Revolução e Contra-Revolução no Curdistão

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*Texto do jornal Causa do Povo nº74 – Abril/Maio de 2016

A luta pelo Auto-Governo do Curdistão entrou numa nova fase no final de 2015. A vitória das forças curdas das Unidades de Proteção do Povo Curdo (YPG) e a sua ala feminina, o YPJ em Kobane, Rojava e Shinjar (área de maioria Yazidi), na Síria contra a ISIS-Daesh e a ação política do Partido da União Democrática (PYD) aliado do Partido dos Trabalhadores do Curdistão, o PKK, demonstraram que os Curdos são a principal força de resistência na região.

O programa socialista com base no chamado “Confederalismo Democrático”, uma proposta de anti-estado, de auto-governo da região, é a principal referência para avanço de uma sociedade sem classes, livre e igualitária. São essas organizações curdas que conseguem aglutinar combatentes de origem assiíra, yázidis, cristã, armênia, alevis, árabes sunitas e xiitas e turcos de esquerda.

O ataque do ISIS em Paris e os interesses imperialistas em jogo

Ao mesmo tempo a vitória dos curdos, que imprimiram as maiores derrotas ao ISIS, provocou a reação do Estado Turco comandando pelo AKP (Islâmico Sunita e Neoliberal) de Tacyp Erdogan que apoia as forças fundamentalistas sunitas, assim como a Arábia Saudita.

As disputas interimperialistas na região, entre o bloco sino-russo e americano-europeu impediram o ataque das forças da OTAN a autocracia do partido Baath, liderado por Assad, tal como fizeram na destruição dos estados autocráticos pan arabista da Líbia, de Kadafi, e do Iraque de Saddam Hussein. A Guerra Civil na Síria financiada pelos países europeus, EUA e Arábia Saudita provocou uma verdadeira crise humanitária, devido ao alto número de imigrantes que chegam a Europa e as mortes geradas pela guerra.

O ataque em Paris provocou a ira dos líderes europeus, os mesmos que atacaram e atacam milhares de civis em todo norte da áfrica e oriente médio, em prol de seus interesses comerciais e energéticos. A reposta dos governantes europeus é uma só: aumentar o Estado policial e penal em meio a crise econômica e social que assola grande parte do continente.

O Estado Francês que mantém fortes relações com as monarquias do Golfo e que mais insistia na derrubada do Governo Assad se viu confrontado com a posição Russa, Chinesa e Iraniana, contrária a queda de Assad, uma vez que isso enfraqueceria a posição do bloco de Moscou e Pequim. Teve que em parte ceder para agir contra o ISIS.

A Turquia, que em tese faz parte da coalizão da OTAN, passou a atacar toda a Esquerda Curda e Turca, desde o HDP, socialistas curdos que tiveram expressiva votação nas eleições turcas, até os anarquistas, como as prisões de militantes da Juventude Anarquista na Universidade de Istambul, torturas, atentados, como em Ancara, e assassinatos principalmente no sul da Turquia, norte do território do Curdistão.

Além disso, ministro de energia e petróleo do ISIS é justamente o filho do governante turco Recep Erdogan, sendo o Estado Turco que opera a infraestrtutura do ISIS, e a inteligência Saudita banca diretamente a Al Qaeda na Síria. A vitória em Kobane e Rojava demonstrou a possibilidade concreta de vitórias na luta pela autodeterminação do povo curdo, o que provocou a resposta Turca.

Enquanto isso, EUA-UE mantém o hipócrita discurso anti-terror e o apoio as ações da Turquia e das Monarquias do Golfo, principalmente a Arábia Saudita que financia o sunismo wahbita, a base de boa parte do fundamentalismo religioso do Islã.

Na Grécia: o Neoliberalismo do Syriza

Enquanto na Turquia temos o exemplo da resistência revolucionária Curda, através do PKK, PYD, YPG e YPG, na Grécia temos o exemplo da política reformista social-democrata do Syriza, que depois de vencer as eleições adotou a política de ajuste fiscal e de privatizações determinadas pela Troika (UE, FMI, BCE).

Para isso aceitou como legítima a dívida externa; permaneceu dentro da UE, se submetendo ao imperialismo franco-alemão, e, por fim, se aliou a extrema-direita do Partido dos Gregos Independentes, pró OTAN, xenófobo e anti-imigrantes, garantindo o apoio da Grécia as políticas militares da OTAN no Médio Oriente, na Ucrânia e a se aliando a Israel que mantém um brutal repressão contra o povo da Palestina.

As trabalhadoras e trabalhadores gregos responderam com uma greve geral no final de 2015 as políticas de austeridade e privatização do governo social-democrata do Syriza.

A Revolução de Rojava Vencerá!

Morte ao Imperialismo e ao Estado Islâmico!

Pelo Socialismo e Autogoverno das massas!

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