Rompimento das barragens da Vale: mais mortes e impactos socioambientais na conta da gerência petista

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No dia 5 de novembro de 2015, o rompimento das barragens de rejeitos de minério da VALE em Mariana (MG), se apresentou como mais uma expressão dos efeitos devastadores da lógica neodesenvolvimentista empreendida pelos governos do PT.

A mineração e os interesses da burguesia

No Brasil, os projetos extrativistas para a exploração de minérios, petróleo e gás estão entre as atividades que mais geram lucro para a burguesia, intermediados pelo Estado e pelo capital internacional. O PAC 1 (2007- 2010) e o Plano IIRSA, conduzidos pelo PT, visam criar corredores de exportação de minério, energia e produtos agrícolas por toda América Latina, e não por acaso, são esses os setores da economia que mais empregam e matam trabalhadores terceirizados, produzem impactos sócio-ambientais irreversíveis, dizimam camponeses, indígenas e quilombolas e aniquilam as comunidades onde se estabelecem empresas e obras extrativistas.

A revisão do Código de Mineração garantindo privilégios de grandes empresas e ocorrendo em sintonia com a paralisação de reconhecimento de direitos territoriais de comunidades tradicionais (PEC 215 e outros), aponta mais uma vez como Estado e capital orquestram interesses contra o povo. Continuar lendo

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VIA COMBATIVA | Entre a tutela estatal e a revolução: Algumas considerações sobre a história do sindicalismo rural e da luta camponesa

Para contribuir na formação política militante, estaremos relançando todas às sextas-feiras no site da Unipa os artigos de Via Combativa – uma revista de teoria política anarquista. Acompanhe!

vc3eUNIÃO POPULAR ANARQUISTA. Entre a tutela estatal e a revolução: Algumas considerações sobre a história do sindicalismo rural e da luta camponesa. Via Combativa, Brasil, Nº 03, p. 28-33, janeiro de 2011.


Entre a tutela estatal e a revolução: Algumas considerações sobre a história do sindicalismo rural e da luta camponesa

“A terra pertence a quem nela trabalha, à comuna rural. O capital e os instrumentos de trabalho pertencem aos operários, às associações operárias.” Mikhail Bakunin, 1868.

1 – Introdução

Os camponeses brasileiros possuem uma longa trajetória de lutas e enfrentamentos com o Estado, porém, é especialmente a partir da década de 1940 que a organização camponesa começa a tomar contornos organizativos nacionais. De fato, o surgimento do sindicalismo oficial é uma importante característica desse processo de luta dos camponeses, no entanto, surge muito mais como elemento negativo do que positivo para os interesses históricos da classe trabalhadora. Enquanto nas cidades e centros urbanos o proletariado teve um forte período sob a direção do sindicalismo revolucionário, modelo organizativo, programático e estratégico baseado na política anarquista na AIT (Associação Internacional dos Trabalhadores), no campo a independência de classe se deu de forma mais difusa, descontínua, e também esteve muito mais relacionada às organizações de tipo associações e ligas camponesas.

A pesar das lutas camponesas através das associações e ligas poderem também ser consideradas como lutas sindicais reivindicativas (em seu sentido amplo e histórico), o “sindicalismo rural” propriamente dito surge como tal no Brasil com três intencionalidades: 1) Como iniciativa dos setores mais ortodoxos do Partido Comunista, a sindicalização surge como necessidade de separar os assalariados rurais da influência do campesinato (visto erroneamente como pequena-burguesia e conservador). Além disso, alguns setores comunistas juntaram a isso a necessidade de esvaziar as associações e ligas camponesas (que de maneira difusa eram quem aplicavam a ação direta) e fortalecer a luta reivindicativa legal como base de apoio da disputa parlamentar; 2) O Estado primeiramente buscou a contensão e repressão da organização sindical camponesa, porém, a partir do governo João Goulart (1961-1964) e especialmente durante a ditadura civil-militar (1964-1985) o sindicalismo rural será o principal meio de controle do campesinato; 3) Além disso, não poderíamos deixar de considerar o fato de que existiram também muitos sindicatos rurais que surgiram autônomos da estrutura estatal e diversos dirigentes sindicais combativos que lutaram para manter essa autonomia (até hoje não podemos deixar de considerar essas realidades).

Não podemos tomar as realidades e a história de maneira unidimensional, devemos considerar os conflitos entre as organizações e a luta de classes como o motor de nossa compreensão. A história não é um cumulativo de modos de produção que se sucedem na história. A economia é um elemento determinante (se tomado em seu aspecto real, ou seja, relativo) na história, mas a política, as organizações sociais, as ideologias, são também partes da totalidade social. Portanto, a história do sindicalismo e da luta camponesa deve ser pensada como uma arena de disputas e conflitos: entre reformistas e revolucionários, entre a burguesia e a classe trabalhadora, entre as diversas organizações.

Atualmente vivemos dilemas fundamentais da organização dos trabalhadores e do socialismo. As jornadas de junho foram apenas uma demonstração de um novo período que se abre na luta de classe em nosso país, onde as contradições entre as burocracias sindicais e partidárias (atreladas ao governo e aos cargos burocráticos, ainda que como mera virtualidade) e as massas trabalhadoras se aprofundam. A crise de organização e direção dos trabalhadores finalmente parece apontar uma resolução, mas apenas como possibilidade. É para ajudar com essa tarefa que esse artigo se insere: contribuir para a compreensão das raízes da crise de organização dos camponeses, especialmente através do papel que cumpriu historicamente a política reformista do Partido Comunista Brasileiro (PCB) e do sindicalismo de Estado no campo. Continuar lendo

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Novo e-mail de contato com a Unipa

A Unipa passou por problemas no antigo e-mail divulgado neste site e em documentos de propaganda o que resultou em não-respostas por este canal. Pedimos desculpas pelo contratempo. Em razão disso, pedimos que os novos contatos sejam refeitos por um novo e-mail:

unipa@hacari.org

Agradecemos a compreensão! E nos vemos nas barricadas!

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[TURQUIA] O ESTADO É ASSASSINO, NÓS VAMOS DESTRUI-LO!

* Mensagem da Turquia, tradução livre.

Hoje, no dia 6 de novembro, a polícia atacou a ação contra o Conselho de Educação Superior, na Universidade de Istambul. A polícia cercou os revolucionários, que foram atacados com balas de borracha e gás lacrimogêneo. Elas levaram 18 revolucionário em custódia dolorosamente. Durante esse ataque na Universidade de Istambul, seis dos nossos camaradas da Juventude Anarquista foram levados sob custódia pela força, todos eles foram arrastados e agredido. Agora, seus tratamentos são bloqueados pela polícia. O estado está realizando seus ataques em toda esta geografia. O estado quer nos desencorajar nos colocando sob custódia, torturas ou detenções. Mesmo assim, nós somos apenas como nossos camaradas na Universidade de Istambul hoje, vamos gritar, firmes, de cabeça erguida e destruir o Estado. Vamos organizar até que acabe todos as formas de poder sobre nossas vidas, nós vamos lutar e defender a liberdade! Viva a Revolução, Viva o Anarquismo!


STATE IS MURDERER, WE WILL DESTROY IT!

Today; on the 6th of November, the police attacked to the action against the Higher Education Board, in İstanbul University. The police surrounded the revolutionaries, and attacked with plastic bullets and tear gas. They took 18 revolutionary into custody excruciatingly. During this attack in İstanbul University, six of our comrades from Anarchist Youth were taken into custody by force, they were all dragged and assaulted. Now, their treatments are blocked by the police. The state is going on his attacks all around this geography. The state wants to discourage us by taking into custody, by tortures or arrests . Nevertheless; we are just like our comrades in the Istanbul University today, going to shout out, stand fast, hold our heads high and destroy the state. We are going to organise till we erase all kinds of power from our lives, we are going to fight and cerate freedom Long live revolution, Long live Anarchism!

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VIA COMBATIVA | Anarquismo e Questão Agrária

Para contribuir na formação política militante, estaremos relançando todas às sextas-feiras no site da Unipa os artigos de Via Combativa – uma revista de teoria política anarquista. Acompanhe!

vc3dUNIÃO POPULAR ANARQUISTA. Anarquismo e Questão Agrária. Via Combativa, Brasil, Nº 03, p. 22-27, janeiro de 2011.


Anarquismo e Questão Agrária

O debate sobre a questão agrária teve um lugar decisivo na história do socialismo e das revoluções. No campo do marxismo, este debate teve suas posições derivadas da posição de Marx, Engels, Kaustki e Bernstein na social-democracia e depois sendo reformulada por Lenin e Mao-Tse-Tung. Além dessas posições, um setor “nacionalista” e republicano também teorizou a questão agrária e o lugar dos camponeses na revolução (do qual o modelo foi o “populismo russo”). Seja para o marxismo, seja para o republicanismo nacionalista burguês, o campesinato sempre teve um lugar “instrumental” na política, como veremos.

Pouco se conhece sobre a contribuição decisiva do anarquismo e das teses coletivistas para a formação dos movimentos sociais camponeses e a luta dos trabalhadores rurais. E ao contrário do nacionalismo e da social-democracia, para o anarquismo o campesinato e os trabalhadores rurais cumprem um papel fundamental na revolução não somente como força de apoio, mas como sujeitos construtivos. Essa diferença na forma de entender a questão agrária e o lugar do campesinato na política revolucionária é um dos principais elementos a marcar a diferença entre bakuninismo e marxismo e entre a teoria anarquista da revolução e as concepções comunista e burguesa. Continuar lendo

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VIA COMBATIVA | O Levante dos Marginalizados: análise sociológica dos protestos e manifestações populares no Brasil

Para contribuir na formação política militante, estaremos relançando todas às sextas-feiras no site da Unipa os artigos de Via Combativa – uma revista de teoria política anarquista. Acompanhe!

vc3cUNIÃO POPULAR ANARQUISTA. O Levante dos Marginalizados: análise sociológica dos protestos e manifestações populares no Brasil. Via Combativa, Brasil, Nº 03, p. 15-21, janeiro de 2011.


O Levante dos Marginalizados: análise sociológica dos protestos e manifestações populares no Brasil

“Pela flor do proletariado, eu entendo sobretudo esta grande massa, estes milhões de não civilizados, de deserdados, de miseráveis e de analfabetos que o Sr.Engels e o Sr. Marx pretendem submeter ao regime paternal de um governo muito forte… Por flor do proletariado, eu entendo esta carne para governo, esta grande canalha popular que, estando quase virgem de toda civilização burguesa, traz no seu seio, nas suas paixões, nos seus instintos, nas suas aspirações, em todas as necessidades e misérias de sua posição coletiva, todos os germes do socialismo futuro, e que só ela é suficientemente forte para inaugurar e para fazer triunfar a Revolução Social.” (Mikhail Bakunin)

Uma analise teórica é necessária do presente levante popular. A dimensão e significado que o levante assumiu já o torna um dos eventos mais importantes da história da classe trabalhadora e das lutas sociais no Brasil nos últimos 30 anos.

O que o levante popular explicitou? As contradições de classe e os limites do reformismo como política e do marxismo como teoria. A política apresentada por quase todas as organizações marxistas e socialdemocratas, partidos políticos e sindicatos foi contrarrevolucionária. Alinharam-se ao Governo, à Polícia e a mídia burguesa. A sua análise teórica da realidade foi equivocada. Tomaram como principal uma contradição secundária entre “direita e esquerda”, que há muito perdeu o conteúdo e ignoraram as contradições de classe e sociopolíticas profundas que se manifestaram. No campo socialista e revolucionário, dentre as poucas organizações anarquistas existentes a UNIPA foi à única que apresentou uma análise teórica coerente com uma prática revolucionária diante do levante popular. A teoria não se improvisa. E agora é preciso, mais do que nunca, uma teoria.

A UNIPA vem desenvolvendo desde 2003 uma série de teses e argumentos que apontavam para como as diferentes contradições sociais e políticas levariam, cedo ou tarde, a formação de movimentos espontâneos da classe trabalhadora, reagindo a contradições estruturais e conjunturais. É exatamente esses argumentos que iremos recuperar agora para analisar o presente Levante Popular. Em 2003, as Resoluções do II Congresso da UNIPA apresentavam nossa análise das contradições estruturais da sociedade brasileira e do nosso capitalismo dependente, em que indicávamos 8 contradições estruturais entre as diferentes frações de classe. Além da contradição capital/trabalho materializada em diferentes frações de classe (ex: proletariado industrial x burguesia industrial), colocávamos o seguinte: Continuar lendo

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VIA COMBATIVA | Os estudantes como categoria ocupacional e a estrutura de classes: Combatendo às raízes teóricas do reformismo e oportunismo

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vc3bUNIÃO POPULAR ANARQUISTA. Os estudantes como categoria ocupacional e a estrutura de classes: Combatendo às raízes teóricas do reformismo e oportunismo. Via Combativa, Brasil, Nº 03, p. 11-14, janeiro de 2011.


Os estudantes como categoria ocupacional e a estrutura de classes: Combatendo às raízes teóricas do reformismo e oportunismo

Os estudantes são uma classe social? Essa pergunta poderia parecer completamente sem sentido e sem importância. Pelas definições sociológicas das mais variadas correntes de pensamento, os estudantes não são uma classe social. E é certo que por uma definição científica de classe social, eles não poderiam ser assim considerados.

Mas porque então colocar esta questão? Porque hoje o movimento estudantil, setor estratégico da luta de classes no Brasil e no mundo, é qualificado como “pequeno-burguês” pelos partidos reformistas, que usam de uma base teórica marxista como justificativa para sua política atrasada no movimento estudantil.

Mas como veremos, eles estendem por analogia as definições tricotômicas de classes sociais ao universo ocupacional, criando assim uma aura “cientifica” para um argumento essencialmente oportunista. Vejamos então as contradições dessa caracterização reformista e oportunista e as reais limitações da teoria marxista que lhe serve de base.

Podemos resumir os argumentos de todos os Partidos que se dizem defensores do socialismo (PSTU, PSOL, PCB, PCdoB) tem apontado como principal justificativa o seguinte: 1) os estudantes são uma classe social, uma classe social de transição entre a burguesia e proletariado e por não serem ligados ao mundo da “produção” são “pequenos-burgueses”; 2) essa caráter pequeno-burguês ou policlassista do “estudante” cria autolimitações para o movimento estudantil, de maneira que o movimento estudantil não pode ser “revolucionário” e tem de estar subordinado ao movimento “operário”.

Dessa maneira, eles apresentam sua política reformista como legítima pela natureza de classe, “reformista” ou “pequeno-burguesa e policlassista” do movimento estudantil. Aqui temos um verdadeiro truque de mágica: o reformismo dos partidos é transformado no reformismo do “estudante em si”, que é apresentado como culpado da política de apoio aos governos, da burocracia das entidades e de todos os problemas que são geradas pelas decisões dessas organizações. Continuar lendo

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