Repressão ao Anarquismo!

Texto publicado no Causa do Povo, Edição Nº 77 – Abril/Maio de 2018
Leia a edição completa AQUI


Em outubro de 2017, o país assistiu ser veiculada em rede nacional uma grande operação policial no Rio Grande do Sul que tinha como alvo militantes anarquistas. Esse não é um caso isolado. Há perseguições ao anarquismo na Rússia, na Grécia e em cada vez mais países.

Desde 2008, uma série de greves, rebeliões e levantes populares surgiram em todo o mundo como resposta ao endurecimento das políticas de austeridade acionadas pelos Estados para conter os efeitos da crise econômica. Esses processos tem como principal modalidade a “insurgência urbana”, protestos que ocorrem fora dos espaços e formatos permitidos pelos governo.

A sofisticação das estratégias de controle de multidões tem sido o tom do tratamento dado aos conflitos e manifestações em todo o mundo. A gestão dos distúrbios requer o fortalecimento dos aparatos de contenção e repressão, a criação de dispositivos legais de “exceção”, o monitoramento de ativistas, infiltrações em reuniões e marchas, proibição de participação em atividades políticas, detenções preventivas, etc. O controle social sobre os dissidentes passa a ocorrer não apenas durante os protestos, mas também entre eles, em antecipação. Essas estratégias impõem uma atmosfera de terror ao ativismo. O objetivo é limitar as formas, o conteúdo, os locais e períodos das manifestações para anular sua potência antissistêmica. Essa gestão militarizada do conflito social se baseia na chamada “guerra ao terrorismo” que se desdobra localmente na “guerra contra a insurgência urbana”.

No Brasil, a guerra (não abertamente) declarada contra movimentos insurgentes se torna mais explícita no contexto dos protestos de 2013/2014, quando se intensificaram os enfrentamentos entre manifestantes e forças policiais. Desde aquele momento, a desobediência civil e a ação direta voltaram a ser um grande preocupação para a ordem burguesa. Desde então, ocorreram casos de invasões de sedes de organizações anarquistas, casas de militantes, grampos e apreensões para intimidar a militância libertária.

Os anarquistas são alvo prioritários desta guerra, por cultivarem a tradição de não se submeter ao modelo de atuação previsto pelo Estado e adotado pela esquerda reformista. Além de enfraquecer a capacidade de ruptura da classe trabalhadora com sua linha de reivindicação contida e colaborativa, o reformismo muitas vezes atua como cúmplice da repressão, seja engrossando o discurso contra-insurgente ou delatando e punindo diretamente os manifestantes combativos que não acatam a “unidade” da passividade.

Mesmo sob a mira da burguesia, nossa tarefa é organizar o povo como exército insurgente, capaz de vencer a guerra ao terror e a guerra de classes.

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