As ilusões da esquerda Grega apontam a necessidade da Revolução!

As expectativas com a “nova esquerda” grega (o Syrira) cairam por terra. O partido, que se aliou à direita, aceitou as imposições da União Europeia desrespeitando o referendo em que o povo disse “não” aos acordos de ajuste fiscal. A abstenção eleitoral no país chegou à 50% e revela a insatisfação com todos os governos e a urgência de um caminho revolucionário.


 

Luciana Genro entrega bandeira a Alexis Tsipras e declara “apoio integral” do Psol ao Syriza, partido que encabeça o ajuste fiscal na Grécia hoje.

Luciana Genro entrega bandeira a Alexis Tsipras e declara “apoio integral” do Psol ao Syriza, partido que encabeça o ajuste fiscal na Grécia hoje.

 

As ilusões da esquerda Grega apontam a necessidade da Revolução!

Em janeiro de 2015, o partido Syriza (Esquerda Radical) foi eleito nas eleições legislativas Gregas com 36% dos votos, garantindo o nome de Alexis Tsipras como primeiro-ministro do país. Este fato, juntamente com a vitória do Podemos na Espanha (nas prefeituras), foi tomado por muitos partidos políticos como uma expectativa de mudanças nos rumos da política na Grécia – nada mais falso.

A vitória do Syriza se consolidou como um governo de coalização com o partido de centro-direta ANEL (Gregos Independentes), e se converteu em importante peça para a continuidade das políticas de ajuste fiscal e estabilidade da exploração da União Europeia sobre os trabalhadores gregos.

Instável situação na Grécia

O Governo Tsipras (Syriza) eleito neste ano, contrariou o referendo popular de julho que disse “Não” (“Oxi”, em grego), com 61% de votos, a novos acordos de austeridade com os credores da Grécia. Ao contrário do que havia prometido, menos de uma semana depois Tsipras realizou um dos piores acordos já feitos com a Troika. Alegando não ser possível romper com a Zona do Euro, anunciou mais privatizações, demissões, cortes no orçamento público e nas aposentadorias. PASOK e Nova Democracia aprovaram o novo acordo.

Em agosto passado, Tsipras renunciou ao cargo de primeiro-ministro devido seu desgaste com as últimas medidas (divisões internas no Syriza, etc), sendo reeleito no dia 20 de setembro. Apesar disso, a nova eleição ocorreu com quase 50% de abstenções, revelando a total descrença dos trabalhadores gregos nas mudanças eleitorais.

Importante observar que, no Brasil, partidos como o PSOL apoiaram candidatura do Syriza e apostam na via eleitoreira; por outro lado o PSTU, que glorifica as lutas internacionais “radicais”, em casa condenou junto a mídia e os governistas os “black blocs” e formas de autodefesa popular, tão presentes na Grécia.

Esquerda e direita mantem problemas estruturais na Grécia

A política do Syriza representa um aprofundamento do projeto político do PASOK (partido socialdemocrata), sob um discurso mais “radical”.

O PASOK que voltou ao poder em 2009 com 160 cadeiras no parlamento aplicou fielmente a política da Troika (Banco Central Europeu, Fundo Monetário Internacional e União Europeia), com privatizações, demissões em massa, pagamento de juros altíssimos ao setor financeiro, cortes nas áreas sociais. Foi combatido pelos trabalhadores e a juventude com diversas greves gerais, manifestações de rua e ocupações, com marcante papel dos anarquistas nestas lutas.

A Grécia vive desde então a sucessão entre partidos de direita e esquerda no poder, sem nenhuma diferença estrutural. Em 2012 o partido Nova Democracia (direita liberal) foi eleito com maioria no parlamento, em coalizão com o PASOK e DIMAR. Tal governo, como era esperado, deu continuidade às políticas de austeridade.

Estes paralelos demonstram, assim como no Brasil, que as reedições dos governos socialdemocratas ou criações de partidos da nova esquerda eleitoral estão fracassando frente ao avanço da crise e trazendo derrotas aos trabalhadores.

Posição dos anarquistas

É necessário aprender com a resistência do povo Grego, ainda que a situação pareça se encaminhar para um beco sem saída. É fundamental que os anarquistas gregos e revolucionários desenvolvam um trabalho de massas nos setores estratégicos da classe trabalhadora, construindo uma organização autônoma que seja a alternativa organizativa e programática aos partidos reformistas e da extrema-direita, se preparando para a tomada dos bairros, das fabricas e dos campos, embrião do auto-governo dos trabalhadores.

A crise na Grécia vem precipitando uma imposição da realidade: só a revolução libertará a Grécia da Troika e das políticas de super-exploração. Diante da crise econômica mundial e das guerras imperialistas que trazem carestia, desemprego e violência, construir o Poder Popular e a Revolução Social são tarefas de ordem do dia!

Todo apoio aos trabalhadores e anarquistas gregos! Não a Troika, não ao Syriza: enganadores do povo!

*Texto publicado no Causa do Povo nº73 – Set/Out/Nov de 2015

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