25A | Marcha ao STF: Bloco Terra e Liberdade contra o Marco Temporal e PL 490

Está em curso nas três esferas do governo federal uma agenda anti-indígena para o país. A luta pela Terra e Liberdade é de interesse de toda classe trabalhadora, por isso nós, trabalhadores(as) das cidades, nos unimos aos povos indígenas na construção da Marcha ao STF através do “Bloco Terra e Liberdade” para barrar o Marco Temporal e o PL 490. Esta agenda anti-indígena segue a secular desterritorialização e genocídio colonialista contra os povos originários, bem como a devastação socioambiental para dar lugar aos empreendimentos capitalistas que afetam a vida nos campos e nas cidades. Nos últimos anos, cresceu a violência e a expropriação de terras indígenas por parte de governos e latifundiários, sempre bem protegidos pela grande mídia, pelas polícias, milícias privadas e o judiciário. É preciso unir trabalhadores do campo, das florestas e das cidades para defendermos com solidariedade e ação direta os territórios e os tradicionais modos de vida dos povos indígenas e trabalhador!

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Via Combativa nº4 | O Bakuninismo e a Questão Nacional e Anticolonial

Editorial

É com satisfação que lançamos a quarta edição da revista Via Combativa! A temática da questão nacional e anticolonial sempre permeou as reflexões e esforços teórico-políticos de nossa organização socialista revolucionária. Agora, temos a oportunidade de apresentar algumas sistematizações importantes em termos de pesquisa teórica, política e histórica.

O objetivo principal desta edição é apresentar as bases históricas e teóricas do anticolonialismo e do anti-imperialismo no anarquismo e avançar na aplicação do materialismo sociológico e da dialética serial à realidade brasileira e mundial. Importante ressaltar que tais esforços ganharam um corpo teórico-político importante a partir do nosso VII Congresso Nacional em 2019, cujas Resoluções podem ser lidas como complemento a esta 4ª edição.

Porém, ainda há muito a se fazer. Para nós, reconhecer a existência de uma base teórica e política do anarquismo não é um chamado ao comodismo, de que basta repetir ou aplicar o que foi dito por Bakunin ou outros anarquistas. Ao contrário. Reconhecê-la de forma honesta e coerente significa assumir a responsabilidade de seguir desenvolvendo-a, debatendo, avançando, lutando.

Mas retomar as bases bakuninistas é uma necessidade histórica que não podemos nos furtar para “estar na moda” ou sermos aceitos na academia e no senso comum. Não partiremos do zero nem tomaremos como base outras teorias que não explicam a realidade e muito menos servem à revolução integral.

Vemos que a negação ou menosprezo da teoria anarquista sobre a questão nacional e anticolonial tem sido um caminho tragicamente escolhido na história. Essa negação é quase sempre uma consequência da ignorância ou do oportunismo, além de todas as repressões ao anarquismo pelos poderes-saberes dominantes. Por isso negamos o ecletismo e o revisionismo no anarquismo e seguimos apresentando em nossa caminhada os acúmulos de um trabalho que, entre outros objetivos, busca provar suas mentiras e deturpações.

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29M: O dia nacional de lutas e a hegemonia reformista

São Paulo – Bloco Combativo no 29M reuniu cerca de 400 pessoas. Na faixa, lê-se “Nem parlamento, nem eleição. Ação direta e revolução!”

No dia 29 de maio ocorreram manifestações de rua em dezenas de cidades do país tendo como palavra de ordem central “fora Bolsonaro”. Também surgiram diversas reivindicações materiais por vacinação, contra a carestia de vida, contra os cortes na educação, contra as reformas neoliberais e privatizações, dentre outras. O primeiro fato importante do “dia nacional de lutas” é que um grande número de pessoas saiu às ruas. Foi um dos maiores dias de lutas desde o início do governo Bolsonaro/Mourão, com atos em 109 municípios e em 26 estados, segundo jornal El País, e 200 cidades, segundo Estadão.

O segundo fato importante é que a maioria dos protestos foram pacíficos, o que por si só não é um fato negativo, mas muitos tiveram como orientação hegemônica o legalismo e o pacifismo. Na capital federal, por exemplo, o caráter foi dos “passeios ordeiros” protagonizados em outros momentos tanto pela direita (MBL, Fora Dilma, etc.) quanto pela esquerda reformista (PT, CUT, UNE, etc). A organização do ato acatou sem resistência a ordem policial de fazer revista nas bolsas e mochilas para entrar no ato e proibiu mastros de bandeira.

A adequação a tal medida no DF é representativa e revela uma fraqueza política de quem diz querer combater um governo autoritário. Em locais como Recife (PE) e Dourados (MS), houve um recuo de parte dos organizadores frente as recomendações e ameaças do Ministério Público contra as aglomerações, o que também mostra uma falta de disposição de enfrentar o regime e que a prioridade é apostar na via eleitoral.

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207 anos de Bakunin

“A sociedade, no grande sentido da palavra, o povo, a vil multidão, a massa dos trabalhadores, não só dá a força e a vida, mas também dá os elementos de todos os pensamentos modernos, e um pensamento que não sai do seu seio e que não é a expressão fiel dos seus instintos populares, segundo a minha opinião, é um pensamento morto à nascença.”
Mikhail Bakunin

Em 30 de maio de 1814 nasceu Mikhail Bakunin, intelectual e militante russo que entrou pra história do movimento de trabalhadores como o grande sistematizador da teoria e estratégia do anarquismo a partir de seu precurso, Proudhon, e das experiências históricas da massa dos trabalhadores.

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150 anos da Comuna de Paris: Teoria da revolução e a luta anti-imperialista e antifascista

Comunicado Conjunto, Maio de 2021

COPOAP – Coletivo Pró-Organização Anarquista em Portugal
» embate-copoap.weebly.com «

UNIPA – União Popular Anarquista (Brasil)
» uniaoanarquista.wordpress.com «

praca-vendome

Praça Vendôme – grupo de soldados federados próximo à barricada em Rue Castiglione. Fotografia de Auguste Bruno Braquehais (1823–1875).

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“O que unicamente pode salvar a França, em meio aos perigos mortais, internos e externos, que agora a ameaça, é a sublevação espontânea e livre, livre de compromissos, apaixonada, anárquica e destrutiva, das massas populares de todo o território francês. […] Creio que as únicas classes agora capazes de uma insurreição tão poderosa são os trabalhadores e os camponeses” (BAKUNIN, 1907: 215-216).

Este ano celebram-se os 150 anos da Comuna de Paris (1871-2021), um evento da maior importância para a luta internacional da classe trabalhadora. Durante a Comuna e em suas posteriores análises, ficou evidente as divisões teórico-políticas no movimento dos trabalhadores, principalmente na questão do papel do Estado e da guerra na revolução. Esta cisão teórica se desenvolve na divisão e fim da Associação Internacional dos Trabalhadores (AIT) um ano depois dos acontecimentos da Comuna de Paris, ganha então a sua prova prática. Esta discussão é, em geral, largamente ignorada pela maioria das organizações e correntes políticas que agora comemoram a data, porém é essencial para compreender as atuais tarefas da classe trabalhadora e das organizações revolucionárias.

Articulando sua teoria da questão nacional e da luta de classes, Bakunin apresenta uma análise e uma estratégia fundamental durante a Comuna de Paris. Elas foram uma resposta aos desdobramentos da Guerra por razão de Conquista: a Guerra Franco-Prussiana de 1870-1871. Com a invasão da França pelo exército prussiano, a França tinha sua derrota eminente. Qual foi a política apontada por Bakunin para combater a invasão prussiana? A revolução social na França – o armamento geral do campesinato e do operariado para tomar as cidades e campos e expulsar a invasão prussiana, enterrando juntas a Pátria Oficial francesa, o Imperador e todas as classes privilegiadas do país.

Qual foi a política dos republicanos e da “esquerda eleitoral”? Foi contra a revolução, que em sua visão representaria a divisão e o enfraquecimento da França Oficial1, defenderam o parlamento (Assembleia Nacional) e foram contra o armamento geral do povo. Bakunin, em “Cartas a um francês” (1870), analisa os votos dos parlamentares da dita esquerda francesa que votaram contra a legalização e venda de armas e munições durante o período, posição que avalia como francamente reacionária, que visava manter o monopólio da violência pelo Estado e deixava o povo desarmado frente a invasão. Continuar lendo

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Saudações ao COPOAP! Viva o Anarquismo Revolucionário em Portugal!

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A resistência frente a miséria econômica e política é um ato de bravura e esperança. Quando a vida parecer arruinar sob os escombros dos trabalhos precários, da repressão estatal, do higienismo habitacional racista e xenófobo, da mercantilização dos serviços públicos, construir o anarquismo revolucionário abre uma nova porta dos caminhos da libertação. E é das lutas mais enérgicas que nascem os melhores filhos da revolução!

Por isso, desde o campo bakuninista saudamos com muito entusiasmo a fundação do Comitê Pró-Organização Anarquista em Portugal – COPOAP! A iniciativa dos camaradas aponta para aquilo que o anarquismo precisa voltar a ser: uma organização com responsabilidade coletiva, com unidade teórica, tática e estratégica capaz de influenciar decisivamente o movimento revolucionário da classe trabalhadora.

Nosso tempo é precioso demais para cairmos nos desvios liberais e ecletistas do anarquismo. “Anarquismo não é uma utopia bonita, nem uma ideia filosófica abstrata”, como ensina o grupo Dielo Trouda. Já conhecemos o atoleiro culturalista, individualista e educacionista em que isso leva. “Para não ter protestos em vão, para sair deste antro estreito”, devemos ter paciência e empenho para ir ao povo e trilhar um sério trabalho militante, enfrentando todas as contradições com uma organização consistente, coerente, duradoura e eficaz.

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Combater o bolsonarismo e o lulismo, duas faces da dominação capitalista no Brasil

 

Comunicado nº 76 da União Popular Anarquista – UNIPA, 29 de abril de 2021

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Existe um massacre populacional em curso no Brasil. Já são quase 400 mil mortos pelo coronavirus, isso sem contar a subnotificação e as mortes indiretas da pandemia por falta de leitos e outros fatores. As mortes diárias já ultrapassaram 4 mil, e a tendência é piorar. A classe trabalhadora é a mais afetada, especialmente a fração do proletariado marginal (terceirizados, subempregados, informais, etc.). Muitos países têm fechado as fronteiras para o Brasil e a imagem internacional têm piorado rapidamente, especialmente após a derrota eleitoral de Trump nos EUA. Além disso, a dicotomia criada pelo governo Bolsonaro entre “salvar a economia” e “salvar vidas” começa a demonstrar a sua falácia com o avanço da crise social e econômica, o aumento do desemprego, da fome e da queda na taxa de lucro dos empresários, e a política que antes era para defender a acumulação capitalista começa agora a ser visto como uma ameaça real a ela. Segundo IBGE, em julho de 2020, das 4 milhões de empresas existentes no Brasil, 523 mil faliram devido a pandemia, 99,2% destes negócios de pequeno porte (até 49 empregados), sendo o setor de serviços (258,5 mil) e comércio (192 mil) os mais impactados.

Todo esse cenário de caos social e sanitário é fruto da ofensiva ultraliberal da grande burguesia e do imperialismo gerenciada por um governo de extrema direita, militarista e obscurantista. Durante mais de um ano o que se presenciou em nível nacional foi a campanha sistemática de desinformação em relação às medidas de segurança sanitárias, campanhas antivacina e em prol de “tratamentos precoces” ineficazes e prejudiciais, bem como o boicote de medidas básicas que garantissem um isolamento social mínimo da classe trabalhadora. Por outro lado, as medidas de governadores e prefeitos da oposição socialdemocrata e liberal penderam entre a demagogia e o oportunismo, guiadas pelos mesmos parâmetros de garantir a acumulação capitalista mas ao mesmo tempo tentar desgastar politicamente o governo Bolsonaro. Continuar lendo

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GRÉCIA | Atualmente o movimento social enfrenta uma forte repressão da polícia e presta tributo à resistência à Lei de Segurança Global na França

*Tradução para português de Portugal: Dick Rush; revisão ao português do Brasil: Unipa

Material original: http://blogyy.net/…/derive-autoritaire-en-grece-comme…/

Esta noite, o bairro de Exarcheia está sob um dilúvio de armas e uniformes. Para evitar qualquer revolta, o Estado grego implantou um verdadeiro regimento de policiais apoiado por dois helicópteros e vários drones. Gritos irrompem aqui e ali, bem como explosões. Um prédio desabitado está em chamas. Há um ano, a polícia grega tenta enfraquecer o bairro evacuando muitas ocupações, mas algumas ainda resistem, em particular o Notara 26 e o K Vox. No entanto, desde esta manhã, a nova irrupção policial atingiu um nível sem precedentes. Não apenas em números, mas também em atos particularmente chocantes.

Para começar, neste aniversário do assassinato do jovem anarquista Alexis Grigoropoulos por um policial em Exarcheia em 6 de dezembro de 2008, as forças da ordem dos poderosos nos impediram de ir ao local de meditação onde se encontra a placa comemorativa no lugar onde foi assassinado aos quinze anos! Pior ainda, dezenas de pessoas foram presas por tentarem passar. Mais de 160, nas últimas notícias, em poucas horas! Um dos policiais até arrancou um buquê de rosas da cena antes de destruí-lo na frente das câmeras. As imagens percorreram rapidamente a Grécia, já causando um escândalo esta noite.

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Comunicado Mapuche | Coordenação Arauco Malleco denuncia farsa constitucional chilena e reafirma via revolucionária

Consideramos que a atual aspiração plurinacional e a participação “indígena” no processo constituinte formam a expressão contemporânea de uma lógica colonial de submissão com a qual se tenta colocar uma camisa de força ao Weichan e à autonomia Mapuche. – CAM

Dando continuidade a nossa posição desde o anarquismo revolucionário sobre as lições da luta insurgente no Chile, exposta em nossos recentes Comunicados nº73 e nº75, traduzimos e divulgamos para os militantes brasileiros mais essa importante declaração da organização mapuche Coordenação Arauco Malleco (CAM), de outubro deste ano, que comunica sua posição frente a reforma constitucional em curso, reivindica diversas ações de sabotagem e reafirma a luta pela autonomia territorial contra o colonialismo do Estado chileno e dos capitalistas. Desde o Brasil saudamos a heroica resistência nacional e libertadora do povo Mapuche e suas organizações revolucionárias. Desde o Brasil seguimos firmes em nosso caminho de organização e resistência autônoma popular. Segue a declaração na íntegra:

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Ao nosso povo nação mapuche, à opinião pública, chilena e internacional, a Coordenação Arauco Malleco (CAM) e os seus diferentes Órgãos de Resistência Territorial (ORT) comunicam o seguinte:

Kiñe: Em primeiro lugar, declaramos o nosso total apoio ao pu peñi ka pu lamgen do território de Kiñel mapu Makewe frente aos recentes acontecimentos no seu mapu e face às acusações racistas e infundadas feitas por vários sectores do mundo político e econômico do Chile. Como CAM, subscrevemos a responsabilidade do Estado do Chile pela morte do carabineiro, pois foram eles que nos posicionaram como seu inimigo interno, declarando-nos guerra sempre que se colocaram do lado dos interesses do grande capital, gerando um conflito de baixa intensidade a fim de militarizar e dar livre acesso à repressão seletiva e indiscriminada sobre as nossas diferentes expressões de luta. Assim como há baixas nas fileiras do inimigo, também nós já vivemos o assassinato do nosso povo, uma questão que assumimos com dor e raiva, mas somos categóricos em sustentar que tanto as mortes bilaterais passadas como futuras são e serão da responsabilidade do Estado criminoso e dos seus vários governos de turno; neste caso, devido a ação dos carabineiros [polícia] que sempre agiram como guarda pretoriana do capital, assassinando, matando, baleando crianças, idosos, mulheres, e fazendo montagens contra o nosso povo.

Epu: Reafirmamos nosso weichan rakizuam através do horizonte estratégico da Libertação Nacional Mapuche, lutando para acumular forças e lançar as bases de nossa emancipação como Povo oprimido, um processo que implica em nos proporcionar novamente uma capacidade política, ideológica, social, cultural, mas acima de tudo espiritual, como fez nosso kuifikecheyem.

Kvla: Como expressão revolucionária do movimento mapuche autonomista, nos comprometemos a continuar desenvolvendo processos consequentes de luta, a não comprometer nossos princípios e a lutar ideologicamente contra todos os detratores refugiados entre a institucionalidade winka e as academias coloniais. Consideramos que a atual aspiração plurinacional e a participação “indígena” no processo constituinte formam a expressão contemporânea de uma lógica colonial de submissão com a qual se tenta colocar uma camisa de força ao Weichan e à autonomia Mapuche, uma vez que estas estão subjugadas ao mesmo mecanismo partidário chileno que tem protegido historicamente o grande capital. Convocamos o povo Mapuche a não cair nessa cortina de fumaça, já que a autonomia se conquista através da luta territorial, não desde cima, e sem mendigar cotas de poder ou curvar-se diante de ninguém.

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CASTELLANO | Las lecciones de la insurrección chilena y el proceso constituyente

Comunicado Nº 75 de la Unión Popular Anarquista – UNIPA, 3 de noviembre de 2020

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Leia em: PORTUGUÊS


Al valeroso pueblo chileno y Mapuche;

A los militantes populares y a los trabajadores brasileños y latinoamericanos;

A los compañeros y compañeras revolucionarias de todo el mundo.

El pasado 25 de octubre, un plebiscito convocado por el Estado chileno, en un gran acuerdo nacional entre partidos de derecha e izquierda, dio como resultado la aprobación de una Convención Constituyente con la tarea de redactar una nueva Constitución para el país. Pero este hecho no puede entenderse de forma aislada, es fruto de la crisis política y de la lucha de clases en Chile y en el mundo.

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