Os engodos da proto-direita brasileira e os erros da unidade da “esquerda”

Publicado no Causa do Povo nº 72, jun/jul 2015

resistenciaA mídia burguesa usa o cretisnismo do PT para enfraquecer o governo e privatizar a Petrobrás. Mas nem o “PT defende os trabalhadores” e nem há risco de “golpe”. O PT representa um setor da burguesia, logo não faz sentido aliar-se com ele. O momento é de apostar na independência de classe.


Desde que o PT assumiu a presidência em 2003 tornou-se obsoleto falar em esquerda e direita no Brasil. O governo do PT é neoliberal porque aplicou reformas neoliberais (previdência, trabalhista, universitária etc.). Assim, o debate sobre esquerda e direita no Brasil tornou-se uma falsa polêmica.

Snowden, que revelou documentos secretos da Agência Nacional de Segurança dos EUA, apontou no início de suas denúncias a análise sobre o Pré-sal da Petrobrás (objeto de disputa internacional) como centro da política de observação estadunidense, provocando petrolíferas dos EUA, como a Chevron, para que perfurassem clandestinamente o Pré-sal no Rio de Janeiro.

A opção do governo Dilma pelos BRICs (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) desagradou os norte-americanos, ao contrário dos sino-russos que tem uma política mais extrativista corroborando com a estratégia do PAC-2. A política estadunidense, apesar de ter relação harmoniosa com o extrativismo, tem mesmo como centro a capitalização de títulos de empresas como Petrobras para servir ao mercado de ações nas máfias dos fundos de investimento.

Engodos da proto-direita

A mídia burguesa soube   aproveitar a insatisfação das massas frente ao cretinismo do PT. Este explorou em sua campanha eleitoral “pautas e imagens populares” e aplicou um programa neoliberal de cortes de gastos na educação, pareceria com agronegócio e aumento da inflação e dos juros da dívida.

Mas a própria realocação da mídia burguesa no enfraquecimento do governo teve como início uma tentativa clara de privatizar a Petrobras e agora segue mais afundo na tentativa de enfraquecer o governo do PT. Esse desgaste não ocorre porque o “PT defende os trabalhadores”, ao contrário, o PT está afogado em uma disputa inter-burguesa (nacionalmente) que por sua vez se relaciona a um conflito inter-imperialista.

Esse processo ainda não provocou uma “direita legítima” no Brasil, por isso não há risco de “golpe”, como alegam os governistas. O PT agrada boa parte da burguesia nacional e se utiliza dessa ofensiva para se vitimizar e se reivindicar retoricamente ao lado dos trabalhadores para, na verdade, aplicar um novo plano de austeridade: é o que vem fazendo com as MP 664, 665 e cortes nas áreas sociais etc.

Com o acirramento da luta de classes é provável que em um próximo período surja um partido de direita no Brasil, mas a própria direita está esfacelada entre grupos liberais financiados pela Globo/Milenium/Koch, como o MBL (Movimento Brasil Livre), e grupos intervencionistas, como o “revoltados online” (sic).

Erros da unidade da “esquerda”

Nesse processo de acirramento das disputas inter-burguesas e da luta de classes no Brasil o caminho não é se aliar com um setor da burguesia para disputar com outro. Não se trata de mudar de chicote. É o momento de apostar no exemplo que vem de Kobane e do México (leia página 8), na independência de classe.

O crescimento da direita no Brasil dá-se justamente como consequência do processo de cooptação e submissão parlamentar da classe trabalhadora brasileira. Por isso é equivocado, senão criminoso, fazer como a CSP-Conlutas e o MTST e apostar em atos unificados com o governo sob o pretexto de combater a direita, pois estes últimos fazem parte do processo de militarização e da criminalização da política de massas no Brasil, seria esquizofrênico se não fosse oportunista.

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