Na crise econômica a burguesia disputa a carne do proletariado

A Operação Lava-Jato não é um combate contra a corrupção e moralização do Estado. A “Lava-Jato” revela uma disputa entre frações da burguesia: uma ala financeira que busca a privatização da Petrobras (PSDB…) e uma ala que pretende lucrar com a extração de petróleo em primeira instância (PT…). É preciso que o povo fuja desta falsa polarização.


Na crise econômica a burguesia disputa a carne do proletariado

crise

O avanço da Operação Lava-Jato sobre as empreiteiras que são a base do projeto Neodesenvolvimentista do Lulismo, como a Camargo Correa e a Odebrecht, demonstram o acirramento da disputa interburguesa em períodos de crise econômica.

Visivelmente uma ala financeirista da proto-direita brasileira busca enfraquecer as empresas extrativistas, que são base do Lulismo, na tentativa de jogá-las no mercado de capitais por meio do aprofundamento da política de privatizações. Lembremos que Dilma não abandonou essa política. Enquanto FHC privatizou o setor de produção (petroquímicos, siderúrgico, mineração etc.), bancos e telecomunicações, Lula/Dilma privatizou a circulação de mercadorias (estradas, portos e aeroportos). Portanto, não existe a polarização PSDB – entreguista, PT – nacionalista. Ambos entregaram o Brasil ao capital estrangeiro.

O debate sobre os desdobramentos da operação Lava Jato não deve ser tratada como uma discussão moral sobre corrupção, pois o Estado em si, enquanto máquina, funciona estruturalmente e historicamente por meio do roubo e do suborno. Esta é apenas uma disputa de políticas dos que que querem lucrar com a extração de Petróleo em primeira instância e aqueles que defendem a privatização.

Mesmo com a tentativa do Lulismo de apoiar o bloco especulativo com Joaquim Levy no ministério da Fazenda, a política da Agenda Brasil apresentada pelo PMDB revelou a prioridade do governo em aumentar a reestruturação produtiva via terceirização e avançar no processo de licença ambiental para assegurar as mega-obras e impedir a demarcação de terras dos povos originários como indígenas, quilombolas e ribeirinhos.

Por outro lado se engana quem pensa que o projeto neodesenvolvimentista do Lulismo representa algo melhor para a classe trabalhadora. Tal projeto ao expandir a fronteira Agrícola acaba por sub-proletarizar os povos tradicionais via superexploração da força de trabalho como quando usa a mão de obra indígena para o corte de cana, ou quando usa a mão de obra dos povos tradicionais para a construção de mega obras como a ferrovia transnordestina que pretende rasgar o nordeste, assoreando aquíferos numa região que sofre com a falta de água. É preciso resistir à esta falsa polarização.

O reformismo que defende algo semelhante

O PT prioriza a privatização da circulação de mercadorias e a expansão da fronteira agrícola dizimando povos tradicionais numa linha de reconstrução da matriz energética.

A disputa entre PT e PSDB revela ao mesmo tempo uma diferenciação: 1) Quanto a base social; e 2) Quanto a uma linha política majoritária de blocos interburgueses.

Os últimos governos do PSDB abandonaram a burguesia nacional em benefício da burguesia rentista estrangeira. Isso podemos esperar do PSDB, a retomada do rentísmo na economia brasileira, gerando a alta dos preços e o aumento do custo de vida para os pobres.

Já o reformismo de PSOL e PSTU deram indícios de uma política semelhante. Saíram em defesa da campanha 10% do PIB pra educação sem questionar o Plano Nacional de Educação e seu caráter privatista; saíram em defesa da reforma do código mineral (que irá roubar terras de quilombolas e indígenas) com o condicionante que fosse repassado um percentual para a educação, entre outras barbaridades neodesenvolvimentistas.

Barricadas contra as políticas anti-povo: Construir a independência política e a auto-organização

Neste momento em que a proto-direita brasileira quer canalizar a insatisfação popular e utiliza-la para desgastar o governo PT/PMDB e surgir como alternativa, é tarefa dos anarquistas destruir os alicerces de sustentação do governo, bem como da política da direita como o mito dos benefícios das privatizações, redução da maioridade penal, entre outras bandeiras reacionárias.

A saída que cabe ao povo é a resistência aos ataques, iniciando a organização de base contra o custo de vida como transportes, energia, água e alimentos, organizando comitês de base por local de trabalho, estudo e moradia.

*Texto publicado no Causa do Povo nº73 – Set/Out/Nov de 2015

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