Rompimento das barragens da Vale: mais mortes e impactos socioambientais na conta da gerência petista

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No dia 5 de novembro de 2015, o rompimento das barragens de rejeitos de minério da VALE em Mariana (MG), se apresentou como mais uma expressão dos efeitos devastadores da lógica neodesenvolvimentista empreendida pelos governos do PT.

A mineração e os interesses da burguesia

No Brasil, os projetos extrativistas para a exploração de minérios, petróleo e gás estão entre as atividades que mais geram lucro para a burguesia, intermediados pelo Estado e pelo capital internacional. O PAC 1 (2007- 2010) e o Plano IIRSA, conduzidos pelo PT, visam criar corredores de exportação de minério, energia e produtos agrícolas por toda América Latina, e não por acaso, são esses os setores da economia que mais empregam e matam trabalhadores terceirizados, produzem impactos sócio-ambientais irreversíveis, dizimam camponeses, indígenas e quilombolas e aniquilam as comunidades onde se estabelecem empresas e obras extrativistas.

A revisão do Código de Mineração garantindo privilégios de grandes empresas e ocorrendo em sintonia com a paralisação de reconhecimento de direitos territoriais de comunidades tradicionais (PEC 215 e outros), aponta mais uma vez como Estado e capital orquestram interesses contra o povo.

Os culpados pela matança dos trabalhadores e da biodiversidade

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Morador da comunidade de São Tarcísio, em Governador Valadares (MG) mostra peixe morto em meio à lama.

O rompimento das barragens de rejeitos de Mariana (MG) é uma das maiores tragédias socioambientais do país, com assoreamento e contaminação de rios, morte do ecossistema e dispersão de produtos químicos tóxicos. Além de desabrigados, foram contabilizados oficialmente pelo menos 16 mortos, 45 desaparecidos e inúmeros soterrados (e há indícios de que essa conta é bem maior). A mídia burguesa tenta naturalizar o desastre, no entanto, trata-se de uma tragédia induzida pelo Estado, empresas nacionais e internacionais de mineração com o aval do PT.

Mas quem está por trás da empresa Samarco? 50% da Samarco pertence à Vale. A outra metade pertence à anglo-australiana BHP Billiton, uma fusão da australiana Broken Hill Proprietary Company com a inglesa Billiton, instalada no Chile, Colômbia e Peru, no Canadá, Reino Unido, nos EUA, na Argélia, no Paquistão e em Trinidad & Tobago. É acusada de diversos outros casos de contaminação e desastres socioambientais. Por sua vez, a Vale é controlada pela Valepar, com 53,9% do capital votante (1/3 do capital total). Com 5,3% para o governo federal, 5,3% para o BNDESpar, 14,8% para investidores brasileiros, 16,9% na Bovespa e 46,2% de investidores estrangeiros. E por trás da Valepar encontra-se fundos de investimentos da Previ (49% das ações), o Brasdesco (17,4%), a multinacional Mitsui (conglomerado que vai de bancos à petroquímica, com tentáculos na Sony, Yamaha, Toyota, com 15%), e o BNDESpar (9,5%).

151111014825_sp_mariana_barragem_640x360_ag.brasil_nocreditNa comissão instituída para acompanhar os impactos causados pelo rompimento das barragens, estão deputados que receberam doações na última campanha eleitoral da Vale e da BHP Billinton (empresas que controlam a Samarco, responsável pelas barragens). O relator do Código Mineral, Leonardo Quintão (PMDB), é também financiado por mineradoras. Além disso, logo após o rompimento das barragens, ao invés de uma atitude para punir as empresas públicas e privadas responsáveis, o governo Dilma alterou o decreto nº 5.113, incluindo como desastre natural o “rompimento ou colapso de barragens”. Isso aponta mais uma vez o papel que a farsa eleitoral cumpre como legitimadora das misérias que assolam o povo.

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Propaganda da exploração mineral do governo.

Os interesses dos projetos neodesenvolvimentistas do PT são os mesmos do capitalismo internacional: garantir lucro a custo de extinção de comunidades, exploração de trabalhadores, impactos socioambientais. O Governo de Minas Gerais (Fernando Pimentel/PT) é também responsável pela flexibilização do licenciamento ambiental para o funcionamento das barragens, assim como lucra com o gerenciamento dessas empresas, através da arrecadação do Fundo de Pensão e articulações do BNDES.

Organizar a autodefesa, a solidariedade e a greve geral contra os assassinos do povo!

Para mudar isso, são necessárias a auto-organização e resistência dos povos e comunidades atingidas pelos projetos extrativistas/neodesenvolvimentistas e o rompimento com a via eleitoreira e reformista! Para barrar os assassinatos no campo e na cidade, para impedir o avanço da política burguesa (Agenda Brasil, Novo Código da Mineração, Olimpíadas, Lei Antiterrorista, lei da terceirização, etc.) é necessário a união pela base e pela luta dos movimentos indígenas, estudantis, sindicais, comunitários, camponeses. Vivemos um momento decisivo de ataques profundos aos direitos do povo. Por outro lado se torna um momento fundamental para reorganizar a luta classista e combativa e retirar as massas da influência dos partidos oportunistas e governistas.

Lutar pela garantia de terra e moradia livres da mineração!

Não esqueceremos, nem perdoaremos os culpados pelo rompimento das barragens de Mariana-MG!

indigenas

Índios ocuparam trecho da Estrada de Ferro Vitória Minas (EFVM). Enquanto os movimentos sociais e sindicais governistas permanecem com ações insuficientes e/ou coniventes, os indígenas vem dando uma grande mostra de solidariedade e capacidade de luta contra os projetos neodesenvolvimentistas da burguesia nacional e internacional.

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