Não vote! Lute!

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*Texto do jornal Causa do Povo nº75 – Agosto/Setembro de 2016


O boicote às eleições burguesas e a crise política

As eleições municipais de 2016 ocorrem no contexto da crise política da Era PT, ou seja, no contexto da crise política do projeto de governo de conciliação de classe.

O PT assumiu a presidência da República em 2003 e iniciou um governo de conciliação de classe, isto é, governou atendendo aos interesses da burguesia, mas se apresentava como o legítimo representante dos interesses da classe trabalhadora. O resultado foi a submissão das organizações dos trabalhadores às políticas de um governo que, na verdade só atendia às classes dominantes.

Entretanto, o agravamento da crise econômica mundial por um lado, e, de outro lado, o rompimento de setores da classe trabalhadora com o projeto petista, cujo marco foi o levante popular-proletário de junho de 2013, levou a burguesia a abandonar o pacto de conciliação de classe. Ao abandonar o governo petista, a burguesia desencadeou o processo de impeachment.

Como se vê, o projeto reformista do PT de assumir a presidência da República, como o único caminho para a classe trabalhadora conquistar seus direitos, foi à falência.

A política de golpe institucional da burguesia foi respondido por uma envergonhada reação do PT que demonstrou dois elementos:

a) já não ter o mesmo poder de controle sobre as organizações dos trabalhadores, elemento fundamental para a ação da burguesia, já que o PT perde a sua principal utilidade para a classe dominante; e

b) a profunda integração do partido na ordem burguesa, percebida na necessidade da cúpula petista em manter a estabilidade do país visando as eleições de 2018, e de forma ainda mais escancarada nas eleições municipais, que demonstram a grande hipocrisia da “luta contra o golpe” e contra os “setores conservadores”.

As eleições municipais de 2016 e o reformismo renovado

Na tentativa de se salvar, o PT e seus aliados, PCdoB, PSOL, PCB, e outros partidos reformistas, saíram em defesa da democracia burguesa. Sob as palavras de ordem “Não vai ter golpe” e “Fora Temer”, procuraram renovar às ilusões da classe trabalhadora com o processo eleitoral.

O discurso e a luta contra o impeachment parecem ter se dissolvido no ar quando analisamos o conjunto das coligações para as disputas das eleições municipais. PT, PCdoB e PSOL de fato esqueceram os “golpistas”, pois, segundo informações atualizadas no dia 22 de agosto na página do TSE, estão coligados com os principais partidos da burguesia: PMDB, PSDB, PP e DEM. Ou seja, na visão dos dirigentes dos partidos reformistas, enquanto o povo seria usado de bucha de canhão nas ruas para defender o mandato burguês de Dilma, seus políticos articulam a manutenção do poder das velhas oligarquias.

É importante que o arco o PSOL, partido que se apresenta como um reformismo renovado, faz coligações com os principais partidos burgueses em municípios pequenos, de menor visibilidade. Um exemplo dessa prática é sua participação na candidatura de Decio Lagares (PSB) para a prefeitura de Espigão do Oeste, Rondônia, cuja coligação conta com a participação do DEM, entre outros partidos burgueses. Portanto, o PSOL se une aos partidos burgueses numa região marcada pelos conflitos agrários e pelos assassinatos de camponeses, explicitando seu caráter colaboracionista.

Eleição é farsa! Só a luta muda a vida!

nvlO abandono das ilusões com a participação nas eleições burguesas é um passo fundamental para a ruptura com as concepções e práticas reformistas que, considerando a Era PT, somente contribui para a manutenção da dominação burguesa.

A cada eleição o boicote popular é significativo, o que comprova que uma parcela expressiva da classe trabalhadora não nutre esperanças na via eleitoral. Se participação nas eleições é abrir mão do protagonismo popular nas lutas sociais, o boicote eleitoral é um primeiro passo na construção do poder popular.

Por isso, é necessário dar um passo além. É necessário avançar para organizações de conselhos populares que possam assumir as lutas da classe trabalhadora na direção da ruptura com a ordem burguesa.

Os comitês de boicote às eleições devem estar enraizados nas organizações populares nos locais de moradia, trabalho e estudo. Porque será a partir da organização de base, de baixo para cima, que as lutas e as organizações populares irão assumir a dimensão necessária para a ruptura com a exploração e a opressão burguesa.

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