Movimento Secundarista: os desafios da luta após as ocupações

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Protesto Secundarista em Porto Alegre/RS, 6 de junho

*Texto do jornal Causa do Povo nº75 – Agosto/Setembro de 2016


As ocupações de escolas sacudiram o Brasil. Demonstraram mais uma vez a superioridade da ação direta de massas frente aos métodos legalistas dos sindicatos e entidades estudantis pelegas (UNE, UBES, ANEL, CUT). Mesmo sem toda a estrutura e verba dessas entidades, os estudantes conquistaram vitórias importantes contra o fechamento de escolas em São Paulo e contra a privatização via Organizações Sociais (OSs) em Goiás. Além disso, em outros estados conquistaram demandas locais e popularizaram reivindicações importantes (democracia nas escolas, melhorias nas estruturas, merenda, etc.) que a anos estavam abafadas.

Do Ceará ao Rio Grande do Sul os secundaristas enfrentaram o Estado: governos, polícias, advogados, grupos reacionários (“Desocupa” no Rio de Janeiro), a burocracia das entidades estudantis e partidos oportunistas. A atuação da UNE e UBES no interior do movimento cumpriu um papel nefasto. No dia 14 de junho no Rio Grande do Sul a UJS (União da Juventude “socialista”, ligada ao PCdoB) e o Juntos (ligado ao PSOL) fizeram um acordo com o governo pelas costas dos estudantes. No Rio de Janeiro, São Paulo e outros estados, UBES e ANEL buscaram a todo momento aparelhar as ocupações, criaram divisões e seus próprios “comandos”, cada um para servir aos seus interesses particulares.

Organizar a autodefesa e a autonomia

Enquanto os burocratas mirins da UBES buscavam conciliar com os governos, os estudantes sofriam forte repressão nas escolas. No Rio de Janeiro os grupos reacionários de “Desocupas” atacaram as Escolas de Luta. Ao invés de organizar a resistências, as entidades (UNE e ANEL) condenavam a autodefesa e deixavam as ocupações a mercê da violência policial e dos grupos fascistas. No dia final de agosto o governo do Ceará (PT) através da SEEDUC abriu um processo criminal contra 320 estudantes que participaram nas ocupações de escolas.

Dessa maneira as ocupações expressaram um conflito entre o poder popular e o poder do Estado.

Demonstrou que para manter a autonomia e alcançar vitórias é necessário mais que boas intenções. Os estudantes combativos precisam: 1) Se organizarem em grupos estudantis combativos que fortaleçam a autonomia dos grêmios e criem coordenações estaduais e regionais autônomas; 2) Desenvolver a discussão e luta contra as políticas nacionais de educação que aprofundam a precarização e privatização do ensino, que, caso aprovadas irão anular as conquistas locais; 3) Aprofundar a consciência de classe, se aliando com os trabalhadores da educação, pais, visando a construção da greve geral em defesa dos direitos; 4) Aprofundar os métodos de autodefesa e segurança coletiva frente ao avanço do autoritarismo estatal-militar.

Construir uma Federação Autônoma de Estudantes

Hoje os jovens e bravos combatentes das escolas ocupadas são chamados à responsabilidade de romper com a ilusão eleitoreira deixada pelo ciclo petista. A política de Temer (PMDB) para a educação irá aprofundar as políticas neoliberais do PT, com cortes no orçamento, estímulo a meritocracia e competição entre as escolas, privatização através das OSs, militarização, etc.

O programa, estratégia e métodos da esquerda socialdemocrata (PT, PCdoB, PSOL) são incapazes de organizar a resistência popular, como demonstrado no caso do golpe. Se por um lado dizem “combater os golpistas”, por outro se aliam e fazem conchavos com os mesmos. O caminho eleitoreiro está falido!

Cabe aos estudantes e trabalhadores revolucionários a defesa de um novo projeto que recoloque a classe trabalhadora como sujeito das mudanças, na ofensiva contra os exploradores do povo. Urge a construção de uma Federação Autônoma de Estudantes como braço estudantil de uma nova organização Sindicalista Revolucionária de massas no Brasil.

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Uma resposta para Movimento Secundarista: os desafios da luta após as ocupações

  1. Ivan Livindo de Senna Corrêa disse:

    Muito boa análise do contexto político e do peleguismo dos partidos “auto denominado de esquerda” …. o Golpe se consolidou, justamente pelo recou desses partidos, incluindo a falte de convocação da militância para as manifestações de rua.

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