Jornal Causa do Povo – edição nº74 (abril/maio de 2016)

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Leia nesta edição:

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Leia a edição completa: Causa do Povo nº74

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A força das escolas ocupadas: Estudantes dão aula de luta e resistência

pag1

*Texto do jornal Causa do Povo nº74 – Abril/Maio de 2016

A força da ocupação de mais de 200 escolas por estudantes secundaristas no estado de São Paulo dobrou o governador Alckmin (PSDB) em 2015. As ocupações iniciaram em 9 de novembro e em 5 de dezembro Alckmin teve que revogar o projeto de “Reorganização”. Este projeto previa o fechamento de 93 escolas, o remanejamento de mais de 1 milhão de alunos e a imposição para 754 escolas da oferta de apenas um ciclo (ensino fundamental ou ensino médio).

Após São Paulo, foi a vez de Goiás. Ali, mais de 25 ocupações ocorreram no final de 2015 e combateram os projetos de Marconi Perillo (PSDB) de fechamento de escolas de regime integral, que seriam entregues para a gestão de “Organizações Sociais” (OS’s) e para a Secretaria de Segurança Pública e Polícia Militar, ou seja, privatização e militarização do ensino público. Até o momento, a luta secundarista atrasou a entrada das OS’s nas escolas, e o Edital foi cancelado por várias irregularidades.

A retomada da luta e sua expansão nacional

Desde março os secundaristas do estado do Rio de Janeiro vem dando mais um exemplo de luta e união. Aliados à greve dos professores estaduais, dezenas de assembleias e protestos secundaristas são realizados. E em 21 de março, a primeira escola foi ocupada no estado. Os estudantes se animaram, e no fechamento desta edição chegavam a quase 100 escolas ocupadas.

Desde então a luta tem se nacionalizado: São cerca de 15 novas ocupações em São Paulo contra os cortes na educação e contra a “máfia da merenda”; no Ceara já são mais de 30 escolas ocupadas contra os cortes e por melhorias nas escolas; os estudantes do DF ocuparam um órgão do transporte (DFTrans) em defesa do passe livre irrestrito; os estudantes do Pará que no dia 15 de abril protestaram em mais de 20 municípios contra os cortes na educação e contra um projeto do governador que pretende reduzir a carga horária de aulas; no Rio Grande do Sul já são 3 as escolas ocupadas por secundaristas. Continuar lendo

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PÁTRIA EDUCADORA: Um projeto de privatização e precarização da educação pública brasileira

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*Texto do jornal Causa do Povo nº74 – Abril/Maio de 2016

Dilma/PT-PMDB foi eleita em seu segundo mandato com o discurso mais progressista que já fez, defendeu pautas históricas da classe trabalhadora e teve como centro de suas críticas ao PSDB que este último seria entreguista-privatista e teve como seu principal mote a defesa da construção de uma “pátria educadora”.

Contudo, a farsa do discurso eleitoral durou pouquíssimo tempo. Em menos de mês de mandato Dilma cortou mais de 7 bilhões na Educação e posteriormente, ainda em 2015, cortou mais, totalizando um corte de cerca de 9 bilhões de reais da educação, comprometendo programas como o PIBID e demais bolsas universitárias na graduação e na pós-graduação. Mas isso é só a ponta do iceberg.

Na verdade o programa/projeto Pátria Educadora é uma continuidade das macro-políticas neoliberais da Educação dos governos do PT. Segue a matriz teórica do Plano de Desenvolvimento Educacional do governo Lula (que criou o Prouni e Reuni, por exemplo) e do novo Plano Nacional de Educação do primeiro mandato de Dilma (que por sua vez serviu de base para projetos como PRONATEC e o Ensino Médio Inovador). Continuar lendo

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Nem impeachment, nem Governo, nem Eleições Gerais! Construir o Poder Popular!

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*Texto do jornal Causa do Povo nº74 – Abril/Maio de 2016

CRISE POLITICA

Nem impeachment, nem Governo, nem Eleições Gerais! Construir o Poder Popular!

A crise política evoluiu para uma polarização que exige uma resposta. A consolidação do afastamento de Dilma aprovado no último dia 12 de maio no Senado Federal, bem como as manifestações dirigidas pelo bloco burguês-conservador e as outras manifestações do bloco socialdemocrata-governista, mostram que tal polarização alcançou um nível significativo. Hoje, a ofensiva burguesa se mostra sob a forma de um golpe institucional dentro de um Estado de Exceção criado pelo bloco no poder do qual o PT fez/faz parte e que agora quer tirar as funções dirigentes do PT por meio do impeachment.

A geopolítica por trás da crise

A crise de 2008 levou à estagnação nos países centrais, Estados Unidos e União Europeia. Uma das soluções encontradas foi a exportação de capitais para os países periféricos. Isso possibilitou uma nova aliança entre o capital nacional, o capital estrangeiro e Estado em torno de políticas de crescimento. Foi nesse contexto que o Governo Lula teve seu “período de ouro”.

Além disso, nos principais países da América ocorreu um esgotamento dos governos conservadores e ascenderam governos liberais ou socialdemocratas. Essa coalização regional promoveu um relativo desenvolvimentismo em face das formas reacionárias e impostas anteriormente pelo Partido Republicano e por Bush nos EUA.

Mas essa tendência não atacou os fundamentos econômicos da dependência, ao contrário. Por isso, depois da crise de 2008, esses governos foram todos envolvidos num compromisso de superar a crise.

Além disso, a luta para controlar recursos energéticos foi fundamental no período 2011-2012, em que os EUA voltou a adotar estratégias militares na Líbia e na Síria. O controle do petróleo na Líbia foi importante para a redução do preço do petróleo que favoreceu o barateamento dos custos de produção nas economias centrais e ajudou na recuperação econômica dos EUA. Mas esse equilíbrio era instável. Isso porque a concorrência capitalista se intensificou depois de 2008, e o Oriente Médio era instável. A descoberta do Pré-sal no Brasil e as reservas na Venezuela se colocaram como uma grande alternativa. Assim, os EUA se voltou para a América Latina com uma política mais agressiva de controle imperialista. Continuar lendo

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UMA PONTE PARA O FUTURO, futuro para quem?

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*Texto do jornal Causa do Povo nº74 – Abril/Maio de 2016

No avançar da crise política, o PMDB lançou ainda em 29 de outubro de 2015 um projeto chamado “Uma Ponte Para o Futuro” já vendo as possibilidades de um governo Temer que agora se concretiza. O programa teoricamente “para debate interno” foi, na verdade, propagado amplamente e serve como um aceno de subserviência do PMDB aos atuais interesses do imperialismo, banqueiros e capitalistas em geral.

O programa “Uma Ponte Para o Futuro” pretende: 1) Aprofundar privatizações do setor de logística, infra-estrutura, mineração, energia (especialmente com maiores concessões à exploração privada do petróleo brasileiro); 2) Atacar direitos trabalhistas para garantir os “ganhos de competitividade” para a burguesia industrial, rural e financeira; 3) Cortes em áreas sociais como educação, saúde, e aos programas assistenciais como Bolsa Família e Minha Casa Minha Vida; 4) Uma nova reforma da previdência que ataque o direito à aposentadoria; 5) “Integração nas cadeias globais de valor”, o que significa a integração à acordos de livre comércio, tal como o recente Acordo Transpacífico que integra EUA, México, Chile e outros países.

Por isso o povo trabalhador e os jovens brasileiros não podem ter nenhuma ilusão no governo Temer. Ele será uma face ainda mais radical das políticas anti-povo já encaminhadas pelo PT. Ainda que o impeachment não seja consumado após os 180 dias de afastamento de Dilma, esse programa será a base programática de pressões do bloco burguês-conservador. Não há saída por cima para o povo, nos resta a luta e a resistência independente de qualquer governo.

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A criminalização e repressão das lutas sociais no Brasil: O Estado contra os trabalhadores

*Texto do jornal Causa do Povo nº74 – Abril/Maio de 2016

O Estado Brasileiro tem direcionado para o povo negro das favelas e periferias o encarceramento e o assassinato. Não bastasse as péssimas condições de vida e trabalho dos trabalhadores(as). Além disso, desde 2013 a escalada de repressão e criminalização contra os ativistas, militantes, jovens negras e negros, camponeses, indígenas, movimento e lutas sociais no Brasil tem aumentado.

Em 2012, 56.000 pessoas foram assassinadas no Brasil. Destas, 30.000 são jovens entre 15 a 29 anos e, desse total, 77% são negros. A polícia brasileira continua sua política de cerco as favelas e periferias, de intimidação as jovens e aos jovens, principalmente negros. A política de extermínio continua, de norte a sul, como a chacina em Londrina, no Rio e na Bahia. De acordo com o Anuário Segurança Pública (2014), produzido pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, pelo menos seis pessoas são mortas por policiais no Brasil a cada dia, sendo que estes números estão subestimados. Continuar lendo

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Revolução e Contra-Revolução no Curdistão

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*Texto do jornal Causa do Povo nº74 – Abril/Maio de 2016

A luta pelo Auto-Governo do Curdistão entrou numa nova fase no final de 2015. A vitória das forças curdas das Unidades de Proteção do Povo Curdo (YPG) e a sua ala feminina, o YPJ em Kobane, Rojava e Shinjar (área de maioria Yazidi), na Síria contra a ISIS-Daesh e a ação política do Partido da União Democrática (PYD) aliado do Partido dos Trabalhadores do Curdistão, o PKK, demonstraram que os Curdos são a principal força de resistência na região.

O programa socialista com base no chamado “Confederalismo Democrático”, uma proposta de anti-estado, de auto-governo da região, é a principal referência para avanço de uma sociedade sem classes, livre e igualitária. São essas organizações curdas que conseguem aglutinar combatentes de origem assiíra, yázidis, cristã, armênia, alevis, árabes sunitas e xiitas e turcos de esquerda. Continuar lendo

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