Muito além da FIFA, da CONMEBOL e da CBF: O Futebol é do Povo

fut_moderno Das denúncias de corrupção e estruturas de poder à porta das “canchas”: O que isso tudo implica na vida dos trabalhadores e qual a tarefa da classe trabalhadora frente a este cenário.


Se fosse qualquer palavra estranha, de um vocabulário específico, passaria batida em qualquer conversa de bar, de porta de casa, de ônibus e etc, mas quando se fala a palavra futebol não há quem deixe de emitir opinião, mesmo os que acham que o esporte bretão é o ópio do povo. Como diria o falecido escritor uruguayo Eduardo Galeano: “O futebol é a única religião que não tem ateus”.

O futebol é o esporte mais praticado e acompanhado do mundo. Por isso o que acontece no meio do futebol geralmente tem impacto para além do esporte. Bem como o que acontece no futebol vem de influências sociais, culturais, políticas e ideológicas que precisam ser explicadas para entendermos qual tamanho do impacto que as recentes polêmicas tem na vida dos torcedores, qual a maioria é o povo, a classe trabalhadora.

fifaCBF_latuffEmbora recentes, as denúncias de corrupção na FIFA, CONMEBOL e CBF demonstram o que há muito já era percebido: O futebol não é só mais um esporte, é um negócio, um mercado mundial, que envolve muito dinheiro e consequentemente poder. Relembremos o ano de 2013: O mês de junho ficou marcado na história recente do Brasil pelo estouro de manifestações em todo o país, na maioria das cidades contra o aumento de tarifa nos transportes públicos e contra a precarização das condições de vida do povo trabalhador. Naquele mesmo mês surgiu no seio das manifestações a palavra de ordem “Não Vai ter Copa!”.

Entre os motivos dos grupos que entoaram esse grito, estava a indignação com o interesse das classes dominantes do Brasil que queriam alavancar seus lucros já exorbitantes a custa da super-exploração dos trabalhadores, seja em obras superfaturadas que se fizeram as custas do sangue de operários que trabalharam em condições precárias de segurança, o que causou inúmeros acidentes e 10 mortes; seja atrtavés das remoções de bairros populares, favelas e ocupações para construírem hotéis, shoppings e outros prédios voltados para a Copa do Mundo.

Sequelas da Copa

Hoje, os fatos vem demonstrando quem estava certo: Afinal, que “legado da Copa” ficou pronto? E pra quem? Sabe-se hoje das linhas de metrô, VLT, obras de infra-estrutura urbana como viadutos e etc., obras prometidas pelo governo Lula/Dilma/PT que em sua maioria não ficaram nem prontas, sem contar com o viaduto que desabou em Belo Horizonte… Nunca antes na história a FIFA tinha lucrado tanto como na Copa do Mundo realizada no Brasil, dos estádios que seriam construídos segundo o discurso do governo com investimentos privados, no entanto a maior parte das arenas foram construídas com dinheiro público e em seguida leiloados a preço de banana para os empreiteiros e empresários.

A FIFA, que é uma entidade privada, assim como a CBF, utiliza seu discurso de promover o futebol, mas na verdade o utiliza como ramo de mercado e fonte de lucro. Assim, na pratica se vendem como “técnicos” e “guardiões” do futebol, quando na verdade tentam monopolizá-lo. Esse dilema só terá fim no dia em que os clubes e seus torcedores detiverem as decisões em suas mão, só assim poderemos evitar absurdos em nome do futebol, como os feitos nas Copas realizadas no Brasil e África do Sul.

As modernas arenas tem se tornado um verdadeiro engôdo, pois ou se tornaram elefantes brancos – como a Arena da Amazônia a qual a prefeitura de Manaus já cogita demolir devido aos gastos insustentáveis de manutenção – ou se tornaram estádios higienizadores, que aos poucos tem expurgado o povo das arquibancadas uma vez que são cobrados preços altíssimos desde as entradas até mesmo na comida.

Hoje temos um Padrão FIFA nos estádios, ou seja: sem povão, sem bandeira, sem fogos de artifício, sem instrumentos, sem espontaneidade, as torcidas cada vez mais sem cor, sem vida. Fora dos estádios, vemos hoje o “legado” que a Copa deixou no Brasil: mais instrumentos de repressão policial, transporte público caótico na maioria da metrópoles brasileiras, ataque aos direitos sociais, cortes de verbas para a educação e saúde pública.

O vexame em campo com a derrota para a Alemanha por 7 a 1, episódio chamado de Mineirazzo, não simbolisou apenas a decadência de um modelo de futebol xôxo, quadrado e europeu jogado pela seleção brasileira… Marcou também o fracasso das Elites Brasileiras, da Rede Globo e da CBF em tentarem maquiar a realidade massacrante dos trabalhadores com uma “festa nunca antes vista”. A festa acabou, e agora José?

Os Escândalos

Hoje vemos os escândalos de corrupção nas altas entidades do futebol nacional e internacional, que vem nos revelar os motivos por trás dos grandes eventos esportivos, dos contratos, construções e transmissão: O lucro. O projeto de realizar a Copa do Mundo renderá lucros estratosféricos as elites da Rússia e do Qatar, assim como gerou para as elites brasileiras.

No caso do Qatar, muito provavelmente as consequências para os trabalhadores ainda serão mais drásticas, num país onde é praticamente proibida a organização sindical, onde trabalhadores são também superexplorados, o resultado não deve ser outro se não a exploração e a repressão…

Não a toa que as denúncias tenham vindo à tona, outras elites também pleiteavam a Copa em seus países, e ao que tudo indica, muito dinheiro está em jogo. Mas e o futebol?

A nível mundial, a FIFA manda e desmanda, decide suas questões com propina, numa estrutura que não é democrática nem transparente; na América Latina, a CONMEBOL segue os mesmo passos; no Brasil, a CBF “da seu jeitinho” para fazer com que os interesses das grandes corporações mundiais e nacionais também lucrem aos montes, como o fizeram na Copa do Mundo.

Que modelo de futebol queremos?

2modelosHoje dois modelos estão em disputa: Um, é o modelo da FIFA, que quer submeter o esporte aos lucros que podem render às elites que lhe sustentam, com estádios que mais parecem teatros, onde não hajam torcedores, mas sim espectadores, onde não haja indentificação entre a torcida e seu time ou seleção, mas sim consumidores do produto futebol, para impor este modelo no Brasil a FIFA conta com a mídia burguesa e a CBF.

O outro modelo é “contra o futebol moderno”, um lema que cada vez mais toma força entre torcedores do mundo todo, também no Brasil e vizinhança. Torcedores, populares, trabalhadores, que cançados dos mandos e desmando dos cartolas, pautam que futebol deve ser tomado pelo povo, pelo fim da repressão policial nos estádios, por liberdade de expressão e contra a higienização do esporte.

Assim, hoje temos duas opções enquanto trabalhadores: Ou nos acomodamos e abandonamos nossa cultura de arquibancada, bem como permitimos o roubo do futebol pelas elites que o transfomarão de vez em mercadoria, acabando tanto com o esporte, como a cultura que o envolve… Ou enfrentamos nossos inimigos e seu modelo padrão Fifa do futebol moderno!

Enfrentando as medidas anti-populares nos estádios, bem como os ataques aos direitos dos trabalhadores, à repressão policial e falta de liberdade de expressão política atual no futebol. Enfrentar este modelo é, necessariamente, lutar contra a superexploração e os ataques aos trabalhadores praticados como pretexto de organizar os megaeventos esportivos.

Se hoje há uma crise no futebol brasileiro, temos de ter firmeza em apontar sim os culpados e o caminho correto para um futebol popular, sem ter ilusão nos modelos fáceis e enlatados pelo Globo e interessados em adequar o futebol brasileiro ao europeu. Não se trata de xenofobia, muito pelo contrário, se trata de não nos tornarmos meras mercadorias, voltados à exportação de garotos para o “velho” continente.

Tais medidas passam tanto por fazer frente ao Estado, uma vez que faltam campos e quadras de futebol nas ruas, escolas e comunidades em geral, por mais incentivos à prática esportiva e ao lazer, como por fazer frente às entidades privadas que se acham donas do futebol, que querem nos impor horários de jogos esdrúxulos, que querem se “apossar” dos jogadores nas bases.

Acreditamos que é objetivo central na atualidade nos re-apropriarmos do esporte mais popular do país, que envolve expressão cultural, expressão político-ideológico e por que não, diversão e lazer. Que voltem as Bandeiras, que voltem as Faixas, os sinalizadores e os fogos de artifício, os papéis picados e serpentinas, que o povo retome as ruas e se expresse da maneira que lhe convir, pois o futebol é do povo!

Não ao futebol moderno! Abaixo à Fifa!

As arquibancadas pedem liberdade!

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