Combater a opressão contra as mulheres!

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Desde 2012 o povo curdo em armas na região de Kobane (fronteira síria com a Turquia) deu início a uma revolução que derrotou o imperialismo e o Estado Islâmico (EIIL). Nesta luta, as mulheres compõem uma brigada dentro do exército guerrilheiro e estão na linha de frente pela liberdade e autodeterminação de seu povo.

“A luta de classes, fato histórico e não a afirmação teórica, é refletida no nível do feminismo. As mulheres, como os homens, são reacionárias, centristas ou revolucionárias. Elas não podem, portanto, travar a mesma batalha juntas.”

Mariátegui, Reivindicações Feministas.


A questão de gênero está em grande medida na pauta dos movimentos sociais, da esquerda e sociedade como um todo. A violência contra a mulher e contra homossexuais é alarmante: dados mostram que de janeiro a dezembro de 2011 o número de violência baseadas na orientação sexual e na identidade de gênero, segundo levantamento inédito divulgado pela Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República (SDH-PR), foram de 6.809 violações de direitos humanos contra LGBTs, envolvendo 1.713 vítimas e 2.275 suspeitos.

Já em relação à violência contra a mulher, segundo um estudo do IPEA – “Estupro no Brasil: uma radiografia segundo os dados da Saúde” – a pesquisa estima que no mínimo 527 mil pessoas são estupradas por ano no Brasil, sendo que registros do Sinan (que baseia a pesquisa) demonstram que 89% das vítimas são do sexo feminino e possuem, em geral, baixa escolaridade.

As correntes de gênero e alguns desvios

Frente a uma sociedade profundamente marcada pelo conservadorismo patriarcal e pela mercantilização crescente do trabalho e do corpo da mulher, a luta feminista classista se demonstra um imperativo. O feminismo e a liberdade sexual assim como a igualdade social são elementos essenciais para qualquer organização revolucionária. Apesar disso, são comumente tratados de forma separada. Pautas de classe e pautas de gênero, o que se configuram como um feminismo pequeno-burguês e um determinismo econômico, o qual colocam a questão de gênero em segundo plano.

Neste sentido, esbarramos com correntes feministas pós-modernas, policlassistas, colaboracionistas, comportamentalistas, adeptas à sororidade e desta forma, até aburguesadas e racistas. Se faz necessário analisar, discutir e atualizar a luta da mulher dentro da perspectiva materialista, classista e revolucionária, ou seja, dentro do contexto no qual se desenvolve a sociedade, onde o proletariado sofre objetivamente com tal sistema de exploração e opressões. Entendemos que para uma real emancipação da mulher é necessário ter uma emancipação da classe trabalhadora como um todo; sendo assim um processo dialético.

Tais correntes citadas acima reproduzem a ideia de que o feminismo deve ser a luta de toda mulher, somente da mulher, e não de toda uma classe. Isto abre brechas para um colaboracionismo, onde a mulher burguesa está supostamente ao lado da mulher trabalhadora, e não como sua exploradora em lados opostos. Outra tendência destas correntes é de que todo homem é um opressor por natureza, não sabe (e sequer pode) lutar ao lado de suas companheiras.

Da mesma forma, impõem como princípio a questão comportamental, onde a violência e opressão se vale meramente do comportamento, como modo de se vestir, gestuais etc., não indo na raiz do problema. Ou então servindo apenas como grupo de apoio e autoajuda, o que em nossa concepção acaba por despolitizar e se perder a combatividade da questão.

Vencer a opressão é tarefa das mulheres e homens da classe trabalhadora

O machismo e a violência têm causas estruturais presentes tanto em condutas cotidianas dentro da classe, como através de relações e conflitos entre as classes e o Estado, o que impõe a necessidade da via combativa e classista, onde o protagonismo proletário e a solidariedade de classe devem orientar os princípios e ações. Neste sentido, o feminismo deve incorporar o combate ao racismo, à xenofobia, ao etnocentrismo, à homofobia, a transfobia; entendendo que quem sofre estas opressões contra a classe trabalhadora é companheira(o) e deve seguir ombro a ombro nas fileiras da luta de classes.

O machismo e qualquer outra opressão se destrói a partir da luta, organização e ação direta da classe trabalhadora, sem conciliação de classe, através de exemplos como comitês de autodefesa das mulheres, o que se possibilita a construção de um autêntico movimento de classe.

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Artigo publicado no Causa do Povo nº 71. Leia a edição completa CLICANDO AQUI.

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