8 de Março: As condições sociais do machismo e os desafios das mulheres trabalhadoras

mujer O Brasil está entre os países que cometem mais violência contra mulher. Segundo dados do Mapa da Violência 2015 (Cebela/Flacso) o país ocupa a quinta posição em um ranking de 83 nações com maior índice de homicídios femininos. Entre 1980 e 2013, 106.093 brasileiras foram vítimas de assassinato. Somente em 2013, foram 4.762 assassinatos de mulheres registrados no Brasil. Os dados também mostram a taxa de assassinatos entre as mulheres negras aumentou 54% em dez anos, passando de 1.864, em 2003, para 2.875, em 2013, caindo o número de homicídios de mulheres brancas.

Além da violência, as mulheres trabalhadoras têm duplas e triplas jornadas de trabalho. Realizam atividades para prover e complementar o sustento da família, o trabalho doméstico não remunerado e o cuidado com os filhos, tarefas impostas como de realização exclusiva das mulheres, o que é propício para a continuação da exploração e reprodução do machismo. Ainda sofrem com a sexualização e objetivação de seus corpos, sendo vítimas de assédios e culpabilizadas por isso. No Brasil as mulheres trabalhadoras ainda morrem em clínicas clandestinas de aborto.

As trabalhadoras negras ocupam os piores postos de trabalho, tendo os salários mais baixos. Grande parte dessas mulheres está emprega no setor de serviço, na limpeza, e geralmente terceirizada. Além disso, as mulheres trabalhadoras sofrem ainda mais com as péssimas condições do transporte coletivo, assédio e tarifas abusivas, dificultando o acesso ao trabalho, saúde e estudo. As mulheres ficam assim dedicadas aos trabalhos ditos domésticos enquanto continua a falta de investimento em creches públicas, restaurantes e lavanderias populares. Dados do IBGE mostram que as mulheres ocupam cerca de 27 horas semanais com trabalho doméstico, enquanto os homens apenas 10 horas.

A ilusão da libertação feminina no sistema capitalista

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Protesto de operárias em 8 de Março na Rússia. Mobilizações corroborou para situação revolucionária naquele ano.

A opressão capitalista contra as mulheres se expressa pela violência dos patrões e governos e pela parcela de trabalhadores que brutalizados pelo sistema (resultado das condições desesperadoras de existência em ambientes precários, invadidos pelas drogas, pela violência e pela cultura patriarcal) reproduzem a opressão da classe dominante. O capitalismo é o responsável por todos os crimes que atingem a vida dos pobres.

A liberação burguesa da mulher em nada contribui para a construção de uma sociedade justa e igualitária. Não queremos a “liberdade” de competir e usufruir do poder exercido pelos homens.

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Milicianas na Guerra Civil Espanhola (1936-39). Mulheres estiveram na linha de frente das lutas, coletivizações e resistência ao fascismo.

Até emancipação integral dos trabalhadores, só possível no socialismo, tudo o que oprime os homens e mulheres, rouba ou gere violência contra a classe trabalhadora deve ser combatido! A revolução da qual todos devem participar é a revolução social capaz de destruir o Estado e o capital. As organizações e partidos que não possuem um projeto político revolucionário apenas tentam realizar no plano das lutas a liberdade concedia pela classe dominante às mulheres, inclusive, a liberdade de reafirmar e reproduzir o poder da burguesia sobre o conjunto dos trabalhadores. Os governos, a justiça burguesa, os patrões e a polícia são os principais realizadores da violência contra as mulheres trabalhadoras.

Combater o machismo e a exploração! Pela integral emancipação das mulheres! Pela Revolução Social!

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