CAUSA DO POVO nº 78 – setembro de 2018

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Nesta edição:

 

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A luta de classes na greve de caminhoneiros

Matéria do jornal Causa do Povo n° 78, set/18


Membros do Exército realizam escolta de caminhões na BR-116.

A elite brasileira chama de “liberdade econômica” suas crises motivadas nas variações e riscos do mercado financeiro, e chama de caos as lutas dos trabalhadores. Odeiam o povo. Assim foi com a greve de caminhoneiros em maio deste ano. Diante da importância desta greve e da política energética, produtiva e de transportes, precisamos entender alguns avanços, limites e contradições dessa luta que levou o governo Temer a pedir trégua.

As táticas que deram certo

Foram mais de 1200 bloqueios em todo país. Isso trancou a circulação do núcleo básico do capitalismo, a mercadoria. A força do movimento veio da ousadia e capacidade desta ação de bloqueio e barricadas, amparadas no apoio popular. O único argumento capaz de “tocar o coração” dos poderosos é atentar contra sua propriedade e riqueza. Esta tática de ação direta pode e deve ser usada nas greves e lutas de outras categorias de trabalhadores.

Intervenção militar para acabar com a greve

Parte dos caminhoneiros, grupos externos e alardes nas redes sociais chegaram à idiotice de pedir “intervenção militar”. A intervenção ocorreu, mas para acabar com a greve. Temer decretou Garantia da Lei e da Ordem autorizando as Forças Armadas liberar vias públicas, remover, conduzir ou escoltar veículos e liberar acesso a locais de produção considerados essenciais. Além disso, o Supremo Tribunal Federal concedeu liminar permitindo uso de força policial e multa de R$ 10 mil por dia para cada manifestante que descumprisse a ordem. Seria cômico se não fosse trágico, mas os militares agem contra o povo.

Contradições e disputas na luta dos caminhoneiros

Havia (e há) quatro interesses oportunistas disputando o movimento: 1) dos patrões do transporte, que queriam vantagem competitiva na disputa intraburguesa, sem reoneração da folha de pagamento, e empresários em geral que apontam para privatização da Petrobrás; 2) dos partidos eleitorais, que tentaram promover seus candidatos surfando na greve ou criticaram o movimento já que não o comandava; 3) das burocracias sindicais, que negociaram as pautas com o governo pelas costas dos caminhoneiros e que se aliaram aos interesses dos patrões; e 4) dos militaristas, que pregam uma via autoritária ao Brasil, como a ditadura, negando ao fim a própria liberdade de greve. É preciso se desviar de todos eles e construir a luta autônoma. Continuar lendo

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Copa do Mundo 2018: uma amostra de conflitos sociais

Matéria do jornal Causa do Povo n° 78, set/18


Como todas as Copas, a Copa do Mundo de 2018 na Rússia mostrou mais uma vez o cenário político mundial. Várias serão as lembranças: os fiascos de Argentina e Alemanha, a campanha surpreendente dos anfitriões e os memes brasileiros. Mas nada se compara à contradição em que se meteu a França!

No momento em que as potências européias fecham suas fronteiras para os imigrantes fugidos das guerras causadas em grande parte pelo imperialismo delas mesmas, no oriente médio e no norte do continente africano, a seleção francesa levanta a taça.

Composta em sua maioria por filhos e netos de trabalhadores imigrantes, a seleção francesa calou a boca das elites xenofóbicas de seu país! Um título da França negra e árabe!

Outro fato marcante foi a invasão de campo na final pelas integrantes do Pussy Riot (grupo de punk rock ativista/feminista) com o objetivo de denunciar medidas do governo Putin que aumentaram a vulnerabilidade social das mulheres na Rússia.


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Plataforma Internacional dos Anarquistas

Matéria do jornal Causa do Povo n° 78, set/18


A Plataforma Internacional do Anarquismo Revolucionário foi lançada em conjunto pela UNIPA (Brasil) e a OPAR (Organização Popular Anarquista Revolucionária do México). É um projeto que visa retomar os apontamentos da Plataforma da União Geral dos Anarquistas, de 1926, em três tarefas fundamentais:

  • 1) Desenvolver uma teoria anarquista como base da organização internacional;
  • 2) Definir a estratégia e programa globais para a revolução socialista a partir da crítica da degeneração burocrática da revolução russa de 1917;
  • 3) Apresentar uma linha revolucionária de ação a partir da crítica da função que os anarquistas desempenharam no movimento de massas.

Esse documento visa assumir a responsabilidade de executar as tarefas apontadas pela Plataforma de 1926 e avançar na única direção possível ao plataformismo: o bakuninismo.

Nesse sentido, apresenta a teoria anarquista – o bakuninismo – e convoca a reconstrução da Organização Internacional Bakuninista e da Organização Internacional dos Trabalhadores. Essa tarefa é hoje central.

Leia em: www.uniaoanarquista.wordpress.com

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Quem somos e pelo que lutamos?

Matéria do jornal Causa do Povo n° 78, set/18


A União Popular Anarquista (UNIPA) é uma organização política revolucionária bakuninista fundada em 2003. A UNIPA luta pelo socialismo no Brasil e libertação dos povos no mundo. Como Bakunin, entendemos “que a liberdade sem o socialismo é o privilegio, a injustiça; e que o socialismo sem a liberdade é a escravidão e a brutalidade”.

A sociedade socialista será resultado da força de uma Revolução: da ruptura e destruição do Estado e capitalismo. A estratégia revolucionária da UNIPA aponta que a ação direta das massas e a luta de classes são as únicas capazes de realizar conquistas imediatas e futuras para a classe trabalhadora.

Não basta o povo ser maioria. Esta força precisa de organização para ser real e vitoriosa. Defendemos a organização de Sindicatos, Movimentos e Federações Autônomas. Estes devem lutar por melhores condições de vida e trabalho hoje e são o embrião do poder da sociedade futura.

Para isso, convidamos trabalhadoras e trabalhadores para unir esforços com a UNIPA a partir da unidade teórica, programática e estratégica pela Revolução Social.

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Lulismo e a crise do capitalismo brasileiro: somente a ação direta pode derrotar a ofensiva reacionária e as ilusões do reformismo

Matéria do jornal Causa do Povo n° 78, set/18


A “condenação” de Lula: entre a crise da democracia liberal e a retomada da ilusão desenvolvimentista

A condenação de Lula é mais uma etapa de evolução do Estado de Exceção, que foi estruturado e inaugurado pelos próprios governos do PT (2003-2016). Se antes o aparato de repressão e judicialização eram voltados somente para a fração marginalizada da classe trabalhadora, como negros e pobres, agora a burguesia as utiliza para retirar do cenário político aqueles antigos aliados que não interessam mais.

Toda narrativa petista que tenta colocar Lula como vítima de um Estado autoritário e perseguidor é contraditória, pois Lula e o PT foram responsáveis para o avanço do Estado Autoritário e seu arcabouço legislativo reacionário.

Só no campo jurídico, os governos petistas foram responsáveis pela elaboração da Lei de Drogas, que aumentou a população carcerária, a criação da Força Nacional, para atacar populações indígenas e camponesas e dar garantias ao agronegócio, a instituição da Lei de Organizações Criminosas e da Lei Antiterrorismo, que permite enquadrar qualquer atividade coletiva de piquete ou greve como terrorismo organizado.

A nova fase do Estado de Exceção visa permitir um aprofundamento da exploração, modificando as relações de classe; visa retomar o controle dos cargos e dos recursos do Estado pela grande burguesia e pela pequena-burguesia de mercado, expulsando assim a pequena-burguesia de esquerda, uma parte da tecnocracia e a aristocracia operária, visando assim concentrar renda e riqueza, nivelando as condições de vida da classe trabalhadora por baixo. Continuar lendo

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O último trimestre para o trabalho: desemprego, subemprego e informalidade

Matéria do jornal Causa do Povo n° 78, set/18


Dados do IBGE do trimestre móvel de março a maio de 2018 confirmam a tendência geral de desemprego e precariedade nos postos de trabalho no Brasil. Apesar de indicar que a taxa de desocupação tenha sofrido queda de 0,6% em comparação com o mesmo trimestre do ano passado, isso se deveu a um crescimento nos postos de trabalho informais e sem carteira.

A aparente retomada na taxa de ocupação esconde uma situação alarmante. É possível confirmar no estudo que as vagas de trabalho sem carteira criadas desde 2017 são quase correspondentes ao número de vagas com carteira assinada perdidas. Além disso a soma desse número com a quantidade de trabalhadores que entraram na informalidade mais que compensa o número de pessoas que deixaram os serviços com maior estabilidade.

Segundo o IBGE, a taxa de empregos sem carteira do trimestre março/maio de 2018 cresceu 5,7% se comparada com o anterior (cerca de 597 mil pessoas). Por outro lado, o número de empregos com carteira caiu 1,5% (cerca de 483 mil pessoas). O número de trabalhadores por conta própria, por sua vez, subiu 2,5% (568 mil pessoas).

Isto significa que o mercado empregador brasileiro, com as políticas de desregulamentação, escolhe mandar embora os trabalhadores em situação mais segura e recontratá-los como trabalhadores com pouca ou nenhuma estabilidade. Além disso, os trabalhadores sem emprego estão entrando de cabeça na informalidade como forma de fugir a sua sorte.

O desemprego segue alto, e a condição do trabalho para o brasileiro comum são empregos piores e com risco maior de dispensa sem garantia. A experiência confirma essa situação.

O ataque dos poderosos e a resposta do povo: organizar os desorganizados

Como apontado em nossa matéria de capa da edição 75, os gestores do Estado brasileiro de todas as cores pretendem sacrificar os gastos sociais e os direitos dos trabalhadores em socorro da taxa de lucro dos empresários. Ao mesmo tempo, vivemos em uma conjuntura de desgaste da velha política eleitoreira e de baixas taxas de sindicalização não só no Brasil como em todo o mundo.

Instrumentos que os trabalhadores brasileiros forjaram na sua história acabaram sendo cooptados para dentro da esfera do Estado com o fenômeno do lulopetismo. Com os sindicatos oficiais servindo a agenda do governo e não a dos trabalhadores, se criou uma cultura de desencanto por esse formato. Desencanto que não pode ser ignorado.

Com o fim do pacto de classes e o impeachment, as burocracias sindicais clamam ao povo por socorro. Porém, o instinto popular criado através da experiência histórica diz que o sindicalismo oficial não pode servir além do oportunismo eleitoral. Devemos nos organizar levando em consideração esses aprendizados.

O crescimento do trabalho informal e do subemprego veem a reforçar essa mesma situação, e negritar a necessidade de construir novas formas de associação operária e de luta. A vida exige novas referências de luta. E na ausência elas devem ser criadas.

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