VIA COMBATIVA | O Bakuninismo e a Teoria da Organização Política

Para contribuir na formação política militante, estaremos relançando todas às sextas-feiras no site da Unipa os artigos de Via Combativa – uma revista de teoria política anarquista. Acompanhe!

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UNIÃO POPULAR ANARQUISTA. O Bakuninismo e a Teoria da Organização Política. Via Combativa, Brasil, Nº 01, p. 19-24, maio de 2009.


O Bakuninismo e a Teoria da Organização Política

 

“Trair a Aliança é trair a Revolução.”

Mikhail Bakunin

A historiografia sobre o bakuninismo é extremamente deficiente e precária. A maior parte das narrativas foi produzida a partir das perspectivas comunista (baseada na denúncia de Paul Lafargue e Frederick Engels nos anos 1870), liberal ou anarco-comunista, que, por razões diferentes, pecam pela falta de objetividade e reproduziram apenas impressões fragmentárias e “estigmas” acerca do pensamento e prática bakuninista.

Daniel Guérin, que foi ligado aos “comunistas libertários” franceses, por exemplo, reproduz a seguinte afirmação acerca de Bakunin: “Entretanto, parece que a organização projetada permaneceu por um longo período no papel. Como observou Arthur Lehning, estes programas e estatutos traduzem melhor a evolução das idéias de Bakunin que o funcionamento de uma organização [1]”. Ou então, como E. H. Carr, que indica o “surgimento da Aliança em 1867 e seu desaparecimento em 1869” (Carr, 1972, p.373). Estes são exemplos dos equívocos historiográficos cometidos. Além disso, existem algumas confusões acerca do “caráter” da organização bakuninista [2]. Continuar lendo

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VIA COMBATIVA | Uma Teoria do Anti-Estado: A Comuna de Paris e a Organização Política Socialista

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UNIÃO POPULAR ANARQUISTA. Uma Teoria do Anti-Estado: A Comuna de Paris e a Organização Política Socialista. Via Combativa, Brasil, Nº 01, p. 12-18, maio de 2009.


Uma Teoria do Anti-Estado: A Comuna de Paris e a Organização Política Socialista

Este texto irá discutir uma problemática fundamental: o programa revolucionário anarquista e a teoria que lhe serve de sustentação. A divisão do movimento socialista revolucionário entre as vertentes comunista e anarquista legou um debate acerca da definição dos objetivos, imediatos e históricos, e também acerca da estratégia de construção da sociedade sem-classes e sem-estado.

Esta diferença de legados marcou profundamente a história do século XX. A teoria comunista[1], desenvolvida pelo marxismo até suas últimas conseqüências, defendia que a construção do socialismo exigia o Estado; a teoria anarquista, o bakuninismo, se pautava na negação do Estado e na defesa de uma nova forma de organização política, que iremos denominar pelo conceito de anti-Estado. As experiências do movimento operário e das revoluções do século XX também acrescentaram importantes teorias sobre o desenvolvimento da revolução e sobre seu programa, como a teoria das revoluções em etapas (revolução democrático-burguesa), a teoria da “revolução permanente” (Trotski) e a teoria da revolução de “Nova Democracia” (Mao Tsé-Tung).

Para compreender a diferença de teorias e estratégias práticas é preciso analisar os debates existentes. Um dos pilares de construção dos modelos políticos, anarquista e comunista, foi fornecido por um dos principais acontecimentos da experiência revolucionária: a Comuna de Paris. É pela compreensão das diferentes análises deste evento – e de toda sua repercussão histórica – que poderemos chegar a uma definição mais clara do programa revolucionário bakuninista e de sua fundamentação teórica.

Foi pela apropriação do modelo político da “Comuna de Paris” que se iniciou a construção do socialismo na Rússia em 1917 e foi pelo abandono dos seus postulados fundamentais que se pode explicar, em parte, a burocratização seguida pela contrarevolução stalinista (1924-1953) e pela restauração burguesa (1985-1991). A incompreensão dos limites da experiência da Comuna de Paris também levou a impasses no momento de eclosão das situações revolucionárias. Este texto visa trazer elementos para tal reflexão. Continuar lendo

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VIA COMBATIVA | A Filosofia Bakuninista: dialética da ação e o materialismo sociológico

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UNIÃO POPULAR ANARQUISTA. A Filosofia Bakuninista: dialética da ação e o materialismo sociológico. Via Combativa, Brasil, Nº 01, p. 7-11, maio de 2009.


A Filosofia Bakuninista: dialética da ação e o materialismo sociológico

“Nós, revolucionários-anarquistas, defensores da instrução geral do povo, de sua emancipação e do mais amplo desenvolvimento da vida social e, por isso mesmo, inimigos do Estado e de toda gestão estatista, afirmamos, ao contrário dos metafísicos, positivistas, eruditos ou não, prostrados aos pés da deusa ciência, que a vida natural e social sempre precede o pensamento, que é apenas uma função, mas nunca o resultado”

Mikhail Bakunin

O revolucionário anarquista Mikhail Alexandrovitsch Bakunin nasceu em 1814 na cidade de Premukhimo, província russa de Twer, e faleceu em 1876 na cidade de Berna, Suíça. Oriundo de uma família da nobreza rural, Bakunin viveu numa Rússia absolutista, onde o povo era explorado pela aristocracia rural e pela burocracia czarista.

Sua biografia é marcada por intensa atividade política revolucionária, participando das mais importantes revoltas e organizações do proletariado do século XIX. É importante destacar que sua participação não foi secundária, mas sim central, influenciando, construindo e teorizando. Bakunin nos deixou um legado fundamental: sua teoria e sua ideologia revolucionárias.

Militância de Bakunin na Europa do século XIX

Militância de Bakunin na Europa do século XIX

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Não temos uma “democracia” a defender, temos um ajuste fiscal a combater!

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Ocorreu no último dia 16/08 atos pelo impeachment da presidente Dilma e acontecerá na próxima quinta, dia 20/08, outros atos em defesa do governo. As bases sociais são realmente muito distintas, sendo o primeiro convocado por grupos de direita como MBL (Movimento Brasil Livre), alguns grupelhos abertamente fascistas que defendem a intervenção militar e também partidos burgueses como o PSDB, e com uma adesão maior de servidores públicos e da pequena burguesia.

O ato do dia 20 por sua vez é construído por centrais sindicais como a CUT e por movimentos sociais e estudantis (MST, MTST, UNE) além de partidos governistas (PT, PCdoB) e outros partidos menores como PSOL e PCO. Porém, longe da adesão de amplas parcelas da classe trabalhadora, tudo indica que os atos governistas mobilizarão, com algumas exceções, apenas a burocracia sindical e partidária.

Uma característica comum entre estes atos é o discurso idealista. Ambos os atos se colocam como defensores da “democracia”, elevando-a um princípio universal e a-histórico, e por fim, ambos tentam se demonstrar mais zelosos pelo futuro da república burguesa. PT e PSDB disputam a capacidade de defender a ordem. Ambos os atos estão sendo utilizados para estas disputas partidárias por um Estado desacreditado pelo povo.

O fato é que, enquanto passam o dia 16 e 20 com suas encenações e mentiras, a ampla massa do povo está vivendo uma dura repressão nas favelas e bairros periféricos, com chacinas e assassinatos por grupos de extermínio e policiais em serviço. Nos locais de trabalho o que se amplia é o trabalho precarizado, terceirizado, é o assédio moral, o desemprego e o calote nos salários e direitos.

O ajuste fiscal, que nesse momento é o maior ataque ao povo, representa o foco estratégico da luta de classes. Porém, ambos os lados (do dia 16 e do dia 20) “sambam” e “rodeiam” para não falar seriamente sobre o ajuste fiscal pois tem seus rabos muito bem presos nos jogos políticos das classes dominantes. Apesar de uma fraseologia “contra o ajuste” a CUT chegou inclusive a propor junto aos empresários o PPP (Plano de Proteção ao Emprego), parte do ajuste. Por essas e outras ela é uma colaboradora na exploração dos trabalhadores. Aliás, quando os governistas dizem que o ajuste fiscal não significará perda de direitos eles mentem e irritam ainda mais os trabalhadores.

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VIA COMBATIVA | O Bakuninismo na Primeira Internacional dos Trabalhadores

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UNIÃO POPULAR ANARQUISTA. O Bakuninismo na Primeira Internacional dos Trabalhadores. Via Combativa, Brasil, Nº 01, p. 3-6, maio de 2009.


O Bakuninismo na Primeira Internacional dos Trabalhadores

 

A Internacional e seus precursores

O século XIX foi marcado pela consolidação do capitalismo em todo o ocidente e por sua expansão pelo mundo. Assumindo novas formas, o sistema social capitalista deu origem ao imperialismo. A questão econômica sempre foi central, uma vez que tal sistema baseia-se na expropriação das massas trabalhadoras submetidas, principalmente nesse contexto, a uma nova disciplina de trabalho imposta pelo mercado. Contudo, e na mesma medida, emergiu na Europa como fruto desse mesmo processo histórico o movimento operário e popular, influenciado pelas idéias socialistas. Este movimento nasce, então, ligado ao tema da emancipação econômica dos trabalhadores explorados pelo capital. Continuar lendo

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Via Combatia – uma revista de teoria política anarquista

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Para contribuir na formação política militante, estaremos relançando todas às sextas-feiras no site da Unipa os artigos da revista Via Combativa. Acompanhe!


A Via Combativa é uma revista de teoria política bakuninista editada pela União Popular Anarquista comprometida em resgatar o anarquismo enquanto ferramenta de interpretação e transformação revolucionária da sociedade. Suas edições e artigos sistematizam importantes discussões teóricas dos militantes e organizações clássicos e contemporâneos (Proudhon, Bakunin, Varlin, Makhno, Arshinov, Durruti e etc.), e suas experiências históricas.

Mas não se basta em “teorizar”. Através da Revista, buscamos sair de um marco dos debates estritamente conjuntural e historicista e avançar na construção de uma crítica anarquista, um pensamento voltado para a ação histórica emancipatória. Entendemos, dialeticamente, que a verdadeira teoria começa com a prática política enquanto desenvolvimento do conjunto de teses, conceitos e método de análise à história e sociedade.

Assim, Via Combativa é um instrumento que visa difundir uma teoria e uma linha para a ação política revolucionária entre militantes e a classe trabalhadora em geral. É com a finalidade de contribuir na formação política dos militantes combativos e revolucionários que estaremos relançando todas às sextas-feiras no site da Unipa os artigos da Via Combativa.

Alguns temas estão presentes, como sobre a participação dos bakuninistas na Primeira Internacional dos Trabalhadores (AIT); a filosofia bakuninista e o método materialista sociológico; a teoria do Estado; o anti-estatismo e a Comuna de Paris; teoria da organização política; forças coletivas e classes sociais; o debate entre plataformistas e sintetistas; analise do desenvolvimento capitalista no Brasil; a teoria anarquista da revolução brasileira; sindicalismo de Estado; o papel da educação e da categoria estudantil na sociedade; a análise sociológica do Levante de Junho de 2013; e debates sobre anarquismo e questão agrária.

Esperamos que a Via Combativa e o relançamento de seus artigos possam ser um instrumento de estudo entre coletivos e indivíduos e um compromisso com a Revolução Social, quer dizer, a emancipação integral da humanidade.

Anarquismo é luta!

Preparar a Insurreição da Classe Trabalhadora!

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Acesse aqui as edições de Via Combativa na íntegra.

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Muito além da FIFA, da CONMEBOL e da CBF: O Futebol é do Povo

fut_moderno Das denúncias de corrupção e estruturas de poder à porta das “canchas”: O que isso tudo implica na vida dos trabalhadores e qual a tarefa da classe trabalhadora frente a este cenário.


Se fosse qualquer palavra estranha, de um vocabulário específico, passaria batida em qualquer conversa de bar, de porta de casa, de ônibus e etc, mas quando se fala a palavra futebol não há quem deixe de emitir opinião, mesmo os que acham que o esporte bretão é o ópio do povo. Como diria o falecido escritor uruguayo Eduardo Galeano: “O futebol é a única religião que não tem ateus”.

O futebol é o esporte mais praticado e acompanhado do mundo. Por isso o que acontece no meio do futebol geralmente tem impacto para além do esporte. Bem como o que acontece no futebol vem de influências sociais, culturais, políticas e ideológicas que precisam ser explicadas para entendermos qual tamanho do impacto que as recentes polêmicas tem na vida dos torcedores, qual a maioria é o povo, a classe trabalhadora.

fifaCBF_latuffEmbora recentes, as denúncias de corrupção na FIFA, CONMEBOL e CBF demonstram o que há muito já era percebido: O futebol não é só mais um esporte, é um negócio, um mercado mundial, que envolve muito dinheiro e consequentemente poder. Relembremos o ano de 2013: O mês de junho ficou marcado na história recente do Brasil pelo estouro de manifestações em todo o país, na maioria das cidades contra o aumento de tarifa nos transportes públicos e contra a precarização das condições de vida do povo trabalhador. Naquele mesmo mês surgiu no seio das manifestações a palavra de ordem “Não Vai ter Copa!”.

Entre os motivos dos grupos que entoaram esse grito, estava a indignação com o interesse das classes dominantes do Brasil que queriam alavancar seus lucros já exorbitantes a custa da super-exploração dos trabalhadores, seja em obras superfaturadas que se fizeram as custas do sangue de operários que trabalharam em condições precárias de segurança, o que causou inúmeros acidentes e 10 mortes; seja atrtavés das remoções de bairros populares, favelas e ocupações para construírem hotéis, shoppings e outros prédios voltados para a Copa do Mundo.

Sequelas da Copa

Hoje, os fatos vem demonstrando quem estava certo: Afinal, que “legado da Copa” ficou pronto? E pra quem? Sabe-se hoje das linhas de metrô, VLT, obras de infra-estrutura urbana como viadutos e etc., obras prometidas pelo governo Lula/Dilma/PT que em sua maioria não ficaram nem prontas, sem contar com o viaduto que desabou em Belo Horizonte… Nunca antes na história a FIFA tinha lucrado tanto como na Copa do Mundo realizada no Brasil, dos estádios que seriam construídos segundo o discurso do governo com investimentos privados, no entanto a maior parte das arenas foram construídas com dinheiro público e em seguida leiloados a preço de banana para os empreiteiros e empresários.

A FIFA, que é uma entidade privada, assim como a CBF, utiliza seu discurso de promover o futebol, mas na verdade o utiliza como ramo de mercado e fonte de lucro. Assim, na pratica se vendem como “técnicos” e “guardiões” do futebol, quando na verdade tentam monopolizá-lo. Esse dilema só terá fim no dia em que os clubes e seus torcedores detiverem as decisões em suas mão, só assim poderemos evitar absurdos em nome do futebol, como os feitos nas Copas realizadas no Brasil e África do Sul.

As modernas arenas tem se tornado um verdadeiro engôdo, pois ou se tornaram elefantes brancos – como a Arena da Amazônia a qual a prefeitura de Manaus já cogita demolir devido aos gastos insustentáveis de manutenção – ou se tornaram estádios higienizadores, que aos poucos tem expurgado o povo das arquibancadas uma vez que são cobrados preços altíssimos desde as entradas até mesmo na comida.

Hoje temos um Padrão FIFA nos estádios, ou seja: sem povão, sem bandeira, sem fogos de artifício, sem instrumentos, sem espontaneidade, as torcidas cada vez mais sem cor, sem vida. Fora dos estádios, vemos hoje o “legado” que a Copa deixou no Brasil: mais instrumentos de repressão policial, transporte público caótico na maioria da metrópoles brasileiras, ataque aos direitos sociais, cortes de verbas para a educação e saúde pública.

O vexame em campo com a derrota para a Alemanha por 7 a 1, episódio chamado de Mineirazzo, não simbolisou apenas a decadência de um modelo de futebol xôxo, quadrado e europeu jogado pela seleção brasileira… Marcou também o fracasso das Elites Brasileiras, da Rede Globo e da CBF em tentarem maquiar a realidade massacrante dos trabalhadores com uma “festa nunca antes vista”. A festa acabou, e agora José?

Os Escândalos

Hoje vemos os escândalos de corrupção nas altas entidades do futebol nacional e internacional, que vem nos revelar os motivos por trás dos grandes eventos esportivos, dos contratos, construções e transmissão: O lucro. O projeto de realizar a Copa do Mundo renderá lucros estratosféricos as elites da Rússia e do Qatar, assim como gerou para as elites brasileiras.

No caso do Qatar, muito provavelmente as consequências para os trabalhadores ainda serão mais drásticas, num país onde é praticamente proibida a organização sindical, onde trabalhadores são também superexplorados, o resultado não deve ser outro se não a exploração e a repressão…

Não a toa que as denúncias tenham vindo à tona, outras elites também pleiteavam a Copa em seus países, e ao que tudo indica, muito dinheiro está em jogo. Mas e o futebol?

A nível mundial, a FIFA manda e desmanda, decide suas questões com propina, numa estrutura que não é democrática nem transparente; na América Latina, a CONMEBOL segue os mesmo passos; no Brasil, a CBF “da seu jeitinho” para fazer com que os interesses das grandes corporações mundiais e nacionais também lucrem aos montes, como o fizeram na Copa do Mundo.

Que modelo de futebol queremos?

2modelosHoje dois modelos estão em disputa: Um, é o modelo da FIFA, que quer submeter o esporte aos lucros que podem render às elites que lhe sustentam, com estádios que mais parecem teatros, onde não hajam torcedores, mas sim espectadores, onde não haja indentificação entre a torcida e seu time ou seleção, mas sim consumidores do produto futebol, para impor este modelo no Brasil a FIFA conta com a mídia burguesa e a CBF.

O outro modelo é “contra o futebol moderno”, um lema que cada vez mais toma força entre torcedores do mundo todo, também no Brasil e vizinhança. Torcedores, populares, trabalhadores, que cançados dos mandos e desmando dos cartolas, pautam que futebol deve ser tomado pelo povo, pelo fim da repressão policial nos estádios, por liberdade de expressão e contra a higienização do esporte.

Assim, hoje temos duas opções enquanto trabalhadores: Ou nos acomodamos e abandonamos nossa cultura de arquibancada, bem como permitimos o roubo do futebol pelas elites que o transfomarão de vez em mercadoria, acabando tanto com o esporte, como a cultura que o envolve… Ou enfrentamos nossos inimigos e seu modelo padrão Fifa do futebol moderno!

Enfrentando as medidas anti-populares nos estádios, bem como os ataques aos direitos dos trabalhadores, à repressão policial e falta de liberdade de expressão política atual no futebol. Enfrentar este modelo é, necessariamente, lutar contra a superexploração e os ataques aos trabalhadores praticados como pretexto de organizar os megaeventos esportivos.

Se hoje há uma crise no futebol brasileiro, temos de ter firmeza em apontar sim os culpados e o caminho correto para um futebol popular, sem ter ilusão nos modelos fáceis e enlatados pelo Globo e interessados em adequar o futebol brasileiro ao europeu. Não se trata de xenofobia, muito pelo contrário, se trata de não nos tornarmos meras mercadorias, voltados à exportação de garotos para o “velho” continente.

Tais medidas passam tanto por fazer frente ao Estado, uma vez que faltam campos e quadras de futebol nas ruas, escolas e comunidades em geral, por mais incentivos à prática esportiva e ao lazer, como por fazer frente às entidades privadas que se acham donas do futebol, que querem nos impor horários de jogos esdrúxulos, que querem se “apossar” dos jogadores nas bases.

Acreditamos que é objetivo central na atualidade nos re-apropriarmos do esporte mais popular do país, que envolve expressão cultural, expressão político-ideológico e por que não, diversão e lazer. Que voltem as Bandeiras, que voltem as Faixas, os sinalizadores e os fogos de artifício, os papéis picados e serpentinas, que o povo retome as ruas e se expresse da maneira que lhe convir, pois o futebol é do povo!

Não ao futebol moderno! Abaixo à Fifa!

As arquibancadas pedem liberdade!

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