[SC] O Anarquismo Revolucionário avança sobre o Sul do País

“É preciso associar os melhores camponeses entre si e os melhores operários das fábricas.  (…) O povo deve ver a juventude em seu seio, trabalhando, na vanguarda de cada rebelião, consagrando-se a morrer na luta. A juventude deve trabalhar segundo um plano bem refletido e submetendo-se a mais forte disciplina para produzir essa unanimidade sem a qual não pode existir vitória. Deve instruir ela mesma e instruir ao povo não só para a resistência desesperada, como também para ataques ousados. O proletariado não tem para si outra via de ação sem ser esta.”

Mikhail Bakunin

Informe Público Sobre o surgimento do Pró- Núcleo Santa Catarina

01 de Maio de 2017

Foto: Ocupa Brasília, 24 de Maio de 2017

Os duros golpes desferidos contra o povo nos governos FHC, Lula, Dilma e agora na gestão Temer criaram uma situação de crise social no Brasil que, apesar da tutela das burocracias sindicais e partidárias, tem sido contraposta por uma crescente participação política em atos de rua, greves e ocupações. Nos últimos anos, estivemos junto ao povo no enfrentamento as ofensivas burguesas, contribuindo com a construção de alternativas à política institucional, experiência esta que proporcionou um amadurecimento político de nossa militância, que nos leva a compreensão de que a via para derrotar a partir das bases as reformas neoliberais em curso é a construção de uma greve geral insurrecional, uma combinação de situações insurrecionais de massas (como o levante de junho de 2013) com organização nos locais de trabalho, estudo e moradia, o que significa alargar a tarefa de mobilização para além das altas esferas do proletariado que gozam de boas remunerações e da proteção do sindicalismo de Estado, incorporando nas estruturas de organização trabalhadores precarizados, terceirizados e informais do campo e da cidade, e  demais frações do proletariado marginal.

“É necessário que em cada enfrentamento com os opressores e burocratas (dos menores aos maiores conflitos) emerja um grupo autônomo de estudantes e trabalhadores dispostos a prolongar a experiência e resistir aos períodos difíceis da luta. Esses grupos de oposição, espalhados pelos quatro cantos do país, em seus locais de trabalho, estudo e moradia, devem se interligar em uma organização maior, de caráter Sindicalista Revolucionária.”  

(“Em defesa da Ação Direta de Massas”, in Causa do Povo nº70)

Foi no contexto pós Junho de 2013 que começamos a gestação do projeto de construção Anarquista Revolucionário no sul do Brasil simultaneamente aos esforços de construção de tendências Sindicalistas Revolucionárias (a níveis estudantil, sindical e popular), através de uma rotina continua de estudos, propaganda, ações de agitação e organização. Partindo de experiências concretas desde o ambiente do chão de fábrica ao sistema de ensino superior, pouco a pouco fomos avançando para uma atuação mais incisiva na luta de classes.  Com isso, surgiu a necessidade de avançarmos para além da ação restrita nas organizações de base (trabalho, estudo ou moradia), passando a entender ser o momento de darmos passos firmes rumo a construção de uma Organização Revolucionária e para nós o lugar dos Anarquistas Revolucionários é construindo a União Popular Anarquista.

A UNIPA no nível teórico e prático vem conseguindo fazer o enfrentamento  à socialdemocracia mais também superando o confucionismo e a falta de comprometimento revolucionário  impregnados no que é hoje denominado como anarquismo no Brasil. No país inteiro o anarquismo se coloca na condição de satélite da socialdemocracia, algumas vezes convergindo como uma estratégia (como o caso do especifismo) e em outras como uma política estéril de eterna negação pela negação (como os setores menos organizados).

Em Santa Catarina apesar do atual terreno fértil para disseminação das ideias revolucionárias e para construção autônoma frente à tutela socialdemocrata, a existência de organizações revolucionarias no campo socialista (anarquistas e comunistas) é quase nula. O que impera no marxismo por aqui é uma prática reformista socialdemocrata com uma estética revolucionária (PCB, PSTU, PCLCP, Correntes do PT e etc.) e também uma política academicista (marxismo ortodoxo e heterodoxo).

Existe também a presença de um anarquismo designado ao papel de coadjuvante, descompromissado em disputar os rumos da luta de classes em SC (Especifismo e setores menos organizados). Ora servem de força auxiliar para socialdemocracia (como nas mobilizações Fora Temer logo após a queda de Dilma) e ora se confundem como as tendências pós-modernas. Entendemos que no campo libertário é impossível a construção de uma unidade à nível teórico-programático devido ao abismo existente no que diz respeito a concepção da construção revolucionária, porém achamos possível e necessária a unidade a nível de movimentos de base em que atuamos (locais de estudo, trabalho e moradia), realizando uma unidade via a bandeira do sindicalismo revolucionário, fazendo frente ao oportunismo socialdemocrata e criando alternativas de organização autônoma para a classe.

Um fator a se levar em consideração, é que tanto o marxismo (ortodoxo e heterodoxo) como o anarquismo, possuem sua influência política real limitada aos setores da educação e funcionalismo público de maneira geral, apesar da população e economia diversificadas das terras catarinenses. Essa é uma barreira a ser superada para possibilitar o avanço do anarquismo e do sindicalismo revolucionário, indo de encontro a organização ampla do proletariado marginal das cidades e do campo.

Diante desses fatos, compreende-se facilmente porque não podemos continuar indiferentes ao estado de despreocupação e negligência que existem atualmente em nossos meios. De uma parte, isso impede a criação de Organização Anarquista coerente, que permitirá aos anarquistas ocuparem o lugar que lhes cabe na revolução. Doutra parte, isso permite apenas contentar-se com belas frases e grandes pensadores, omitindo-se assim do momento de agir.
Eis  uma organização apoiada sobre o princípio de uma disciplina fraternal. Tal organização conduzirá ao acordo indispensável de todas as forças vivas do anarquismo revolucionário e que o ajudará a ocupar seu lugar na luta do Trabalho contra o Capital”

Nestor Makhno

Para nós, a tarefa dos Anarquistas revolucionários hoje é negar globalmente a política de aliança de classes do reformismo brasileiro aprofundando seu desgaste entre o povo, afastando-o cada vez mais dos mecanismos de representação da democracia burguesa (as eleições, os partidos oficiais e os sindicatos oficiais) para construir organizações políticas de novo tipo, que acumulem para a construção de uma confederação autônoma dos trabalhadores brasileiros, independente, combativa e internacionalista e com isso é preciso se lançar na disputa em nossas bases.

“Cabe agora o trabalho paciente, contínuo e perseverante. A defesa intransigente da nossa ideologia e política revolucionária. É a intransigência revolucionária o principal mecanismo de força da União Popular Anarquista; a intransigência na defesa dos interesses do povo, dos princípios ideológicos e organizativos que visam a libertação do proletariado.

Não transigir significa não se vender ao capitalismo e ao reformismo; é permanecer fiel aos postos de combate do Bakuninismo. A revolução social depende da firmeza ideológica das vanguardas populares, e o conjunto do povo depende da revolução social. Honremos nossos compromissos enquanto amigo do povo e defensores da causa do povo. Tenhamos só um dever: fazer a revolução.” (Resoluções do II CONUNIPA, 2004)

Esse caminho tem sido apontado há anos pela União Popular Anarquista (UNIPA) através da instrumentalização do bakuninismo para análise e intervenção na realidade local e de uma militância ativa, coerente e incansável em diversas categorias que tem recolocado o anarquismo como uma força política real na luta de classes no Brasil. Ao compreender que a intervenção cada vez mais qualitativa na conjuntura concreta está relacionada à aplicação de uma linha política de massas e de um programa e uma estratégia revolucionária fundada sobre uma sólida base teórica, sendo assim firmamos o compromisso de construção da UNIPA como etapa de construção de um partido revolucionário anarquista (anti-eleitoral) que assuma a tarefa de construção do socialismo revolucionário, no Brasil e internacionalmente. Entendendo a necessidade e urgência desse avanço, convidamos a todos os camaradas que expressarem acordo com as análises e linhas colocadas para se unirem a nós na construção do Bakuninismo e da força coletiva do proletariado em Santa Catarina e no sul do Brasil.

 

Pela Revolução Socialista Proletária!

Viva o Anarquismo Revolucionário!

Rumo ao poder popular!

Avante UNIPA!

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