20 de novembro: viva Zumbi e a resistência dos povos negros!

O Brasil foi o país que mais recebeu pessoas do continente africano para trabalho escravo durante o período da invasão portuguesa. Isso faz do Brasil um dos países com maior população negra do mundo. Porém, a vida do povo negro não é fácil e por isso, o dia 20 de novembro segue sendo um dia de luto e de luta. As desigualdades econômicas e sociais se ampliaram neste ultimo período. As mulheres negras seguem sendo as que sofrem com o maior índice de desemprego e quando empregada, tem os piores trabalhos com os menores rendimentos[1], o que mostra um entroncamento da exploração econômica com a opressão racial e de gênero.

Para além da violência capitalista, a violência do Estado também tem cor, tem raça. Em 2011 60,3% da população carcerária era de negros e 36,6% de brancos, em 2021 passou para 67,5% dos presos são negros enquanto que 29% de brancos.[2] Portanto temos um sistema econômico que explora a população negra e o Estado que encarcera e realiza um verdadeiro massacre contra a população negra. Enquanto a taxa de letalidade da policia contra brancos caiu em 30,9% em 2021, a policia matou 5,8% a mais de negros no mesmo período. O que nos leva a esse gráfico do Dieese:

Os dados sobre violência e são uma expressão de como o Estado, gerenciado pela máfia da família Bolsonaro/PL afeta diretamente as periferias, compostas majoritariamente por pessoas negras. Os discursos racistas e narrativas supremacistas de Bolsonaro/PL tem consequência direta no aumento do massacre do Estado contra as pessoas negras.

A luta etnico-racial entre a tutela do Estado e a autonomia popular.

Ao passo que esses dados expressam as políticas racistas do governo Bolsonaro, não significa que nos governos LuloPetistas tenham sido muito diferentes. Apesar das politicas de cotas nas universidades, o governo Lula/PT (2003-2010) criou o Estatuto da Igualdade Racial (2010) mas excluiu do texto original a regularização de terras para populações remanescentes de quilombos, descendentes diretos daqueles povos que foram violentados e escravizados por séculos. Não nutrimos ilusões de que um novo governo Lula vá fazer diferente, pois já mostra suas alianças com a burguesia agrária sendo um inimigo do povo que quer terra!

O campo social-democrata (PT, PSOL, PCdoB, PDT e demais grupos de movimentos negros) e a mídia burguesa costumam afirmar que o governo Bolsonaro/PL “perverteu as instituições” do Estado, e tomam a Fundação Palmares como claro exemplo. Afirmamos que a função deste órgão, assim como a Funai por exemplo é o de legitimar as violências sofridas pela população negra e indígena respectivamente. A Fundação Palmares, em que pese a sua importância de acervo do movimento negro, assim como outros institutos financiados por ONGs, escamoteiam o centro da questão para o povo negro do Brasil que é o acesso a terra e trabalho. E deixam esse debate de lado pois para enfrentar essa questão da terra, seria necessário fazer o enfrentamento a burguesia agrária, ao agronegócio, e pequeno-burgueses que são, não estão dispostos a fazer.

Assim, a ação desses institutos, órgãos e ONGs focam no combate ao racismo como sendo uma “falha moral” individual, e não como parte integrante do sistema capitalista para explorar essa mão de obra pagando menos, gerando assim altos lucros para os capitalistas. Só podemos combater o racismo lutando por terra para o povo negro e indígenas, nas cidades e nos campos, combatendo o Estado que nos mata e o capitalismo que nos explora. Lutando pelo socialismo e pelo federalismo!

VIVA ZUMBI! VIVA A LUTA POR TERRA E TERRITÓRIO!


[1] https://www.dieese.org.br/boletimespecial/2022/boletimPopulacaoNegra2022.pdf

[2] https://forumseguranca.org.br/wp-content/uploads/2022/06/anuario-2022.pdf?v=5

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O Estado é o golpe! O anarquismo é a liberdade! Não Vote, Lute!!

Comunicado n° 78 União Popular Anarquista – UNIPA, 15/09/2022

VERSÃO EM PDF

O atual momento político, econômico, ecológico e social pelo qual passa o Brasil não pode ser lido apenas pelos analistas da mídia burguesa hegemônica, seja ela bolsonarista ou antibolsonarista, pois ambas são burguesas e buscam a manutenção da propriedade privada, dos massacres no campo, o fortalecimento do latifúndio e o extermínio do povo nas cidades, seja através de ações policiais truculentas, seja através da precariedade e da fome, legitimadas pela reforma trabalhista de Temer/MDB.

O Brasil vive uma contrarrevolução permanente com as diversas frações das classes dominantes, setores da burguesia e generais e coronéis das forças armadas, ditando o ritmo da política institucional. A constituição de 1988 foi aprovada ainda sob a tutela dos militares, com esses controlando os porões, mas impedindo avanços fundamentais, como a liberdade de organização das trabalhadores e trabalhadores e a liberdade de greve, ao mesmo tempo em que mantiveram todo aparato militar intacto e, principalmente, protegendo os torturadores e assassinos. Portanto, tanto golpe empresarial-militar de 1964, como a própria reabertura em 1988/89, arquitetada e tutelada pelos generais Goubery e Leônidas, são expressões da manutenção da ordem burguesa, ora com mais fechamento do regime, ora com menos, possibilitando a ação de algumas frações e subfrações da classe trabalhadora com algum grau de integração no regime.

Mesmo as forças ditas democráticas, aprovaram Estado de exceção. Como o criado pelo governo Dilma/PT e apoiado pelas elites políticas em meio ao levante popular de junho de 2013. A cereja do bolo foi a lei antiterrorismo exigida pela empresa estrangeira FIFA para realizar seu megaevento no Brasil, o que expressa a submissão do PT e ajudou a fortalecer a tutela militar e consequentemente o militarismo.

Existe nesse momento uma narrativa de receio de um golpe de Estado que Bolsonaro-Braga Neto/PL anuncia desde 2020. E agora aparece como ameaça em caso de vitória da chapa Lula-Alckmin. Sabemos que Bolsonaro, Braga Neto, Mourão, e todos os generais no governo – todos formados na AMAN nos anos 70 – são parte da ala que não queria a abertura realizada pela ditadura. Hoje esse setor dita a política institucional, seja na contra informação do golpe com nítidos objetivos de mudanças institucionais, de avanço do militarismo e de se posicionar na estrutura política e de Estado de forma vitoriosa, independente do resultado eleitoral. Hoje o cenário de um golpe se configura como o menos provável. Já afirmamos que: “existir intenções de golpe ou ditadura militar por parte de um setor da extrema direita é diferente de existir condições, ou mesmo necessidade, para isso.” (UNIPA, Comunicado 76, Abril de 2021).

Assim, comparando com o golpe de 1964 onde houve a implementação de um regime ditatorial e, consequentemente, uma ruptura com a institucionalidade burguesa, hoje as condições para repetir algo semelhante estão mais distantes. No contexto interno, percebe-se que a estratégia da intervenção militar ainda não é hegemônica entre as classes dominantes e suas e frações. Isso ficou explicitado na publicação de duas cartas: 1) a Carta às Brasileiras e aos Brasileiros em defesa do Estado Democrático de Direito, protagonizada pela burguesia intelectual da USP e que contando com a adesão de outras frações da burguesia, e 2) o manifesto em defesa da democracia organizado pela FIESP, assinado por outras entidades representantes da burguesia empresarial, como a Associação Brasileira da Infraestrutura e Indústrias de Base e a Federação Brasileira de Bancos, seguidas pelas burocracias colaboracionisras, como CUT, UNE, Coalizão Negra por Direitos, entre outras. Por outro lado, empresário classificados como bolsonaristas, Luciano Hang, dono da Havan; Afrânio Barreira, do Coco Bambu; José Isaac Peres, da rede de shoppings Multiplan; José Koury, dono do Barra World Shopping (RJ); Ivan Wrobel, da construtora W3 Engenharia; e Marco Aurélio Raymundo, dono da Mormaii, defendem abertamente um golpe de Estado.

No contexto internacional também não há ainda apoio do imperialismo estadunidense e da União Europeia. A derrota eleitoral de Trump de fato repercutiu para o enfraquecimento da extrema direita brasileira que perdeu seu principal interlocutor. Essa falta de apoio externo poderia significar dificuldades para a burguesia agrária nas suas exportações.

No entanto, mesmo o golpe de 1964 começou a ser gestado ainda na segunda metade dos anos 1940. E independente da vitória eleitoral o projeto de tutela militar tem avançado com ampliação do militarismo, seja como expressão da base de apoio e militante que apoiam a candidatura de Bolsonaro-Braga Neto/PL, seja como ocupação dos cargos legislativos.

A Classe Desarmada Frente a Ofensiva da Burguesia e do Alto Comando das Forças Armadas

As organizações oficiais do sindicalismo, do movimento estudantil e de movimentos políticos encontram-se burocratizadas e domesticadas pelas forças políticas socialdemocratas, como PT, PCdoB e PSOL. Construíram um saber-fazer política de conciliação de classe. Esses partidos e suas organizações são hoje expressão republicanas da ordem burguesa. Ou seja, estão mais preocupados em salvar o capitalismo brasileiro e sua república do que organizar a classe trabalhadora para construir a revolução social e o socialismo.

Desde 2014, passamos por uma ação de contra insurgência que tem atacado todos os poucos direitos que setores da classe trabalhadora tinham e aumentando o ataque sobre os camponeses, mulheres e a população negra e indígena no geral. Essa contrainsurgência não poupou nem mesmo Lula e o governo do PT e o PMDB ampliou a ponte para o atraso com um conjunto de políticas para a piorar as condições de vida e trabalho.

Por sua vez, o alto comando das forças armadas são parte central do processo em curso no Brasil. Fortalecida nos governos PT, ganhando força e legitimidade a partir da intervenção de ocupação no Haiti, através das lideranças das tropas da Minustah, essas forças foram avançadono projeto político de retorno a linha dura da ditadura, identificando qualquer traços de política antirracista, feminista e de classe como ameaças a integridade nacional. A nomeação do General Braga Neto como interventor o Rio de Janeiro foi um passo importante para a efetiva ação da tutela militar.

A candidatura de Bolsonaro foi gestada nesse ambiente e ainda sob o governo Dilma Roussef, o alto comando liberou a campanha aberta de Bolsonaro nos quarteis. Forjada a aliança com a burguesia que via sua margem de lucro cair e tomada por um programa ultraliberal de aumento da dependência econômica com consequências nefastas para a classe trabalhadora, o governo do Alto Comando das Forças Armadas, representado por Jair Bolsonaro e pelo general Mourão Filho, foi eleito.

Diante do jogo de contrainformação golpista e acostumada aos jogos palacianos e de negociação e concertação a saída da social democracia, o PT e seus aliados, foi o apelo para as instituições burguesas, judiciário e congresso. E para defesa das instituições e do avanço do protofascismo sabotaram qualquer possibilidade de luta popular. A saída de Lula da prisão e sua atual candidatura só é possível não pela força das ruas, mas por uma divisão do judiciário e ministeríro público que se concretizou diante da vazamento das conversas de Moro e dos procuradores. Isso possibilitou que setores do judiciário, fundamental os ministros do Supremo, reagissem a ação perpetrada desde os EUA.

A classe trabalhadora estava paralisada diante das disputas no interior do bloco no poder. Esse processo de defesa das instituições de 1988 foi vista mais recentemente uma carta de juristas, tentativa de se remeter a uma carta escrita em 77, que questionava a legitimidade da ditadura militar. Essa atual carta procura justamente defender a constituição de 1988.

A tentantiva tanto do PT como de Ciro Gomes é a recomposição da ordem burguesa sob os parâmetros da constituição de 1988. As recentes manifestações para leitura dessa última carta são uma tentativa da esquerda do PT, PCdoB e PSOL de relegitimar o sistema político e eleitoral, quando na verdade o papel dos partidos comunistas, socialista e de trabalhadores deveria ser o de contestar o sistema. Assim, a política desse setor está mais interessada em atender interesses corporativos e de frações da sua base social dentro do Estado. Favorecer a pequena burguesia desalojada do Estado com ação da classe dominante, dos parlamentares e das forças armadas. Essa posição fortalece o bolsonarismo, principalmente o militarismo, pois deixa o papel de contestação para as forças conservadoras e reacionárias proto-fascistas e ainda deixa as forças armadas

O que fazer?

É preciso que os militantes anarquistas, revolucionários e sindicalistas revolucionários intensifiquem e combinem cada vez mais o trabalho de organização e resistência cotidiana e ao mesmo tempo aponte a necessidade de construção do contra poder popular, o Congresso Povo. Avançar na massificação do anarquismo e do sindicalismo revolucionário, como por exemplo a construção da Federação das Organizações Sindicalistas Revolucionárias do Brasil (FOB), com inserção no proletariado marginal do campo e da cidade, principalmente entre o povo negro e indígena e as mulheres é condição central para construirmos a revolução social desde hoje rumo ao socialismo e ao autogoverno das trabalhadoras e trabalhadores.

A política de autodefesa para o campo e para as favelas e periferias é outra tarefa fundamenta para efetivarmos a efetivação libertação dos territórios e expandiar e ampliar a economia de apoio mútuo. Nesse sentido, a campanha “Não Vote, Lute” cumpre o papel de educar o povo ao mostrar que nosso único caminho é pela via da Ação Direta e da Sabotagem, sem intermediários, seja parlamentares, patrões, padres e pastores. Ou seja, abandonar as ilusões da participação nas eleições burgueses é um passo fundamental para a ruptura com as concepções e práticas reformistas. Só o povo organizado é capaz de coletivamente construir sua autonomia e efetivamente melhorar sua condição de vida e evitar o desastre econômico, social e ecológico. No curto prazo sabemos das dificuldades, mas é fundamental construir desde hoje a revolução social e o socialismo. O resto é ilusão.

Anarquismo é Luta! È Liberdade!!
Abaixo o militarismo!
Pelo Socialismo e Autogoverno das Trabalhadoras e Trabalhadores.
Não Vote, Lute!

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A rosa do povo: pela memória da vida rebelde de Rosa da Fonseca

Rosa Maria Ferreira da Fonseca Nascimento faleceu aos 73 anos de idade no dia primeiro de junho de 2022, em Fortaleza, vítima de câncer de ovário. Ela nasceu em Quixadá, no interior do estado do Ceará, em 24 de abril de 1949.

Rosa militou no movimento estudantil, foi da Ação Popular-AP e foi presa pela primeira vez em 30 de setembro de 1971, após, em um programa de televisão, ter enquadrado o então ministro da ditadura, Jarbas Passarinho, terminou enquadrada na Lei de Segurança Nacional da ditadura empresarial-militar. Figura presente em assembleias, passeatas, ocupações e bloqueios de rua em Fortaleza e região metropolitana, Rosa experimentou os dilemas, vitórias e derrotas vivenciados pelos movimentos populares e as organizações políticas dos últimos cinquenta anos.

Sua vida rebelde iniciou-se na luta estudantil contra a ditadura militar, atravessou a luta das mulheres pela supressão do patriarcado, e alcançou os combates anticapitalistas pela emancipação da humanidade no século XXI. Professora, foi a primeira presidente da CUT Ceará, mas ainda assim, fazia piquetes em portas de fábricas, o que costumeiramente a levava para a delegacia. Após aposentada, passou a ser perseguida pela gestão Ivo Gomes/PDT na SME de Fortaleza e voltou para sala de aula para “pagar” o tempo que esteve como vereadora. Voltou com gosto, nunca teve medo do povo.

Natural de Quixadá, sabe que uma das mazelas que mais afeta nosso povo é o patriarcado, e ainda nos anos 70 organizou a mulheres pela anistia, e depois a União das Mulheres Cearenses-UMC. Também enfrentou a estrutura sindical oficial, combatendo o sindicalismo pelego da APEOC ainda na ditadura e depois, ajudando na formação do SINDIUTE, sindicato sem carta sindical mas com a legitimidade da categoria, espalhando sessões e núcleos sindicais por todo o Ceará. Tudo isso junto ao grupo de militantes, muitos vindos do PCdoB e outras experiências de combate a ditadura. Assim, Rosa não era uma ativista, mas uma militante disciplinada que coordenava as ações junto as suas companheiras e companheiros, incluindo a grande lutadora abnegada, Celia Zanetti, também falecida.

Rosa plantou a semente da radicalidade anticapitalista em pelo menos três gerações de militantes cearenses dos movimentos sociais. Ela será lembrada por seu carisma e como aquela que ousou romper a institucionalidade burguesa, superando a estratégia social-democrata das eleições parlamentares. Denunciando o Estado e o capital como causas da exploração e da opressão do povo. Rosa entendia que não cabia aos anticapitalistas disputar posições no Estado para gerenciar a dominação dos trabalhadores e trabalhadoras pelo capital. Portanto, diferente do que o oportunismo eleitoreiro e estatal tenta passar, o legado da Rosa da Fonseca não é apenas a luta social, mas o objetivo, aquilo que chamava de emancipação humana, a crítica ao valor, o fim dessa sociedade capitalista e patriarcal, sociedade essa que os socialistas burgueses que dizem chorar a perda da Rosa, se beneficiam. Esconder os objetivos de Rosa é negar ela própia e portanto, matar sua trajetória e memória!

Os anarquistas revolucionários reconhecem nela uma incansável lutadora da causa do povo, apesar de discordâncias com a estratégia defendida nas últimas décadas por Rosa e o grupo do qual faz parte, a Crítica Radical, que associaram todo e qualquer sindicalismo ao peleguismo e abandonaram a radicalização da organização popular rumo à revolução social em troca de uma preparação para autodestruição do sistema capitalista. Rosa é uma referência para todos os que buscam a destruição desse sistema.

Nos solidarizamos com sua companheira Sandra, demais familiares, amigos e companheiros de luta. Rosa levava um mundo novo em seu coração. Esse mundo continuará crescendo em cada revolucionário, em cada assembleia, greve, barricada e ocupação de terra nas cidades, nos campos e nas florestas. A Rosa vai enfim descansar, mas deixou as sementes do novo mundo. Hoje nossas lagrimas vão regar essas sementes para que os sonhos de Rosa floresçam também pelas nossas mãos!

Rosa da Fonseca! Presente! Hoje e sempre!

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208 anos de Bakunin

Há 208 anos, em 1814, nascia, em Premukhimo, o anarquista russo Mikhail Bakunin. Sua família era de origem aristocrata, mas Bakunin rompe com o czarismo, abandona a carreira militar e passa a se dedicar às causas revolucionárias, em especial das lutas de emancipação dos povos eslavos.

Por volta de 1840, Bakunin migra para a Alemanha, onde aprofundou seus estudos filosóficos, dedicado-se a compreensão da filosofia de Kant, Fichte, Hegel, Goethe, entre outros. Participa de círculos de estudo, inclusive dos chamados “hegelianos de esquerda”.

Os primeiros contatos de Bakunin com as ideias socialistas ocorreu ainda na Rússia, pela influência de filósofos russos Aleksandr Herzen e Nikolay Ogarev, que se tornariam seus interlocutores e amigos. Mas foi em Paris que o revolucionário anarquista mergulhou nas concepções e práticas das lutas proletárias. Nos círculos operários conheceu o anarquista francês Pierre-Joseph Proudhon e os comunistas alemães Karl Marx e Friedrich Engels. Proudhon foi decisivo para sua adesão ao anarquismo e, em grande medida, Bakunin será o principal continuador da obra de Proudhon.

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Chuvas e mortes em Recife: mudança climática e desigualdade urbana

Morador filma sua casa sendo arrastada pelas águas

Estudo da Environmental Research Letters aponta que regiões do mundo podem sofrer inundações “sem precedentes” em áreas costeiras que abrigam 1 bilhão de pessoas. O Brasil, assim como outros países periféricos do sistema interestatal capitalista terão áreas litorâneas sacrificadas com o aumento do nível dos mares, uma das consequências das mudanças no clima. Esta é provocada pela emissão de gases do efeito estufa advindos da geração de energia elétrica e de calor através da queima de combustíveis fósseis como carvão, petróleo e gás natural. Como os efeitos sociais de eventos climáticos são distribuídos desigualmente, podemos prever que o povo trabalhador está em risco.

As chuvas ocorridas entre a noite de 27 de maio de 2022 e no decorrer do dia seguinte provocaram alagamentos e deslizamentos de terra, vitimando 35 pessoas na zona metropolitana de Recife (PE) e na Zona da Mata (PE). Vinte mortes foram à Comunidade Jardim Monte Verde, na Zona Sul de Recife, área mais afetada. Frente ao evento, foi meramente reativa e não preventiva a ação da prefeitura (João Campos/PSB), do governo de Pernambuco (Paulo Câmara/PSB) e do governo Federal (Secretaria Nacional de Proteção e Defesa Civil), e em muitas ocasiões, nem reação tiveram, demorando absurdas horas para informar onde as populações desalojadas iriam passar a noite do dia 28/05 com suas famílias.

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CAUSA DO POVO n° 79 – maio de 2022

Acesse em PDF a edição completa

Nesta edição:

Rojava: 10 anos de revolução (pag. 1)

Assassinatos no campo (pag. 2)

Guerra racial (pag. 3)

De Mariana a Petrópolis: desastre natural ou crime socioambiental? (pag. 4 e 5)

Depois da peste, a guerra (pag. 6)

Chile: da insurreição popular, uma nova constituição burguesa (pag. 7)

Construção de pró-núcleos da UNIPA (pag. 8)

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1° de Maio – dia de luto e de luta

O primeiro de Maio de 2022 foi marcado pelo agravamento da crise social, econômica e ecológica em virtude das consequências da pandemia provocada pelo COVID-19 e pela escalada da guerra na Ucrânia. Essa crise nos coloca mais ainda que o único caminho real é a revolução social e socialismo. A formação do autogoverno das trabalhadoras e trabalhadores. Neste sentido, a lembrança dos mártires de Chicago, trabalhadores anarquistas que lutavam pelo socialismo, deve ser pautada não como uma memória e prática vazia, mas muito pelo contrário, como um elemento para que possamos reafirmar justamente a destruição do mundo capitalista e a criação do socialismo.

No Brasil a situação atual é de aumento do desemprego, do emprego informal e da violência no campo. Os burgueses, generais e governantes tem aproveitado a crise para impor uma pauta de contínua perda de direitos e um novo mundo de trabalho ampliando as novas formas de exploração (terceirização, uberização, automação do trabalho), e assim mantendo a estrutura dos problemas socioeconômicos, políticos e econômicos que nos trouxeram até aqui como temos afirmado nos nossos documentos.

Não temos uma democracia a defender: temos um estado de exceção a combater!

Não temos uma democracia a salvar, temos uma tirania que sufoca, oprime e mata cotidianamente trabalhadoras e trabalhadores, principalmente jovens negros nas favelas e periferias de todo o país. Que continuamente assassina líderes de movimentos sociais do campo e da floresta. Essa tirania se escancarou na medida em que o governo Bolsonaro rompeu o pacto de conciliação da “abertura democrática” e trouxe o porão da ditadura para defender como política de Estado e Governo o que a muito tempo se faz no campo, nas periferias e favelas. Por duas vezes, em abril de 2020 e em 07 de setembro de 2021 o governo tentou o golpe para fechamento do regime. Por hora, não teve apoio dos generais e dos Estados Unidos.

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CASTELLANO – Después de la peste, ¡la guerra!

Nueva Guerra Fría, caracterización de un conflicto interimperialista, los roles de los estados involucrados y las iniciativas de resistencia a la invasión

Comunicado n° 77 de la Unión Popular Anarquista – UNIPA, 01/03/2022

“El Estado moderno, por su esencia y por los objetivos que se propone, es por fuerza un Estado militar, y un Estado militar está condenado, no menos necesariamente, a convertirse en un Estado conquistador; si no se propone conquistar, será conquistado, por la sencilla razón de que allí donde existe la fuerza, debe mostrarse o actuar”.

Mikhail Bakunin, Estatismo y anarquía, 2003, p. 36

DOWNLOAD VERSIÓN EN CASTELLANO

Los pueblos del mundo siguen sufriendo los terribles efectos de la peste, la pandemia de Covid-19, que ha sembrado la muerte, más de 6 millones de víctimas en todo el mundo, la miseria y el hambre, mientras avanza una nueva amenaza: la guerra.

El pasado 24 de febrero, Ucrania fue invadida por las tropas rusas comandadas por Vladimir Putin, del partido ultraconservador Rusia Unida. La semana anterior, el Gobierno ruso reconoció la “independencia” de las provincias ucranianas de Donetsk y Lugansk en Donbass, al este del país, rompiendo los acuerdos firmados en Minsk en 2014 y 2015, que establecían una tregua en la conflictiva región. Putin está repitiendo la estrategia que utilizó en 2008, cuando ocupó militarmente Georgia, una antigua república de la ex Unión Soviética, situada en la región del Cáucaso.

Para entender la escalada de conflictos militares entre Rusia y Ucrania, es necesario comprender que la actual geopolítica global está determinada por la “Nueva Guerra Fría”[1] y el momento de transición en el sistema-mundo capitalista, marcado por el declive de la hegemonía estadounidense y el ascenso de un nuevo bloque imperialista, Moscú-Pekín, que rivaliza con el bloque Estados Unidos-UE-Inglaterra.

1. La expansión de la OTAN en Europa del Este y la construcción de la Rusia imperialista

Fundada en 1949, la OTAN (Organización del Tratado del Atlántico Norte), la alianza militar transatlántica del bloque capitalista durante la Guerra Fría, no se extinguió con el desmantelamiento de la URSS en 1991, al contrario, la OTAN se amplió con la adhesión de nuevos países de Europa del Este, antiguos miembros del Pacto de Varsovia, un acuerdo militar de 1955, establecido entre los países del entonces bloque socialista.

En 1999, la OTAN incorporó a Hungría, Polonia y la República Checa. En 2004, Bulgaria, Rumanía, Eslovaquia, Estonia, Letonia, Lituania y Eslovenia, las cuatro últimas pertenecientes a la antigua Unión Soviética. Albania y Croacia se incorporaron en 2009, Montenegro en 2017 y Macedonia del Norte en 2020, elevando el número total de países miembros a 30.

Es importante señalar que, en el mismo periodo, la Unión Europea (UE) también se amplió para incorporar a los países de Europa del Este y a las antiguas repúblicas soviéticas. Hubo una verdadera ofensiva política, militar y económica para integrar a los países que formaban parte del extinto bloque socialista en el bloque imperialista hegemónico, EEUU-UE-Inglaterra, y, en consecuencia, para aislar a Rusia en un intento de impedir el surgimiento de una potencia contrahegemónica en Europa/Asia.

Por su parte, Putin se ha dedicado a transformar a la Rusia, heredera del arsenal bélico de la antigua URSS, en una potencia imperialista. Su primera acción fue cuando aún era Primer Ministro del entonces Presidente Boris Yeltsin (1991-1999), y masacró a los separatistas chechenos, que habían luchado entre 1994 y 1996 por la independencia de Chechenia, una región del Cáucaso. Tras la dimisión de Yeltsin, Putin ganó las elecciones presidenciales y continuó su escalada militarista.

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– Depois da Peste, a Guerra! –

Nova guerra fria, caracterização de um conflito interimperialista, os papéis dos Estados envolvidas e as iniciativas de resistência a invasão

Comunicado n° 77 da União Popular Anarquista – UNIPA, 01/03/2022

O Estado moderno, por sua essência e pelos objetivos que se fixa, é por força um Estado militar, e um Estado militar está condenado, não menos obrigatoriamente, a se tornar um Estado conquistador; se ele próprio não se lançar a conquista, será conquistado, pela simples razão de que por toda parte onde a força existe, é preciso que ela se mostre ou aja.

BAKUNIN, Estatismo e Anarquia, 2003, p. 36.

VERSÃO EM PDF

Os povos do mundo ainda sofrem com os terríveis efeitos da peste – a pandemia da Covid-19, que espalhou a morte, são mais de 6 milhões de vítimas fatais em todo mundo, a miséria e a fome, enquanto uma nova ameaça avança: a guerra.

No último dia 24 de fevereiro a Ucrânia foi invadida pelas tropas russas comandadas por Vladimir Putin, do partido ultraconservador Rússia Unida. Na semana anterior o governo russo reconheceu a “independência” das províncias ucranianas de Donetsk e Lugansk, em Donbass, região leste do país, quebrando os acordos assinados em Minsk nos anos de 2014 e 2015, que tinham estabelecido o cessar-fogo na região conflagrada. Putin está repedindo a estratégia que usou em 2008 ao ocupar militarmente a Geórgia, ex-republica da antiga União Soviética, localizada na regão do Cáucaso.

Para entender a escalada dos conflitos militares entre Rússia e Ucrânia, é necessário compreender que a atual geopolítca global é determinada pela “Nova Guerra Fria”1 e pelo momento de transição no sistema-mundo capitalista, marcado onde o declínio da hegemonia norte-americana e ascensão de um novo bloco imperialista, Moscou-Pequim, que rivaliza com o bloco EUA-UE-Inglaterra.

1. A expansão da OTAN no Leste Europeu e a construção da Rússia imperialista

Fundada em 1949, a OTAN (Organização do Tratado do Atlântico Norte), aliança militar transatlântica do bolco capitalista durante a Guerra Fria, não foi extinta com o desmantelamento da URSS, em 1991, pelo contrário, a OTAN se expandiu com a adesão de novos do Leste Europeu, antigos membros do Pacto de Varsóvia, acordo militar de 1955 estabelecido entre os países do então bloco socialista.

Em 1999, a OTAN incorporou Hungria, Polônia e República Checa. Em 2004, Bulgária, Romênia, Eslováquia, Estônia, Letônia, Lituânia e Eslovênia, os quatro últimos fizeram parte da antiga União Soviética. A Albânia e a Croácia aderiram em 2009, Montenegro em 2017, e Macedônia do Norte em 2020, elevando o número total de países-membros para 30.

É importante destacar que, no mesmo período, a União Europeia (UE) também se expandiu incorporando países do Leste Europeu e antigas repúblicas soviéticas. Ocorreu uma verdadeira ofensiva política, militar e econômica para integrar ao bloco imperialista hegemônico, EUA-EU-Inglaterra, os países que fizeram parte do extinto bloco socialista e, consequentemente, isolar a Rússia numa tentativa de impossibilitar a ascensão de um poder contra-hegemônico na Europa/Ásia.

Por sua vez, Putin se dedicou em converter a Rússia, herdeira do arsenal bélico-nuclear da ex-URSS, numa potência imperialista. Sua primeira ação foi ainda no cargo de primeiro-ministro do então presidente Boris Iéltsin (1991-1999), ao massacrar os separatistas chechenos, que haviam lutado entre 1994 e 1996 pela independência da Chechênia, região do Cáucaso. Após a renúncia de Iéltsin, Putin vence as eleições presidenciais e continuou com sua escalada militarista.

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25A | Marcha ao STF: Bloco Terra e Liberdade contra o Marco Temporal e PL 490

Está em curso nas três esferas do governo federal uma agenda anti-indígena para o país. A luta pela Terra e Liberdade é de interesse de toda classe trabalhadora, por isso nós, trabalhadores(as) das cidades, nos unimos aos povos indígenas na construção da Marcha ao STF através do “Bloco Terra e Liberdade” para barrar o Marco Temporal e o PL 490. Esta agenda anti-indígena segue a secular desterritorialização e genocídio colonialista contra os povos originários, bem como a devastação socioambiental para dar lugar aos empreendimentos capitalistas que afetam a vida nos campos e nas cidades. Nos últimos anos, cresceu a violência e a expropriação de terras indígenas por parte de governos e latifundiários, sempre bem protegidos pela grande mídia, pelas polícias, milícias privadas e o judiciário. É preciso unir trabalhadores do campo, das florestas e das cidades para defendermos com solidariedade e ação direta os territórios e os tradicionais modos de vida dos povos indígenas e trabalhador!

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