A luta dos Guarani Kaiowá contra o Estado e o Capital

Latifundiários de Mato Grosso do Sul foram responsáveis por mais um assassinato de indígena, o lider Simião Vilhalva. O Ministério da Justiça e a FUNAI se mostram omissos. Mas o Estado se faz presente com a repressão, e a política dos governos vem expandindo a exploração e violência do capitalismo no campo. A única alternativa de resistir tem sido a ação direta dos povos indígenas.


A luta dos Guarani Kaiowá contra o Estado e o Capital

Aty Guasu – Grande Assembleia Guarani-Kaiowá, Dourados/MS, jul/2013. O assassinato contra indígenas é recorrente, assim como sua resistência.

Mais um indígena assassinado pelo Agronegócio

No dia 29 de agosto, a comunidade Guarani Kaiowá da Terra Indígena Ñande Ru Marangatu foi atacada por um grupo de proprietários rurais da cidade de Antônio João (MS), fronteira com o Paraguai. Os latifundiários deixaram dezenas de indígenas feridos, incluindo um bebê, e mataram com um tiro na cabeça a liderança Simião Vilhalva.

Ação aconteceu após a reunião dos capitalistas rurais no Sindicato Rural da cidade, liderado por Roseli Maria Ruiz. Um comboio de 40 caminhonetes partiu do sindicato patronal depois da reunião que contou com presença dos deputados federais Luiz Henrique Mandetta (DEM/MS), Tereza Cristina (PSB/MS) e do senador Waldemir Moka (PMDB/MS).

A Terra Indígena Ñande Ru Marangatu foi homologada em 2005 depois de décadas de luta com muito sangue. No entanto a homologação foi suspensa pela justiça burguesa e o Supremo Tribunal Federal há 10 anos não toma uma decisão definitiva no Mandado de Segurança impetrado pelos fazendeiros.

Segundo a Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (APIB) o

“Ministério da Justiça, principal responsável da paralisação das demarcações, mais uma vez omitiu-se das suas responsabilidades de zelar pelos direitos indígenas antes inclusive da Fundação Nacional do Índio – Funai, pois a ele é subordinada. As tropas da Força Nacional que estavam na região para supostamente prevenir crimes contra a comunidade só chegaram na fazendo duas horas depois do crime. Agora é desencadeada a Operação Dourados por determinação da presidente Dilma Rousseff (PT), a pedido do governador do estado, Reinaldo Azambuja (PSDB), com objetivo de Garantia da Lei e da Ordem (GLO). Já se encontram na região 1200 homens do exército e mais 3800 de prontidão do Comando Militar do Oeste”.

O governo em conluio com o latifúndio

A situação só tem piorado nos últimos anos. Agora o governo do PT determinou a derrubada da Instrução Normativa (IN) 83/2015 editada pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) que, entre outras medidas, estabelece regras para a desapropriação de terras com trabalhadores mantidos em condições análogas às de escravos, para que sejam transformadas em assentamentos rurais. O ministro da Casa Civil, Aloizio Mercadante (PT), em conluio com a bancada ruralista, determinou à Advocacia-Geral da União (AGU) que conteste a IN, publicada no início deste mês no Diário Oficial da União.

O governo do PT, assim como os anteriores, é aliado do agronegócio, do capital financeiro e internacional. Esse governo não fará a reforma agrária, demarcação de terras e outras demandas. Em agosto a Polícia Federal atacou uma manifestação pacifica dos sem terra, lideradas pela MST, em Ji-Paraná, Rondônia. O saldo foi 4 sem terras presos, só liberados depois de pagamento de fiança.

O genocídio contra os Guarani Kaiowá e os povos indígenas continua, enquanto o capitalismo se desenvolve no campo com ajuda de sindicatos, federações de trabalhadores do campo e movimentos sociais que apóiam o governo. Movimentos de luta pela terra, como o MST, estão paralisados. Sindicatos, Centrais sindicais estão na sua grande maioria vendidas ao interesse do capital. São muitas vezes piores que os patrões. Estão apoiando os governos e seus interesses.

Povos indígenas preparam a sua resistência

Os povos indígenas que tem sofrido com o desenvolvimento do capitalismo no campo tem resistido de todas as maneiras possíveis. As famílias indígenas em Ñande Ru Marangatu afirmaram:

“Nós Guaranis e Kaiowá desta localidade vamos resistir até o fim, porque temos direito à posse dessa terra tradicional que nos pertence. Esperamos que a Justiça resolva essa situação o mais breve possível”.

O Conselho do Povo Terena manifestou sua solidariedade aos Guarani Kaiowá e disseram:

“Se o governo federal não punir os executantes e mandantes desse homicídio, nós Terena, vamos dar uma resposta à altura para os ruralistas e iniciar imediatamente a autodemarcação de todo nosso território!”.

O Conselho do Povo Terena e diversos povos tem cada vez mais indicado o caminho para conquista de terra e liberdade: a ação direta! A construção da autodefesa popular para a luta pela vida contra o Estado e o Capital, inimigos dos trabalhadores do campo e da cidade! Pela construção de um movimento autônomo e combativo de camponeses, indígenas e de trabalhadores rurais!

Marçal de Souza Tupã’i, Presente! Simião Vilhalva, Presente Não Esquecemos, Nem Perdoamos!

*Texto publicado no Causa do Povo nº73 – Set/Out/Nov de 2015

 

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