Espírito Olímpico: sucesso lucrativo e massacre sobre o povo

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Um dos legados Olímpicos: Remoção de casas populares da Vila Autódromo

*Texto do jornal Causa do Povo nº75 – Agosto/Setembro de 2016


A realização dos Jogos Olímpicos do ponto de vista dos empresários e dos políticos foi um sucesso. O tão prometido legado será pago pelo povo do Rio de Janeiro. E o primeiro legado será o pedido de falência do Estado. Objetivo: privatizar serviços públicos. E a preço de banana. Os jogos olímpicos se transformaram num verdadeiro negócio. Interesses comerciais estão ali presentes.

Umas das primeiras medidas assim que o Rio foi aprovado como sede olímpica foi a concessão de terrenos públicos da área portuária para a iniciativa privada. Governo federal, Caixa Econômica Federal, BNDES e prefeitura do Rio de Janeiro fizeram o projeto do Porto Maravilha criando a Companhia de Desenvolvimento Urbano da Região do Porto (Cdurp). Esse órgão do município comprou terrenos públicos da região, repassando-os, pelo mesmo preço, a um fundo imobiliário administrado pela Caixa, o Fundo de Investimento Imobiliário do Porto Maravilha (FIIPM).

A partir de então esse Fundo negocia no mercado os terrenos e envia recursos Porto Novo (Odebrecht, OAS e Carioca Christiani Nielsen) executar as intervenções e serviços previstos na maior parceria público-privada (PPP) do Brasil. Dessa maneira, as empresas de construção negociam os chamados Certificados do Potencial Adicional de Construção (Cepacs). Isso permite a construção de mais andares do que o permitido pela legislação. Ou seja, o suborno legalizado.

Assim, o Porto Maravilha pode receber grandes arranha-céus e hotéis de luxo. Além disso tudo, foram usados dinheiro do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) para garantir o pagamento a parceria com as empresas privadas. Além disso, terrenos foram negociados com as empresas abaixo do próprio valor de mercado.

Essas empresas do Porto Novo ganharam as obras como Morar Carioca (R$ 32 milhões) e a PPP para operar o veículo leve sobre trilhos, o VLT (R$ 1,1 bilhão). Por fim, a prefeitura privatizou os serviços de manutenção e a limpeza dos espaços públicos, a sinalização de vias, a iluminação que fica a cargo da concessionária Porto Novo.

Na Barra, o parque olímpico foi criado com objetivo de transformar a área em residências de alto padrão a serem negociados principalmente pelas empresas Carvalho Hosken, Odebrecht e de Andrade Gutierrez. Além disso, o governo do Rio de Janeiro destruiu uma área de reserva ambiental, o Parque de Marapendi, para construção de um campo de golfe favorecendo mais uma vez interesses privados.

Repressão, remoção e assassinatos

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Muro erguido para esconder favelas no Rio

Na preparação dos jogos, enquanto conluios e negociatas eram realizadas, o Estado tratava de “pacificar” o Rio de Janeiro. O Estado declarou uma verdadeira guerra às favelas, em particular aos jovens negros. A criação das Unidades de Polícia Pacificadoras (UPP) foram criadas para garantia dos jogos através do controle militar das favelas e periferias em torno das áreas dos jogos e grandes vias, como Linha Vermelha, Avenida Brasil e Linha Amarela.

Desde 2009 a polícia assassinou mais de 2.600 pessoas na cidade, segundo dados oficiais do Instituto de Segurança Pública do Estado do Rio de Janeiro (ISP-RJ). As vésperas dos jogos os homicídios cometidos pela polícia no Rio aumentaram mês a mês. No ano de 2016, segundo o ISP-RJ, a polícia foi responsável pela morte de 35 pessoas em abril, 40 em maio e 49 em junho.

Operações policiais violentas foram realizadas durante todo o período dos jogos em diversas favelas incluindo Acari, Cidade de Deus, Borel, Manguinhos, Alemão, Maré, Del Castilho e Cantagalo. Com muito assassinato da juventude negra. Como sempre acontece, ocorreram invasões de domicílio, ameaças diretas e agressões físicas e verbais por parte da polícia. Além disso, o governo Dilma aprovou a “Lei Antiterrorista” e a “Garantia da Lei e da Ordem” favorecendo ainda mais o processo de militarização e repressão.

Para garantir o projeto olímpico foram ainda removidas 4.120 famílias, com os moradores da Vila Autódromo resistindo bravamente ao poder estatal e privado. Ainda tem 2.486 famílias ameaçadas de remoção em virtude do legado olímpico.

Do ponto de vista econômico o legado é de dívidas para viabilizar um megaevento lucrativo para grandes empresas de construção, bancárias, esportivas e de mídia, que chegaram a mudar horário de jogos para favorecer o público norteamericano.

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