PELA FORMAÇÃO DE UM COMITÊ DE APOIO E PROPAGANDA DA UNIPA NO PIAUÍ

Os Bakuninistas piauienses

Este texto foi produzido pelos/as bakuninistas do Estado do Piauí. Tem por intenção analisar criticamente o desenvolvimento da organização política anarquista no Estado, e com este documento, formalizar nosso pedido de criação de um Comitê de Apoio e Propaganda da UNIPA.

Nossa análise começa nos anos de 1990, indo até a atualidade, dividindo-se em quatro grandes blocos: O contracultural, de 1990 a meados de 2000; o universitário-espontaneísta, de meados de 2000 a 2013; o educacionista, de 2013 a 2015; a bifurcação organizacional de 2015 à atualidade. Vejamos:

Chamamos de etapa contracultural o período entre os anos de 1990 a meados dos anos 2000, quando se articulou no Piauí o “Grupo de Estudos Anarquistas”. O GEA era formado hegemonicamente por anarcopunks, e tinham a contracultura como base de suas atividades.

O grupo realizou ações esporádicas, como campanhas contra as eleições e o militarismo, no dia da “Independência”. Com base social formada pela juventude precarizada e marginalizada, colaborou significativamente para a ocupação de onde hoje é o bairro Vila Irmã Dulce, em Teresina, no ano de 1998.

Por suas debilidades teóricas, como o ecletismo, o grupo não avançou na formação de bases sociais fora da esfera contracultural nem em organização política. Na medida em que seus membros cresciam, abandonavam o ambiente anarcopunk, e consequentemente o GEA. Incapaz de renovar seu corpo-ativo, deixa de existir em meados dos anos 2000.

Parte da juventude que fazia parte ativa no GEA, ou mesmo os que estavam sob a sua influência, adentraram a Universidade. E nelas, sem um corpo que organizasse federativamente as forças individuais, acabou por se tornar espontaneísta, ou seja, disposta a contribuir para as lutas universitárias interligando-a com a luta de classes, mas sem unidade teórica, aderindo também ao ecletismo, por vezes levados à reboque pelos programas políticos de outras organizações reformistas.

Apesar disso os anarquistas ganham um significativo campo de influência entre os estudantes “independentes” e elevam o nível estratégico da luta contra o desmonte da educação pública no governo Lula, como a Reforma Universitária. Colaboram veementemente para o rompimento do DCE e de outros cursos, como Serviço Social, com a degenerada UNE/PCdoB, mas eventualmente realizam alianças políticas com outros grupos reformistas, como a ANEL/PSTU e OE/PSOL. Do mesmo modo, ao criticar a estrutura do Movimento estudantil e sindical, não conseguiram dar uma resposta concreta aos problemas estruturais e organizativos que permeavam estes ambientes.

Suas características eram a ultracombatividade, disposição e sincera entrega na luta do povo, o que infelizmente não coincidia e nem foi suficiente para a formação de uma organização política que mantivesse unidade teórica, impedindo assim desvios liberais típicos do espontaneísmo.

Com o Levante dos Marginalizados de Junho de 2013 o anarquismo tornou a ser debatido em todos os âmbitos da luta do povo como no movimento estudantil, sindical e popular. É a partir desses debates, e de uma conjuntura favorável na situação piauiense, como a descrença popular diante da democracia burguesa (eleições, legislações, instituições e partidos) que o Grupo de Estudos Anarquistas do Piauí (GEAPI) surge, em Teresina e em Parnaíba.

Hegemonicamente sua estrutura de militantes era formada por estudantes universitários, com alguns trabalhadores e secundaristas.

Suas principais atividades giravam em torno de leitura de textos diversos e atividades esporádicas com base meramente histórica e saudosista, sem conseguir responder aos desafios que a atualidade da luta de classes exigia, nem avançar na crítica sobre as vacilações e degenerações do anarquismo no mundo. Apesar dos significativos esforços despendidos por seus membros, o GEAPI continuou na linha do ecletismo, reproduzindo os mesmos erros cometidos anteriormente.

Assim, o GEAPI corresponde a fase educacionista, que se esforçava para propagandear “o movimento anarquista”, como se este por si só pudesse resolver as contradições sociais pela “propaganda e educação”, ou mesmo como se existisse um “movimento anarquista” homogêneo e isento de contradições. Tal afirmação se materializa pela prática. Diversos “seminários” sobre o anarquismo foram realizados, sempre em torno de uma “História do Movimento Anarquista”.

Ao passo em que o GEAPI se consolidou, outras organizações passaram a interagir com o grupo, como os especifistas da Coordenação Anarquista Brasileira, em especial a Federação Anarquista do Rio de Janeiro (FARJ) e a Organização Resistência Libertária (ORL) de Fortaleza-CE, assim como os bakuninistas da União Popular Anarquista (UNIPA). Distantes dos debates nacionais, compreendíamos ainda dentro do GEAPI que a disputa entre as duas maiores organizações anarquistas do Brasil não passava de debates infrutíferos, desnecessários e sem consequências na realidade. Hoje, conscientes da profundidade e necessidade deste debate, avaliamos como equivocada a nossa análise, e caso tivéssemos atentado com mais cuidado a disputa, nosso rompimento para construir a UNIPA teria se dado muito antes.

Em 2014, o I Congresso Anarquista do Piauí (I CONAPI) foi decisivo para o amadurecimento do anarquismo no Estado. Foi onde, pela primeira vez, o confronto entre especifistas e bakuninistas ficou mais visível, e auxiliou nas discussões internas sobre os rumos do anarquismo piauiense.

Foi nesse período que um pequeno, porém coeso e disciplinado grupo dentro do GEAPI passou a investigar com mais energia a polêmica anarquista nacional e internacional, se convencendo que tanto o ecletismo quanto o especifismo não teriam capacidade política de participar e criar condições favoráveis à Revolução Brasileira.

A partir do I CONAPI, os debates de linha política ficaram cada vez mais claros dentro do GEAPI. A segunda edição do Congresso já não era sequer a sombra do primeiro. Sem uma política séria de ingresso, o grupo passou a arregimentar “simpatizantes”, quer das duas fases anteriores, quer novos contatos, que tinham se tornado em essência e em prática, liberais radicais e/ou social-democratas. O GEAPI também ensaiava participar dos debates de linhas políticas no Piauí. Assim lança uma tese ao Congresso de Estudantes da UFPI (CONEUFPI) e diversos textos sobre o sindicalismo, educação e o Movimento Estudantil no Piauí. Formava-se assim uma organização perigosamente híbrida: Por um lado, aglomerava indiscriminadamente “simpatizantes” do anarquismo em sua perspectiva educacionista meramente propagandística, e tentava articular lutas estudantis e sindicais, o que exigia um grupo coeso e com unidade teórica.

Devido a essas contradições, em 2015 o GEAPI deixa de operar. Diversos companheiros e companheiras rompem com essa organização, percebendo suas limitações e compreendendo a importância da unidade teórica para colaborar efetivamente com a agudização da luta de classes no Estado. A proposição dos camaradas da UNIPA, lançada ainda durante o CONAPI, então se mostravam claras: “A libertação da classe trabalhadora exige mais do que boas ‘intenções’, exige respostas concretas dos anarquistas para combater a burguesia, a repressão e as burocracias (…)”.

O amadurecimento de nossa posição política levou-nos a enxergar o especifismo da CAB como a repetição parcial dos erros organizacionais iniciados no Piauí com o Grupo de Estudos Anarquistas nos anos de 1990, e não era para nós uma opção viável para os fins que buscávamos. Isto já havia se manifestado diversas vezes pela prática de seus militantes, como nos boatos gerados dentro do CONAPI contra os militantes da UNIPA, apontada como “uma seita de marxistas ortodoxos travestidos de anarquistas”, assim como Bakunin, Makhno e os Amigos de Durruti foram chamados pelos confucionistas do anarquismo.

Internamente, e depois de participar de formações políticas com a ORL/CAB, em especial, os Seminários “Anarquismo e Organização Popular”, esta aparentava, pela prática, ser um grupo que esporadicamente se reunia para fazer trabalho de base, que não haviam superado o romantismo, e que por isso tinham pouca ou nenhuma base social, nem muito menos mantinham unidade teórica local, regional ou nacional, notadamente percebida pelo posicionamento de outros núcleos da CAB em outros Estados.

Apesar de nossas ponderações, explícitas em conversas individuais ou nas últimas reuniões internas realizadas pelo GEA, o bloco que não refletiu a realidade do anarquismo no Piauí como nós, optou por um alinhamento pró-CAB.

Como avaliamos internamente, o grupo da CAB no Piauí (“Organização Anarquista Zabelê” – OAZ) não avançaria pelas debilidades teóricas não resolvidas (e aprofundadas) com o ecletismo, reproduzidas na prática do especifismo, e se dissolveria por falta de unidade teórica. O tempo mostrou que nossa análise estava correta, e ao que sabemos, tal organização deixou de existir no início de 2017.

Nós, apesar de coesos e conscientes das tarefas que recaiam sob nossos ombros desde o rompimento com o GEAPI (por um lado, avançar na construção de um amplo campo de lutas que envolvesse trabalhadores e estudantes, e por outro, colaborar para a forja e propagação de nossa linha política no Piauí), acreditamos que não era a hora de iniciar um projeto de organização política via formação de um Comitê de Apoio e Propaganda (CAP) da UNIPA, por entendermos que nós mesmos possuíamos heranças ecletistas, que precisavam ser neutralizadas, e que essa depuração só ocorreria com um rigoroso trabalho de base, onde a prática nos daria oportunidade de refletir nossas próprias limitações e possibilidades.

Para resolver este impasse, realizamos formações internas, onde debatíamos os materiais publicados no site da UNIPA, assim como seus comunicados e as edições do jornal Causa do Povo. Fundamos uma articulação provisória, o Círculo de Debates Anarquistas – Piauí (CDA-PI), onde produzimos um documento intitulado “O Velho e o Novo Anarquismo no Piauí”, indicando nosso firme propósito de ação e a nível político, permitindo o ingresso na articulação nascida do rompimento com o GEAPI, e que hoje, avaliamos que a decisão nos deu bons resultados. Da mesma forma, dedicamos nossos esforços para erguer uma tendência capaz de tornar viva a alma da luta pela causa do povo, o que também avaliamos como positivo.

Entendendo que este problema foi parcialmente resolvido, concluímos que é chegada a hora de somarmos esforços ao bakuninismo nacional, e assim, solicitamos oficialmente à União Popular Anarquista a formação de um Comitê de Apoio e Propaganda no Piauí.

O nosso trabalho foi e é firme, sincero e constante. Avançamos consideravelmente em nossos planos. Combatemos com veemência a reação e a socialdemocracia. Foram as nossas mãos as primeiras que se erguiam na defesa de nossa classe, e as últimas que cessavam nos ataques contra os inimigos do povo. Vimos organizações surgirem e desaparecerem, mas, como sólidas árvores fincadas no chão por suas profundas raízes, passamos por diversas tempestades. E assim continuaremos a atuar no Piauí, para acelerar o rompimento das correntes que esmagam o povo, e construir, da periferia para o centro, a Revolução Brasileira que colocará um fim às contradições sociais existentes em nossa época.

BAKUNIN VIVE E VENCERÁ!

TODO PODER AO POVO!

ANARQUISMO É LUTA!

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Toda solidariedade às e aos companheiras(os) da Federação Anarquista Gaúcha e lutadores(as) do povo!

Na madrugada de 25 de outubro de 2017 a polícia civil do Rio Grande do Sul iniciou uma investigação, Operação Érebo, deflagrada com mandados de busca e apreensão nas cidades de Viamão, Novo Hamburgo e Porto Alegre. Os mandados levaram a invasão da antiga sede da FAG (onde funcionava o ateneu Batalha da Várzea), da Ocupação Pandorga, da sede do Coletivo Parrhesia e de várias casas de militantes. A polícia declara que são 30 investigados, sendo 15 deles estudantes da UFRGS.

A polícia civil roubou livros (que constavam no mandado como material perigoso), panfletos, computadores, pen drives, hds, celulares, material serigráfico para confecção de camiseta, faixas de manifestações, adesivos e garrafas pet com material de reciclagem – estes últimos foram absurdamente veiculados pela mídia e pela polícia como suposto material para confecção de coquetéis molotov.

A repressão contra a FAG não é inédita. Em 2009, por ocasião das mobilizações contra o governo Yeda Crusius/PSDB e de denúncia do assassinato do sem terra Elton Brum pela Brigada Militar, sua antiga sede já havia sido invadida pela polícia civil do Rio Grande do Sul. Em 2013, no contexto do levante popular, em duas ocasiões a sede da FAG foi invadida pela Polícia Civil do Governo Tarso Genro (PT) e pela Polícia Federal. O governador atribuiu à FAG crimes de ódio, chamando a organização de “anarco-fascistas”.

A criminalização contra o anarquismo em período recente foi realizada também por intelectuais vinculados ao PT, associando Black Bloc e anarquismo a fascismo, e por dirigentes políticos do PSTU. O reformismo contribui com a repressão e perseguição ao criminalizar as e os anarquistas. Ainda em 2013, a Polícia Militar do Rio de Janeiro, após a violenta desocupação da Aldeia Maracanã, procurou justificar seus atos afirmando que a existência de uma bandeira anarquista hasteada na Aldeia era a prova das intenções daqueles que lá estavam e que, por isso, o uso da força era necessário.

Pós levante de 2013 e as manifestações de 2014 tivemos a perseguição a militantes anarquistas, comunistas e independentes, que levou ao processo de 23 militantes no Rio de Janeiro. Foram presos na véspera da final da Copa do Mundo da FIFA em um processo que contou com a articulação dos governos federal e estadual. Esses 23 militantes sofrem com um processo fantasioso e sem evidências cuja sentença já parece dada de antemão.

Esse cenário conta ainda com a cobertura manipuladora da grande mídia que faz todo o esforço para punir todas aquelas e aqueles que lutam por um mundo verdadeiramente livre, justo e igualitário. A polícia e a mídia difundem a associação do anarquismo ao crime, numa técnica de propaganda de massas que, usando até de literatura como supostas provas, pretende uma condenação social sumária. A política da classe dominante é tentar sufocar as reinvindicações e revolta do povo por meio do discurso do terror, tentando criminalizar movimentos sociais e organizações que propõem a transformação radical da sociedade brasileira.

Diante de um cenário cada vez maior de abstenção/voto nulo eleitoral e da organização de forma autônoma de trabalhadoras e trabalhadores o Estado brasileiro responde com mais violência, como já o faz cotidianamente nas favelas, periferia e interior do Brasil. A repressão contra os anarquistas e novamente contra FAG não é um fato isolado. Já vivemos sobre um Estado de Exceção que se agudiza cada vez mais para explorar ainda mais o povo, seja sob a liderança do PSDB, PT ou PMBD, como fica bem claro no caso do Rio Grande do Sul. É evidente a instauração de uma perseguição política sistemática. É preciso se organizar cada vez mais e melhor para combater o Estado e o Capital.

As e os militantes da União Popular Anarquista (UNIPA), repudiam toda e qualquer repressão aos que lutam e as tentativas, de quem quer que seja, de criminalizar o anarquismo. Estamos solidários aos companheiros e companheiras da FAG e as lutadoras e lutadores do povo. Afirmamos que todos esses atos de violência do Estado, do Capital e dos reformistas só aumentam nossas convicções, e a certeza da estratégia da ação direta na luta reivindicativa e a organização da autodefesa de massas para as manifestações de rua.

Abaixo o terrorismo de Estado! Avante anarquistas!
Não a criminalização dos lutadores do povo!

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Anarquismo e Ativismo, em geral e particularmente no Brasil: combater as influências burguesas nas lutas e resistências pós-J13

Anarquismo e Ativismo, em geral e particularmente no Brasil: combater as influências burguesas nas lutas e resistências pós-J13

 

Comunicado nº 56 da União Popular Anarquista – UNIPA, outubro de 2017.

Site: http://www.uniaoanarquista.wordpress.com
Facebook: /uniaopopularanarquista
E-mail: unipa@protonmail.com

[acesse em PDF]


 

O “ativismo”, por sua composição ideológica e organizativa, e procedência de classe, tende, em determinado momento do seu desenvolvimento, a se converter num vendeiro obstáculo à luta revolucionária e a resistência da classe trabalhadora. Causando, por isso, graves prejuízos às lutas dos trabalhadores, tendo como seu destino final, na melhor das hipóteses, a formação de uma contracultura sectária fechada em si mesma, inútil para as lutas dos trabalhadores (grupos de propaganda, coletivos editoriais e artísticos, pequenos grupos de ação local) e, na pior das hipóteses, organizações capitalistas com retórica de esquerda (empresas individuais, grupos de interesse culturais ou étnicos, cooperativas e comunidades “alternativas” que vivem de uma espécie de empreendedorismo econômico).

O mundo vive uma crise global composta pela superposição de várias crises: i) da crise sistêmica do capitalismo pós-2008; ii) pela nova guerra fria e aprofundamento da guerra e agressões imperialistas contra os povos; iii) pela crise ambiental e climática; iv) por crises sociais (desemprego, pobreza, fome) geradas pelos processos de reestruturação produtiva e da divisão internacional do trabalho. Tal processo, iniciado ainda nos anos 1990, foi marcado por grandes insurreições urbanas e guerras indígenas e camponesas.

O chamado movimento antiglobalização é uma das maiores expressões de tal processo. Surgido nos países centrais, especialmente Europa e EUA em meados dos anos 1990, marcou a história das resistências, criando a figura do “Ativismo”, uma espécie de doutrina de ação que se mesclou a um vago conceito de anarquismo. Nos EUA e Canadá foram representados pela Direct Action Network (Rede Ação Direta), que teve seu declínio nos anos 2000, por diversas razões, e na Europa por dezenas de organizações em diferentes países.

O movimento antiglobalização, em grande medida, por operar com categorias do anarquismo e sindicalismo revolucionário (especialmente as ideias de liberdade e ação direta) ajudou a reacender o interesse pelo anarquismo pelo mundo.  Mas, um processo que poderia ser visto como positivo, na verdade não é, pelo menos não necessariamente.

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[SC] O Anarquismo Revolucionário avança sobre o Sul do País

“É preciso associar os melhores camponeses entre si e os melhores operários das fábricas.  (…) O povo deve ver a juventude em seu seio, trabalhando, na vanguarda de cada rebelião, consagrando-se a morrer na luta. A juventude deve trabalhar segundo um plano bem refletido e submetendo-se a mais forte disciplina para produzir essa unanimidade sem a qual não pode existir vitória. Deve instruir ela mesma e instruir ao povo não só para a resistência desesperada, como também para ataques ousados. O proletariado não tem para si outra via de ação sem ser esta.”

Mikhail Bakunin

Informe Público Sobre o surgimento do Pró- Núcleo Santa Catarina

01 de Maio de 2017

Foto: Ocupa Brasília, 24 de Maio de 2017

Os duros golpes desferidos contra o povo nos governos FHC, Lula, Dilma e agora na gestão Temer criaram uma situação de crise social no Brasil que, apesar da tutela das burocracias sindicais e partidárias, tem sido contraposta por uma crescente participação política em atos de rua, greves e ocupações. Nos últimos anos, estivemos junto ao povo no enfrentamento as ofensivas burguesas, contribuindo com a construção de alternativas à política institucional, experiência esta que proporcionou um amadurecimento político de nossa militância, que nos leva a compreensão de que a via para derrotar a partir das bases as reformas neoliberais em curso é a construção de uma greve geral insurrecional, uma combinação de situações insurrecionais de massas (como o levante de junho de 2013) com organização nos locais de trabalho, estudo e moradia, o que significa alargar a tarefa de mobilização para além das altas esferas do proletariado que gozam de boas remunerações e da proteção do sindicalismo de Estado, incorporando nas estruturas de organização trabalhadores precarizados, terceirizados e informais do campo e da cidade, e  demais frações do proletariado marginal.

“É necessário que em cada enfrentamento com os opressores e burocratas (dos menores aos maiores conflitos) emerja um grupo autônomo de estudantes e trabalhadores dispostos a prolongar a experiência e resistir aos períodos difíceis da luta. Esses grupos de oposição, espalhados pelos quatro cantos do país, em seus locais de trabalho, estudo e moradia, devem se interligar em uma organização maior, de caráter Sindicalista Revolucionária.”  

(“Em defesa da Ação Direta de Massas”, in Causa do Povo nº70)

Foi no contexto pós Junho de 2013 que começamos a gestação do projeto de construção Anarquista Revolucionário no sul do Brasil simultaneamente aos esforços de construção de tendências Sindicalistas Revolucionárias (a níveis estudantil, sindical e popular), através de uma rotina continua de estudos, propaganda, ações de agitação e organização. Partindo de experiências concretas desde o ambiente do chão de fábrica ao sistema de ensino superior, pouco a pouco fomos avançando para uma atuação mais incisiva na luta de classes.  Com isso, surgiu a necessidade de avançarmos para além da ação restrita nas organizações de base (trabalho, estudo ou moradia), passando a entender ser o momento de darmos passos firmes rumo a construção de uma Organização Revolucionária e para nós o lugar dos Anarquistas Revolucionários é construindo a União Popular Anarquista.

A UNIPA no nível teórico e prático vem conseguindo fazer o enfrentamento  à socialdemocracia mais também superando o confucionismo e a falta de comprometimento revolucionário  impregnados no que é hoje denominado como anarquismo no Brasil. No país inteiro o anarquismo se coloca na condição de satélite da socialdemocracia, algumas vezes convergindo como uma estratégia (como o caso do especifismo) e em outras como uma política estéril de eterna negação pela negação (como os setores menos organizados).

Em Santa Catarina apesar do atual terreno fértil para disseminação das ideias revolucionárias e para construção autônoma frente à tutela socialdemocrata, a existência de organizações revolucionarias no campo socialista (anarquistas e comunistas) é quase nula. O que impera no marxismo por aqui é uma prática reformista socialdemocrata com uma estética revolucionária (PCB, PSTU, PCLCP, Correntes do PT e etc.) e também uma política academicista (marxismo ortodoxo e heterodoxo).

Existe também a presença de um anarquismo designado ao papel de coadjuvante, descompromissado em disputar os rumos da luta de classes em SC (Especifismo e setores menos organizados). Ora servem de força auxiliar para socialdemocracia (como nas mobilizações Fora Temer logo após a queda de Dilma) e ora se confundem como as tendências pós-modernas. Entendemos que no campo libertário é impossível a construção de uma unidade à nível teórico-programático devido ao abismo existente no que diz respeito a concepção da construção revolucionária, porém achamos possível e necessária a unidade a nível de movimentos de base em que atuamos (locais de estudo, trabalho e moradia), realizando uma unidade via a bandeira do sindicalismo revolucionário, fazendo frente ao oportunismo socialdemocrata e criando alternativas de organização autônoma para a classe.

Um fator a se levar em consideração, é que tanto o marxismo (ortodoxo e heterodoxo) como o anarquismo, possuem sua influência política real limitada aos setores da educação e funcionalismo público de maneira geral, apesar da população e economia diversificadas das terras catarinenses. Essa é uma barreira a ser superada para possibilitar o avanço do anarquismo e do sindicalismo revolucionário, indo de encontro a organização ampla do proletariado marginal das cidades e do campo.

Diante desses fatos, compreende-se facilmente porque não podemos continuar indiferentes ao estado de despreocupação e negligência que existem atualmente em nossos meios. De uma parte, isso impede a criação de Organização Anarquista coerente, que permitirá aos anarquistas ocuparem o lugar que lhes cabe na revolução. Doutra parte, isso permite apenas contentar-se com belas frases e grandes pensadores, omitindo-se assim do momento de agir.
Eis  uma organização apoiada sobre o princípio de uma disciplina fraternal. Tal organização conduzirá ao acordo indispensável de todas as forças vivas do anarquismo revolucionário e que o ajudará a ocupar seu lugar na luta do Trabalho contra o Capital”

Nestor Makhno

Para nós, a tarefa dos Anarquistas revolucionários hoje é negar globalmente a política de aliança de classes do reformismo brasileiro aprofundando seu desgaste entre o povo, afastando-o cada vez mais dos mecanismos de representação da democracia burguesa (as eleições, os partidos oficiais e os sindicatos oficiais) para construir organizações políticas de novo tipo, que acumulem para a construção de uma confederação autônoma dos trabalhadores brasileiros, independente, combativa e internacionalista e com isso é preciso se lançar na disputa em nossas bases.

“Cabe agora o trabalho paciente, contínuo e perseverante. A defesa intransigente da nossa ideologia e política revolucionária. É a intransigência revolucionária o principal mecanismo de força da União Popular Anarquista; a intransigência na defesa dos interesses do povo, dos princípios ideológicos e organizativos que visam a libertação do proletariado.

Não transigir significa não se vender ao capitalismo e ao reformismo; é permanecer fiel aos postos de combate do Bakuninismo. A revolução social depende da firmeza ideológica das vanguardas populares, e o conjunto do povo depende da revolução social. Honremos nossos compromissos enquanto amigo do povo e defensores da causa do povo. Tenhamos só um dever: fazer a revolução.” (Resoluções do II CONUNIPA, 2004)

Esse caminho tem sido apontado há anos pela União Popular Anarquista (UNIPA) através da instrumentalização do bakuninismo para análise e intervenção na realidade local e de uma militância ativa, coerente e incansável em diversas categorias que tem recolocado o anarquismo como uma força política real na luta de classes no Brasil. Ao compreender que a intervenção cada vez mais qualitativa na conjuntura concreta está relacionada à aplicação de uma linha política de massas e de um programa e uma estratégia revolucionária fundada sobre uma sólida base teórica, sendo assim firmamos o compromisso de construção da UNIPA como etapa de construção de um partido revolucionário anarquista (anti-eleitoral) que assuma a tarefa de construção do socialismo revolucionário, no Brasil e internacionalmente. Entendendo a necessidade e urgência desse avanço, convidamos a todos os camaradas que expressarem acordo com as análises e linhas colocadas para se unirem a nós na construção do Bakuninismo e da força coletiva do proletariado em Santa Catarina e no sul do Brasil.

 

Pela Revolução Socialista Proletária!

Viva o Anarquismo Revolucionário!

Rumo ao poder popular!

Avante UNIPA!

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Rumo a Greve Geral Insurrecional: Derrubar Temer, o Congresso Nacional e construir o Congresso do Povo

Rumo a Greve Geral Insurrecional: Derrubar Temer, o Congresso Nacional e construir o Congresso do Povo

 

Comunicado nº 55 da União Popular Anarquista – UNIPA,

Junho de 2017.

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“Quando as greves ampliam-se, comunicam-se pouco a pouco, é que elas estão bem perto de se tornar uma greve geral; e uma greve geral, com as ideias de liberação que reinam hoje no proletariado, só pode resultar em um grande cataclismo que provocaria uma mudança radical na sociedade. Ainda não estamos nesse ponto, sem dúvida, mas tudo nos leva a isso.”

 Mikhail Bakunin

 

Ocupa Brasília, 24 de maio

1 – DO 28-A AO 24-M: O ASCENSO DA LUTA DE CLASSES NO BRASIL

 

Os dias 28 de Abril, dia da Greve Geral contra as Reformas, e 24 de Maio, do ato Ocupa Brasília, marcam a entrada no Brasil num novo ciclo da luta de classes. Saudamos a combatividade da classe trabalhadora e de todos os setores que tem se lançado a luta. Nos somamos as fileiras de todos os lutadores sinceros de todas as forças políticas e ideologias socialistas que estão na rua derramando seu sangue contra as reformas.

Lembramos também que a o ascenso de 2017 só foi tornado possível graças as Jornadas de Junho de 2013. As Jornadas de Junho criaram a autodefesa de massas, e a insubordinação frente à burocracia sindical. Em J13 ressurgiu no imaginário das massas a Greve Geral e o “Ocupa”, como tática de ação direta de classe. A Greve Geral do 28-A e o Ocupa Brasília são o verdadeiro legado das Jornadas de Junho tomando forma.

Mas é preciso uma análise séria da dinâmica do processo de acirramento da luta de classes. Por um lado, a burguesia radicaliza seus ataques e movimentos de expropriação, por meio das reformas. Ainda no plano das elites, a crise do bloco do poder se ampliou, criando as condições para que a própria burguesia exigisse a saída de Temer, depois da denúncia da JBS. A crise interna na burguesia é um fator fundamental. Ela tende a paralisar ou diminuir a capacidade de repressão e reação articulada. Quando essa crise de direção na burguesia for superada, ela tende a intensificar a repressão. Desse modo, o ciclo ascendente de lutas deve preparar para uma mudança de cenário em razão da resolução da crise burguesa. Continuar lendo

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Pela Ação Direta! Destruir o Estado e o Capital e Construir o Congresso do Povo!!!

Pela Ação Direta!

Destruir o Estado e o Capital e Construir o Congresso do Povo!!!

Cartaz da Campanha militante pelo Congresso do Povo

Comunicado nº 54 da União Popular Anarquista – UNIPA,

Maio de 2017.

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A ação do Ministério Público sob a liderança de Rodrigo Janot através da delação de Joesley Batista, do grupo JBS, instauraram uma crise no governo Temer. O golpe institucional dado no PT avançou, mas existe uma crise no bloco dirigente da burguesia, que se combina com a ação da Polícia Federal e do Ministério Público. O que fica claro é que no âmbito do Estado Burguês nada se resolverá a favor da classe trabalhadora. Eleições diretas ou indiretas não resolverão os problemas das trabalhadoras e dos trabalhadores. É tempo de ousar, é tempo de lutar, a classe trabalhadora não deve apostar na saída reformista que vai salvar a Burguesia e o Estado, é tempo de tomar as rédeas e assumir o protagonismo efetivo de luta, isso significa construir um movimento sindical e popular autônomo e revolucionário e a construção do Congresso do Povo rumo a Revolução Social.

Desde o início do governo Temer e frente ao contexto de ataque geral aos direitos do povo (PEC 55, PL 257, reforma da previdência e trabalhista, reforma do ensino médio, etc.) se discutia duas alternativas: a construção da greve geral e a radicalização da luta ou a convocação de novas eleições ou impeachment para retirar Temer (PMDB) da presidência. Diante da consolidação do governo Temer com apoio da Burguesia e dos oligopólios dos meios de comunicação até os setores reformistas tiveram que apostar na greve geral, que aconteceu no dia 28 de abril. (Analisado no Comunicado nº 53) Continuar lendo

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A GREVE GERAL DO DIA 28 A: Ampliar a Autodefesa das Trabalhadoras e Trabalhadores contra as reformais neoliberais e a Tirania do Estado!

A GREVE GERAL DO DIA 28 A: Ampliar a Autodefesa das Trabalhadoras e Trabalhadores contra as reformais neoliberais e a Tirania do Estado!

Repressão militar ao protesto da greve geral, 28-A, RJ

Comunicado nº 53 da União Popular Anarquista – UNIPA,

Maio de 2017.

[BAIXAR PDF]


 A greve geral do dia 28 de abril de 2017, o 28-A, foi novamente um dia fundamental para a classe trabalhadora. Novamente a ação direta das massas foi fundamental para o sucesso das paralisações. A greve teve um grande poder de pressão e contou com apoio popular, que se não se efetivou em greve de diversas categorias, como asseio e conservação e comerciários, se deu muito mais pela letargia e amarras da burocracia sindical do que pela vontade das trabalhadoras e trabalhadores.

A ação direta através de bloqueios, piquetes e barricadas foram fundamentais para que o patronato e o capital fossem afetados pela força coletiva da classe trabalhadora. Por outro lado, todo o poder da base das trabalhadoras e trabalhadores ainda não foi capaz de vencer as burocracias sindicais e as reformas neoliberais do governo Temer que assumiu definitivamente o terrorismo de Estado para tentar conter a luta social. Ainda assim, diante dessas contradições, temos todo um esforço do reformismo para manter a ordem e a institucionalidade, ou seja, há todo um esforço para manutenção da democracia burguesia, de um pacto republicano e estabilização do regime.

A tendência que se consolida, após esse dia 28 de abril, é que o PMDB, o PSDB e a burguesia que pretende aumentar a superexploração sobre as trabalhadoras e trabalhadores e para isso vão responder o movimento de massas com repressão e terrorismo de Estado, com avanço de uma violência sistemática e cada vez mais abrangente, atingindo praticamente todas as frações da classe trabalhadora. Aquelas categorias que fechavam os olhos para violência contra o povo negro e a retirada de direitos de outros trabalhadores, nem isso mais podem fazer. Continuar lendo

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