelas Reformas Populares” com quatro eixos: “1 – Luta pelas Reformas Populares; 2 – Enfrentamento das pautas da direita na sociedade, no Congresso, no Judiciário e nos Governos; 3 – Contra os ataques aos direitos trabalhistas, previdenciários e investimentos sociais; 4 – Contra a repressão às lutas sociais e o genocídio da juventude negra e pobre e periférica”. Porém, nessa reunião não se avançou em pontos concretos da luta popular, apenas nesses princípios genéricos. Tendo em vista que o espaço só deliberava por consenso, os governistas tinham poder de veto sobre propostas que iam contra os interesses dos governos, bastavam aos governistas discordar.

Qual o objetivo de uma tal “Frente de Esquerda”?

Não podemos exigir, tal como faz PSTU e outros grupos, que a Frente seja algo que nunca se propôs; desde o início o objetivo da Frente não é a articulação de um campo anti-governista e reivindicativo e sim a unidade com a burocracia governista. Dizem os organizadores que a Frente “será independente do governo, sem ser oposição”, mas é óbvio que essa neutralidade é impossível, e vindo da CUT essa afirmação chega ao cúmulo do cinismo. Devemos ter claro que essa linha política (que afirma que a oposição ao governo fortalece a direita) é mais uma das formas de mascarar o caráter neoliberal e desenvolvimentista da Era PT. É a negação da (auto)crítica do papel do governismo no último período.

Desde o ano de 2013 que a UNIPA afirma que um dos principais fatores positivos das Jornadas de Junho foi a contradição “direção X base” no movimento de massas. As massas populares não se referenciam mais nas burocracias sindicais e partidárias e se lançam para as lutas atropelando as direções pelegas, indicando que existe uma crise de organização da classe. Essa contradição tentou ser remediada na época das jornadas com um “dia de luta” farsante e covarde no mês de julho. Hoje, as burocracias tentam uma nova empreitada com essa “Frente pelas Reformas Populares”. Ela surge com um objetivo claramente renovador da estratégia reformista eleitoral, de prolongar a vida de um “novo campo social” de sustentação do reformismo que se lançará novamente nas disputas do Estado.

Aliás, não é à toa que essa Frente se organize logo após as eleições de 2014. Ela se forma como resposta às eleições e não como uma reposta a dinâmica da luta de classes. Ela visa atender os interesses eleitorais-institucionais da “esquerda” (especialmente para 2018), e não as demandas concretas dos trabalhadores e juventude que ocupou as ruas em junho de 2013 e protagonizou as greves e rebeliões proletárias nos últimos anos.

Uma análise da luta de classes indica que o governismo nunca foi tão reacionário quanto nos últimos anos e o será nos próximos. Portanto, vivemos uma crise do governismo muito mais profunda. Nesse contexto não apenas a CUT, UNE e MST querem se apresentar como “independentes” do governo Dilma, mas o próprio PT e os petistas também esbravejam tal farsa.

A reforma política e as necessidades da classe trabalhadora

Um dos principais pontos que propõem os governistas é a luta pela Reforma Política. A “constituinte por uma reforma política” foi proposta por Dilma em junho de 2013 para desviar o foco das demandas populares vindo das ruas. Hoje ela cumpre o papel de “democratização da política” como solução “prévia”, como “ponto de partida” das demais questões. Ou seja, alegam que depois de democratizar a política, e a sociedade estiver incorporada ao Estado, as demandas econômicas e sociais (de operários, camponeses, povos indígenas, sem-teto, estudantes, etc.) poderão ser conquistadas. Novamente apresentam que a mudança virá pelo voto, por um plebiscito, por uma constituinte, por uma nova eleição.

Enquanto esse factoide é armado pelos governistas, a burguesia que domina o Estado não apenas vai aprovando medidas e ministérios reacionários, cortes de verbas pros setores sociais, arrocho salarial, aumento de tarifas de ônibus, luz, água; como também vai tratando de tutelar e adaptar aos seus interesses de classe a dita “reforma política”. Enquanto os oportunistas anunciam uma fantástica fantasia da democratização da política, a massa trabalhadora vive uma verdadeira ditadura em seus locais de trabalho, moradia e estudo.

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Artigo publicado no Causa do Povo nº 71. Leia a edição completa CLICANDO AQUI.

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